Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas
Capítulo LXXII
O faz ficar seu perfido inimigo!
LXXII.
Partiu-se n'isto André, sem companhia
Dos bebados que tinha despedido,
Com engano seu e grande cortezia,
O gesto ledo a todos e fingido.
Já sobre seu asninho se subia
Com vinho de que ia apercebido,
E quando se desceu no aposento
Não levava a borracha mais que vento.
LXXIII.
Da rua das adegas o Thebano,
Que da parternal coxa foi nascido,
Olhando o ajuntamento tão ufano,
Ser do seu bom André aborrecido,
No pensamento cuida um falso engano
Com que seja de todo destruido.
E em quanto isto n'alma imaginava
Um borrachão tomando assi fallava.
LXXIV.