Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 21 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo XLV

Vasco Bagulho que era o capitão

Que ás Bacchanaes venturas se offerece, De soberbo e altivo borrachão,

A quem fortuna em copo favorece,

Para se aqui deter não vê razão,

Que a terra não dá vinho ao que parece.

Por diante passar determinava

Mas impediu-lh'o o vinho que chegava.

 

XLV.

 

Eis que apparece logo em companhia

Uma recova d'asnos de Castella,

Que gran copia de vinho lhe trazia,

Que foi fermosa vista, cousa bella.

Alvoroçam-se todos de alegria,

Desejam já provar a causa d'ella:

Que tal será o vinho alli diziam,

De que logares estes o trariam?

 

XLVI.

 

Os seus borrachões eram de maneira

Que pipas pareciam mui compridas,

Agasalha-os com festa a taverneira

Por suas taças ver melhor providas,

O vinho bota em vasos de madeira.

Enchendo do restante as mais medidas. Senta-se á meza logo em continente,