Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 35 de 46

Páginas do PDF

Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXXX

E sabe mais, lhe diz, como entendido

D'estes bebados tenho bagulhentos,

Que deixam Riba-tejo destruido

Em beber com incendios violentos:

E trazem já de longe o engano urdido

Contra nós; que todos seus intentos

São para os nossos vinhos esgotarem,

E pipas, toneis, quartos, despejarem.

 

LXXX.

 

E tambem sei que tem determinado

Da virem buscar vinho aqui mui cedo,

Mas ter-lhe-hemos um tal ardil traçado

Que não cheguem a ver o de Louredo.

Á justiça darás logo recado

Que estes galantes prenda, que sem medo Pelo caminho roubam, pela estrada,

E só com furtos bebem na jornada.

 

LXXXI.

 

E se assi não tivermos d'este feito

Impedido o caminho totalmente,

Eu tenho imaginado no conceito

Outra manha e ardil que te contente.

Manda-lhe aqui dar guia que de geito

Seja astuto no engano e tão prudente, Que os leve adonde sejam submergidos,