Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 33 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXXV

Está do Fado já determinado

Que em tantas bebedices tão famosas

Se tenham d'estes bebados achado,

As suas taças sempre victoriosas;

E eu Baccho tão sublime e tão honrado

Bebado, e mais de partes tão honrosas,

Hei de soffrer que o Fado favoreça

Outrem por quem meu copo se escureça?

 

LXXV.

 

Já quizeram os Fados que tivesse

Esta genta victoria n'esta parte,

Cujos campos o Tejo reverdece;

E que com tanto vinho não se farte!

Pois não se ha de soffrer que o Fado desse

A tão poucos tamanho esforço e arte,

Que venham beber vinho transtagano,

Abatendo o gran nome do Thebano.

 

LXXVI.

 

Não será assi: porque antes que chegado

Seja Vasco Bagulho, astutamente

Lhe será tanto engano fabricado,

Que nunca beba d'Ev'ra o vinho ardente. A Monte-mór irei, e o indignado

Peito rovolverei do bom bebente: