Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 43 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo C

O falso guia, porque determina

Dar-lhe porto, mas não qual elle pede,

Posto em Rio Marinho lh'o imagina

N'um pégo que em altura os mais excede. Aqui o engano e a morte lhe maquina,

Para que tal beber com pressa véde;

E para o porto verem logo os chama

Onde lhe arma perderem vida e fama.

 

C.

 

Já para lá inclina a leda frota

E em chegando ao rio da cilada,

Um descalça o sapato, o outro a bota,

Para ir buscar a morte não cuidada.

Chega um bebado n'isto, que remota

Lhe parece esta gente e enganada,

E com duras palavras reprehendia

D'entrarem em tal pégo a ousadia.

 

CI.

 

Mas o malvado guia conhecendo

Ser manifesto o engano, n'um instante,

Se vae por uns outeiros acolhendo,

Corrido de não ir a sua ávante.

Os outros que ficavam 'stão tremendo,

Cuidando qu'inda o engano era diante;