Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 17 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo XXXV

Estas cousas se movem em uma cêa

Onde apenas um ao outro s'entende,

Um d'elles tem a vinda em boa estrêa,

Outro ás picheladas a defende;

Assi que um pela infamia que recêa,

E outro pelo gasto que pretende,

Porfiam, arrebessam, permanecem,

A quasquer seus amigos favorecem.

 

XXXV.

 

Qual o fervente mosto em talha escura,

Quando a tinta lhe lançam espremida,

Por aqui, por alli sair procura

Com impeto e braveza desmedida;

A adega brame toda co'a fervura,

Bota o bagulho fóra a escuma erguida,

Tal andava o tumulto levantado

Entre um bebado e outro apaixonado.

 

XXXVI.

 

Mas um que a esta gente sustentava,

E d'entre todos elles mais bebia,

Ou porque o amor do vinho o obrigava;

Ou porque o seu beber o merecia,

Tremelicando alli se levantava,

Olhando a quem primeiro brindaria;