Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 37 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXXXV

Já o carro d'Apollo caminhava

Pelo nosso horizonte, quando erguido

O bom Vasco c'os seus determinava

De vir por vinho á terra apercebido.

Os borrachões a gente desatava,

Corre-se cada qual não ter bebido;

E do que á venda veio novamente

Beberam todos logo em continente.

 

LXXXV.

 

Assi se vem chegando junto á terra

Para tomar o vinho necessario;

Mas o Marques o vinho todo encerra

Só pelo não beber o seu contrario.

Porém Vasco Bagulho que não erra

Em não se fiar d'este adversario,

Apercebido vem como podia

E entra em Monte-mór com alegria.

 

LXXXVI.

 

O grão Marques que o vê logo desmaia,

Diz á Justiça que ande apparelhada

De pistolete, chuça e azagaia,

De rodela, de casco e boa espada;

E que em dando recado logo saia,

Porque tome esta gente atordoada.