Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas
Capítulo LXXXII
Onde a agoa dê fim a seus sentidos.
LXXXII.
Tanto que estas palavras acabou,
O Tridentino André, bebado velho,
Os braços ao pescoço lhe lançou,
Agradecendo muito o tal conselho.
Em se apartando d'elle concertou
Para os poder prender todo o apparelho,
Com que em puro desgosto lhe tornassem
D'Evora o vinho puro que buscassem.
LXXXIII.
E busca mais para o cuidado engano
Um homem que d'alli com elle mande,
Sagaz, astuto, sabio em todo o dano,
De quem fiar se possa um quarto grande. Diz-lhe que acompanhando o Alcochetano
Por ribeiras, por charcos com elle ande,
Que se d'aqui passar, que lá adiante
Vá cahir onde nunca se levante.
LXXXIV.