Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 24 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LII

Mas de vinho entraremos n'uma fonte.

 

LII.

 

E por mandado seu buscando vamos

A terra que Louredo em torno rega,

Depois que os quartos todos esgotamos

Da Telha, Lavradio, Aldea-gallega.

Mas já razão parece que saibamos,

Se entre vós a verdade se não nega,

Quem sois, que vinho é este que buscaes,

E se tendes do d'Evora alguns signaes.

 

LIII.

 

Somos, um dos do vinho lhe tornou,

Estrangeiros na terra e na nação,

Que os proprios são aquelles que criou

A terra que sovado come o pão.

A lei cega tivemos que ensinou

Aquelle descendente de Abrahão,

Que vinho não bebeu quente nem frio;

Intendami chi può, che m'intend'io.

 

LIV.