Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas
Capítulo LVII
E quem beber quizesse que o tomasse.
LVII.
A noite se passou na leda frota
Com estranha alegria não cuidada,
Por acharem em terra tão remota
A venda nova d'elles desejada.
Disse o Mourisco alli: Venga la bota!
Na castelhana lingua d'elle usada.
Elles que no beber tanto se esmeram,
A seu mandado logo obedeceram.
LVIII.
Do vinho alegres côres rutilavam
Pelas taças de vidro crystallino;
As velhas azeitonas que lhes davam
Festejam mais que flôres e boninas,
Da venda os taverneiros s'espantavam
Do cheiro e do sabor das agoas finas,
Porém a demais gente não provava
O bom licor que entre esta se brindava.
LIX.