Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 20 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo XLII

Tornaram para os frios aposentos.

 

XLII.

 

Em quanto este conselho na famosa

Adega se passou, aquella gente

Pisando a charneca sequiosa

Beber deseja d'Evora a agoa-ardente.

E chegando á Amieira lamarosa,

Onde o caminho vem de Benavente,

Se algum licor trazia de Lyeo,

Sem gota lhe ficar alli o bebeo.

 

XLIII.

 

Tão rijamente os odres despejavam

Como em terra que tem de vinho abrigo;

Mas se tanto bebiam confiavam

No Thomé dos Pegões que era amigo.

Á desejada venda já chegavam

Onde os abraça o seu compadre antigo;

E em signal que da vinda se alegrava,

Novos vinhos que tinha lhe mostrava.

 

XLIV.