Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 34 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXXVII

Porque sempre per via irá direita

Aquelle que no vinho agoa não deita.

 

LXXVII.

 

Isto dizendo irado e quasi insano

N'esse Monte-mór fresco se desceu,

Onde tomando a fórma e gesto humano,

Para onde estava o Marques se moveu:

E por melhor tecer o astuto engano,

No gesto natural se converteu

De Talha-manco muito seu valido,

Um Taverneiro velho conhecido.

 

LXXVIII.

 

Estando assi bebendo co'elle a horas

Á sua falsidade accommodadas,

Lhe diz como eram gentes roubadoras.

Estas que ora de novo são chegadas,

Que das gentes nas vendas moradoras

Correndo a Fama veio que roubadas

Foram por estes homens que passavam,

Que sob capa de paz sempre ancoravam.

 

LXXIX.