Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 28 de 46

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Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo LXII

Mas triste está com ver que ninguem bebe.

 

LXII.

 

Estava o Granadino mui confuso

Com ver que não tem já de vinho nada,

Com que brinde ao bebente, como é uso,

Que para o receber fez tal jornada.

Reprende o companheiro seu abuso,

Pois sequer não deixára uma canada

Para enxaugoar a boca ao que trazia

Do fresco Monte-mór a alegre via.

 

LXIII.

 

Porque em chegando diz que ver deseja

Do vinho os instrumentos; que não crê

Que tão honrada gente alli esteja,

Sem terem pelo menos agoa-pé.

Mas os outros a quem nada sobeja

Do licor da boa planta de Noé,

Aos vendeiros pedem que alli 'stavam,

Das fundagens que para si guardavam.

 

LXIV.