Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 45 de 46

Páginas do PDF

Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo CV

E sendo o capitão aqui chegado

Estranhamente ledo, porque espera

De ser alli mui bem agasalhado

Dos refrescos que ha n'aquella terra:

Eis vem frascos de vinho com recado

De Diogo que sabe a gente que era,

Porque Baccho já d'antes o avisára

Que de bom vinho alli os regalára.

 

CV.

 

Agasalha-os a todos como amigos;

Preza-se já cada um de fallar certo,

Dando conta de todos os perigos,

Que em caminho passaram tão desertos. Não curam de lhe dar uvas nem figos,

Mas o licor que deixa o olho esperto.

Quer imitar cada um o gran Barbança

Que pôz n'este licor sua esperança.

 

CVI.

 

Aqui já vem tomar, livre d'engano

Anda esta gente pouco conhecida,

E debaixo de um vil e pobre panno

Tão alta bebedice anda escondida,

Quem bebe vinho velho, quem d'este anno,

D'um e d'outro s'entorna sem medida.