Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 29 de 46

Páginas do PDF

Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXV

E disse um d'elles: pois que em tal sazão

Viemos que entre nós nem gota havia,

Quero-vos dar alguma informação

De nós, em quanto o vinho lá se avia.

Posto que granadino é de nação

Este homem que nos serve aqui de guia, Perto está de Lisboa a patria nossa,

Buscamos Peramanca amada vossa.

 

LXV.

 

Deixamos esgotado todo o imperio

Que Baccho em nossas terras tem visivel; Vimos correndo agora este hemispherio,

Porque beber por lá não é soffrivel:

E posto que sofframos vituperio,

Por um largo beber tudo é soffrivel:

Que melhor é vergonha em quem bebeu,

Que a dôr por não soffrer q'outrem soffreu.

 

LXVI.

 

Porque bastava só vinho infinito,

Que não ha nem gota já na companhia,

Que é tal, e no beber tem tal esp'rito,

Que inda um Tejo de vinho esgotaria.

Se as vasilhas quer ver como tem dito,

Cumprido esse desejo te seria: