Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 18 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo XXXVII

Um borrachão famoso pendurado,

Trazia ao tiracolo ao esquerdo lado.

 

XXXVII.

 

Do pichel a viseira rutilante

Levantada, de vinho branco e puro,

Por dar-lhe de beber a pôz diante

De Francisco com taes armas seguro,

E dando uma pancada penetrante

C'o grande borrachão no sólo duro,

O chão tremeu, e um d'elles de torvado,

Uma gran vez tomou sobre um bocado.

 

XXXVIII.

 

E diz: Ó bebado alto, a cujo imperio

Os vinhos obedecem que encerraste,

Se aquelles que em ti buscam refrigerio,

Cujo beber soberbo tanto amaste,

Não queres que padeçam vituperio,

Pois que esta adega hoje lhe mostraste,

Não ouças mais, pois bebado és direito,

A quem em bebedices é suspeito.

 

XXXIX.