Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 27 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LX

Mas assi como a Aurora marchetada

As fermosas borrachas lhe mostrou

Áquella gente meia atordoada,

Cada qual d'elles sua vez tomou.

Começa a embebedar-se a camarada,

Que de fermosos frascos se adornou,

Para beber com festa e alegria

C'o bebedor da terra que partia.

 

LX.

 

Partia alegremente, desejando

De beber já com gentes tão ufanas,

Que por charnecas sêccas caminhando,

Vem a beber em terras Transtaganas.

A borracha que traz vem empinando

Do licor que se vende não com canas.

Já chega, mas sem gota o Tridentino;

E quem sem gota está é bem mofino.

 

LXI.

 

Recebem-no alli alegremente,

O Mourisco com sua companhia,

E dá-lhe d'azeitonas um presente,

Que para tal effeito já trazia.

Dá-lhe sardinha frita; salta o ardente

Licor, com que elle tem tanta alegria. Tudo o Marques contente bem recebe,