Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 25 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LV

Esta pequena venda aonde estamos

É de nossa passagem certa escala,

Onde ás vezes taes vinhos nós gostamos,

Que acontece ficar homem sem falla.

E por ser terra esteril procuramos,

Cada vez que passamos, visital-a.

Comem aqui e bebem tanto a pique,

Que prometto que o Fuentes cedo enrique.

 

LV.

 

E pois que tantos odres despejaes

Se d'Evora buscaes o vinho ardente,

Guiando-vos irei, té que sejaes

Postos em Monte-mór seguramente,

Onde será bem feito que vejaes

O tridentino André que é o bebente

Que essa terra governa, e que vos veja,

Para que d'alguns vinhos vos proveja.

 

LVI.

 

Dizendo isto o Mourisco carregou

Os seus odres, deixando a companhia,

D'ella e do vendeiro se apartou;

Bebe cada um sua vez por cortezia;

Os novos companheiros acceitou

Com mostras de prazer e d'alegria, Dizendo a cada um que caminhasse,