Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas
Capítulo LII
Mas de vinho entraremos n'uma fonte.
LII.
E por mandado seu buscando vamos
A terra que Louredo em torno rega,
Depois que os quartos todos esgotamos
Da Telha, Lavradio, Aldea-gallega.
Mas já razão parece que saibamos,
Se entre vós a verdade se não nega,
Quem sois, que vinho é este que buscaes,
E se tendes do d'Evora alguns signaes.
LIII.
Somos, um dos do vinho lhe tornou,
Estrangeiros na terra e na nação,
Que os proprios são aquelles que criou
A terra que sovado come o pão.
A lei cega tivemos que ensinou
Aquelle descendente de Abrahão,
Que vinho não bebeu quente nem frio;
Intendami chi può, che m'intend'io.
LIV.