Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 23 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo L

Não tem descarregado a agoa-ardente,

Quando o que saltou fóra já bebia;

Começa de gaval-o á sua gente,

Dizendo que parece malvasia.

O tarverneiro então em continente

Tal gente recebeu com alegria.

Enchem vasos de vinho e do que deitam

Os que vem e os que estão nem gota engeitam.

 

L.

 

Comendo alegremente perguntavam,

Com lingua onde as palavras se detinham, D'onde era o licor branco que gostavam

E se vermelho entre elle tambem tinham. De Castella os marranos lhe tornavam

Que si, e suas mercês de donde vinham? Disse um d'elles: De junto a Benavente,

Vimos a Evora a beber sómente.

 

LI.

 

De Riba-tejo temos já provado

Os vinhos, e as adegas temos visto,

Caparica deixamos esgotado

Molto sudando nel glorioso acquisto. E de um bebado somos tão amado,

Tão querido de todos e bem quisto, Que não no largo mar com leda fronte,