Qualquer Outro Lugar
Capítulo 4
4
Carne e Sangue
Um a chuva fria m e desperta com um solavanco. O cheiro de um idade preenche m inhas narinas e o estrondo dos trovões faz trem er m eus tím panos, abafado por um som de investida. Minha bochecha direita se aninha em algo que é ao m esm o tem po m acio e espigado.
Balanço a cabeça, tentando m e lem brar de onde estou.
O covil do cogum elo. Estou nos braços de Morfeu... Ele está voando com igo para sua m ansão. Tenho pavor de olhar, m as preciso saber para onde ele levou Jeb. Ergo-m e, esperando ver paisagens do País das Maravilhas passando por baixo de nossa altura estratosférica. Em vez disso, um relâm pago ilum ina a névoa à m inha volta, revelando papai planando sobre sua m ontaria de borboleta pouco adiante. Estou rodeada por nuvens de tem pestade, e não nos braços de Morfeu. Estou conduzindo um a m onarca.
A tristeza m e assola. Ultim am ente, quando durm o, m eus sonhos revivem m om entos no País das Maravilhas com Morfeu, ou na garagem de Jeb, observando-o pintar e trabalhar nos m otores, ou até fazendo biscoitos com a m am ãe na cozinha. Um fio em com um une todos eles: acordar é um a ocorrência tem erosa.
Seguro com m ais força os pelos do tórax da borboleta quando nos precipitam os de um a nuvem e m ergulham os em outra. Minha visão se aj usta através de raj adas de chuva e da escuridão com pleta. As copas das árvores parecem m ais próxim as a cada relâm pago. Nossas borboletas estão descendo, o que significa que estam os prestes a chegar a Oxford e ter aquela conversa franca.
O que papai vai pensar quando descobrir que sou eu a responsável por todo este pesadelo?
O vento é m uito forte e força nossas m ontarias a dar guinadas bruscas, balançando o cordão em m eu om bro. A sacola de balé dá um tranco forte o suficiente para o diário bater contra m inhas costelas.
Por um instante, m e abandono ao sabor da chuva, de voar m argeando as nuvens, acesas por descargas elétricas. Minhas tranças m olhadas se debatem sobre m eu rosto e m eus om bros — m ovidas ora pela m agia, ora pelo vento.
O diário dá um novo tranco contra m inhas costelas. Não é a m ontaria nem o tem po que causam esse m ovim ento agora. Os cordões se esticam com força contra a direção do vento. Algum a coisa despertou as m em órias contidas nas páginas, deixou-as inquietas. Talvez, ao m e aproxim ar de m eu lado som brio, eu tenha lem brado à Verm elha que as m em órias são um a parte de m im agora, não im porta a distância que eu crie entre nós. Afinal, a Verm elha j á fez parte do m eu corpo um a vez. E ela será, para sem pre, um a parte do m eu sangue.
Talvez até do m eu coração.
Engalfinho-m e com o cadarço para dom inar o diário. A bolsa sacolej a e se solta, escorrega do m eu om bro e m ergulha na escuridão e na chuva, levando consigo nossa oportunidade de voltar ao tam anho norm al e, ainda pior, m inha vantagem sobre a Verm elha.
— Siga aquela bolsa! — exij o de m inha m ontaria.
Não somos táxis, a m onarca responde. Nós permanecemos na rota.
— Mas é por isso que você tem que recuperar a bolsa! — eu grito. — Para perm anecer na rota!
A m onarca ignora m eu apelo. Um arroubo de ousadia ganha vida dentro de m im , algo que Morfeu sem pre alim entou e que venho aperfeiçoando há um m ês.
Com um puxão, abro os botões de pressão e tiro a cam isa-vestido, deixando som ente o collant aberto atrás. O cachecol em torno de m eu pescoço protege a chave do diário pendurada nele.
Minha cam isa descartada vai na direção de papai. Ela o atinge na nuca e ele olha para trás.
— O que está fazendo? — grita.
— Recuperando nossa única chance de salvar todo m undo. — Minhas asas se libertam . Solto um gem ido de agonia quando, no om bro direito, a asa m achucada se desfralda.
Sem arriscar olhar para papai, salto da borboleta. Sua antena bate na sola da m inha bota quando eu desm onto, de braços abertos, carregada por um a corrente de vento.
O chapéu pula da m inha cabeça, m as o cachecol perm anece seguro, com as pontas esvoaçando com m inhas tranças.
— Allie! — O grito desesperado de papai é cortado pelo som de um trovão.
Despenco pelo céu pontilhado pela chuva, o terror dando lugar ao êxtase. Minhas asas oferecem resistência e m e desaceleram , m as são fracas dem ais para m e levantar. O vento acrescenta outra barreira, golpeando-m e feito um chicote. Sinto-m e revigorada. Se existe um a coisa que ser coroada rainha no País das Maravilhas m e ensinou é: o poder é im potente a m enos que sej a cultivado com riscos.
Isso, sim, é viver... um a queda livre para o desconhecido.
A chuva tam borila em m im , rodopiando. Faço força para abrir os olhos e curvar as asas para guinar na direção da bolsa que caiu. Ao ganhar im pulso, consigo visualizá-la, em bora ainda desfocada. Um instante antes de ultrapassá-la, agarro a bolsa e a enfio no peito de m eu collant, contente por ter tom ado a providência de am arrar o cordão antes de partirm os. Tudo continua lá dentro.
Um raio ilum ina tudo à m inha volta. Árvores gigantes vão ficando cada vez m ais próxim as, as folhas parecendo enganosam ente m acias. Mas o que aguarda no m eio dos espaços — galhos pontudos e m onstruosos — m e rasgará inteira. Com o m eu tam anho, sou com o um inseto atingindo o para-brisa de um carro. Não sobrará nada de m im a não ser sangue e asas destroçadas.
Um instante antes de colidir com a árvore m ais próxim a, im agino que seus galhos se fundem uns nos outros, com o m usgo m acio e espesso se erguendo para revestir a copa, form ando um a alfineteira gigante.
Com o im pacto, todo o ar é expelido de m eus pulm ões. Escorrego para dentro da superfície acolchoada feito um alfinete atravessando o estofo de serragem . A força dobra o m usgo e a folhagem em torno de m im até que o alto da m inha cabeça em erge e bate no tronco escorregadio. Sinto um a dor aguda no crânio e na coluna, e tudo fica preto.
Quando recobro os sentidos, m eus m úsculos e m inha carne zunem com a sensação de estar sendo esticada. Algum a coisa ronrona em m eu ouvido, e em seguida um rufar de asas e um a sensação de encostar em pelos m acios, tudo m uito fam iliar.
Chessie?
Não pode ser. Eu não o vi m ais depois do incidente no ateliê de arte há um m ês. Presum i que j á tivesse retornado ao País das Maravilhas e estivesse preso lá, com o a m am ãe. Caso contrário, ele teria ido m e visitar no sanatório.
Meus olhos não querem se abrir. Agito braços e pernas por baixo do aconchego das cobertas, esperando que m inha cabeça vá latej ar. Ouvi m eu crânio estalar quando bateu naquela árvore. Em vez disso, sinto-m e confortável, serena... até eufórica. Sinto um a com ichão no tornozelo. Alguém uniu sua m arca de nascença com a m inha.
Talvez tenha sido Chessie.
Solto um grunhido.
— Ela está acordando. — É a voz de papai.
Meus cílios recusam -se a se abrir. Sinto um sabor am argo no fundo da língua e estalo os lábios.
— Eu não sabia se tinha dado o suficiente a ela. — Papai afaga m eu cabelo carinhosam ente.
— Beber chá de cogum elo é cinco vezes m ais potente do que com ê-los. — É a voz de um estranho: áspera, com o se ele tivesse gargarej ado com areia. — Ela vai precisar com er algum a coisa para neutralizar os efeitos. Creio que é m elhor trazer algo aqui para que ela fique escondida. Nem todos os rej eitados são com preensivos com o este cam aradinha aqui. Na verdade, ele é o responsável por m anter todos aqui durante essas sem anas. A m aioria queria encontrá-la para que ela consertasse os portais. Eles têm saudade do seu m undo e de seus pares.
Então, Chessie não foi m e visitar no sanatório porque não queria conduzir nenhum intraterreno irritado até m im . Ele está m esm o aqui!
Forço os olhos a se abrirem .
O arom a de cera de vela derretida conforta m inhas narinas, e o brilho suave do fogo faísca j unto a um a parede sem j anelas estofada com tecido azul-real e verde-floresta.
É um aposento privado. Estou em um sofá redondo e sem encosto repleto de alm ofadas com borlas coloridas. A decoração m e lem bra um circo — extravagante, m as estranham ente graciosa. Tapetes de pele de zebra guarnecem o teto abobadado. Com exceção dos candelabros, todo o resto é acolchoado, até o chão. O entorno é um a m istura da cela acolchoada do sanatório com o chalé da Irm ã Um no País das Maravilhas.
Duas silhuetas ganham form a, paradas diante de m im .
O estranho parece ter a altura de m eu pai. Há algo m uito fam iliar nele, em bora eu nunca o tenha visto antes.
Um m anto m arrom envolve seu vulto m usculoso, e calças cáqui de cam urça estão enfiadas em suas botas. Seu capuz enorm e cai por sobre os om bros e as costas. Ele só precisa de um a alj ava com flechas para ficar igualzinho a Robin Hood.
O cabelo escuro com fios grisalhos com plem enta seu cavanhaque e suas sobrancelhas cerradas. Olhos cor de âm bar m e analisam .
— Finalm ente, olá — ele diz carinhosam ente.
Sinto um a com ichão na ponta do nariz. Arrasto um a m ão de debaixo das cobertas para cobrir o espirro im inente. Solto um som agudo e m eu nariz encolhe e fica do tam anho de um a ervilha.
— Ah, está tendo um a ligeira reação ao chá, não é? — o estranho fala.
— Ligeira? — Minha voz parece m ais a de um pato por causa do nariz m inúsculo. Livro-m e das cobertas e esforço-m e para ficar de pé.
Papai senta-se ao m eu lado na borda da alm ofada.
— Vai ficar tudo bem , Allie. Aguarde só um segundo. — Mesm o sua expressão calm a não consegue tranquilizar m eus nervos. Mais um espirro irrom pe de m im , e m eu nariz retom a o tam anho norm al, m as a m ão direita com eça a inflar até ficar do tam anho de um a bola de basquete.
Engulo em seco.
— O queixo é igual ao seu — o estranho diz, alheio à m inha deform idade espontânea. — Mas as asas e os olhos...
— São da m ãe — papai declara com orgulho, com o se tam bém estivesse cego para o que está acontecendo.
Talvez a reação sej a que estou tendo alucinações. Tento erguer a m ão inchada, m as ela fica parada ao m eu lado feito um pedregulho. Fecho a m ão e a sacudo. Ela esm urra papai no estôm ago e ele cai do sofá, pousando sobre um a pilha de alm ofadas.
Nada disso. Não estou alucinando.
Mais um espirro m e acom ete. Quando ele para, eu suspiro, aliviada ao ver que m inha m ão está norm al e todas as outras partes do corpo tam bém .
O estranho aj uda papai a se levantar. Papai espana as calças de flanela e os dois olham para m im com seus olhos castanhos arregalados — com o se eu fosse um experim ento científico.
Levo a m ão ao topo da cabeça, a única parte de m im que não consigo ver.
— Ah, não. Minha cabeça está do tam anho de um balão, não está?
O estranho dá um a gargalhada.
— Que nada, m enina. — Ele dá um tapinha nas costas de papai. — Ela certam ente herdou o senso de hum or dos Skeffingtons, hein?
Chessie aparece flutuando no ar com um sorriso m aroto. Fico tão contente em vê-lo que grito seu nom e.
A pequenina bolsa de balé da Barbie está pendurada no pescoço dele e tem um buraco enorm e no fundo. Os cogum elos sum iram . Mas felizm ente o contorno do diário ainda deform a o tecido acetinado por dentro. As m em órias m ágicas da Verm elha sobreviveram .
Toco m inha clavícula e encontro o colar ainda no lugar, em bora a chave estej a do tam anho de um a chave norm al, depois de ter crescido com igo. Com o o diário ainda está do tam anho de um brinquedo, ela deve ter caído de dentro de m eu collant antes de eu beber o chá. Talvez sej a m elhor que o diário continue pequeno. Será m ais fácil de m anusear se as em oções se rebelarem novam ente.
Chessie desenrosca a cabeça e ela rola na m inha direção pelo chão, com o cadarço da bolsa enrolado no crânio. Um riso bobo escapa dele enquanto seu corpo decapitado com eça a persegui-la.
Papai e o estranho dão um risinho irônico.
Com o é que m eu pai pode ficar tão à vontade em m eio a tantas coisas bizarras? E o estranho tam bém ? Os dois estão dando o m esm o sorriso pateta à la Elvis.
Na verdade, eles se parecem tanto que poderiam ser...
Minhas pernas com eçam a ficar agitadas. As cores brilhantes do aposento m e desorientam .
— Papai? Esse hom em é...?
— Ah, m e desculpe, borboleta. — Papai volta a sentar-se ao m eu lado e envolve m inha cintura com o braço para evitar am assar m inhas asas. — Esse é o Bernard.
— Pode m e cham ar de tio Bernie — o hom em com plem enta.
O nariz de Chessie bate em m inha bota de plástico e para. Puxo o cadarço da bolsa de balé e a cabeça dele sai girando feito um pião. Quando seguro o diário entre os dedos, as palavras do estranho repicam em m inha m ente: tio Bernie.
Um sorriso se form a em m eu rosto. Há um a com preensão em seus olhos, um a afeição incondicional que não fiz nada para conquistar a não ser ter nascido.
— Vocês são irm ãos.
O sorriso de Bernie fica m ais largo.
— Som os, sim . É um prazer conhecê-la, enfim . — Ele coloca a m ão no om bro de papai. — A nossa fam ília... vai ficar eufórica. Já tínham os perdido a esperança.
Um som esganiçado que não reconheço irrom pe de m inha garganta.
— Ela precisa tom ar água — papai diz ao irm ão.
Seu irmão.
Tio Bernie concorda e prom ete voltar logo. Olho para suas costas — m ais largas que as de papai —, enquanto ele sai do quarto e entra em um corredor acolchoado repleto de portas estofadas parecidas com a porta do côm odo em que estam os.
Chessie atarraxa a cabeça de volta, trem ula as asas e segue m eu tio antes que eu possa agradecer-lhe por m e curar e cuidar de m eu diário.
A porta se fecha, deixando papai e eu a sós com nada além do crepitar das velas acesas. Ainda posso ver as linhas de preocupação em sua testa, ali gravadas pela ausência de m am ãe e Jeb nas últim as sem anas. Mas há certa felicidade atenuando as rugas que lhe contornam os olhos.
Toda a m inha vida eu pensei que não tivéssem os m ais nenhum a fam ília. Então, no ano passado, soube que m am ãe e eu tínham os parentesco com as criaturas m ágicas do País das Maravilhas. Agora, tenho um tio. Um tio hum ano que parece o Príncipe dos Ladrões.
Devo ter outros parentes tam bém . Prim os e tias, talvez até avós.
O que significa que papai tem sobrinhos e sobrinhas. Parentes dele...
— Quando vam os conhecê-los? — pergunto, sem saber se ele vai entender a quem estou m e referindo.
— Minha m ãe e m eu pai m orreram . — Um pesar ecoa em sua voz, e torna-se m eu tam bém . — Mas tenho duas irm ãs, e elas têm filhos. Assim com o Bernard e a esposa dele. Vam os conhecê-los depois que encontrarm os sua m ãe e Jeb. Exceto pelos intraterrenos que passam por aqui, som ente m em bros da Ordem do Espelho podem dorm ir nesta estalagem . Meus irm ãos, tios, prim os e sobrinhos. As m ulheres e as crianças m ais j ovens ficam em algum lugar em Oxford.
Fico olhando para ele, estupefata.
Papai pega m inhas duas m ãos.
— Som os descendentes da m esm a linhagem de Charles Dodgson. Depois que ele descobriu o cam inho para o País das Maravilhas, e depois que Alice encontrou a saída da toca do coelho...
— Espere — eu interrom po. — Foi Charles quem descobriu o cam inho para o País das Maravilhas? Eu achava que Alice havia contado a ele sobre a toca do coelho. Que tinha sido ela quem havia inspirado a narrativa de ficção. Está m e dizendo que ele sabia que o lugar era real?
Papai encolhe os om bros.
— A única história que nós recordam os é que os hom ens de nossa fam ília foram cham ados por Charles para guardar os portões de Qualquer Outro Lugar. Para serem nom eados cavaleiros. Os trabalhos publicados dele aj udam a nos financiar. Tem sido nossa tarefa por m ais de um século. Os m eninos são testados quando têm sete anos de idade. Norm alm ente, um dos filhos nasce com o gene. Meu irm ão e eu fom os a exceção. Nós dois o tínham os.
— Que gene?
— Um a segunda visão, com o a que Charles tinha. Um a habilidade de ver os pontos fracos na barreira entre o reino interior e o nosso m undo. Tem a ver com espelhos infinitos.
Os únicos espelhos infinitos de que tenho conhecim ento estão em parques de diversões. Engulo em seco, im aginando com o um a diversão tão infantil poderia ser a porta de entrada para um lugar terrível com o o m undo do espelho. Mas, pensando bem , até que com bina, considerando que o País das Maravilhas é construído sobre os sonhos das crianças, a im aginação e os pesadelos — considerando que essas coisas são o seu alicerce.
— Então... você tinha essa habilidade? — eu pergunto.
— Tenho — papai corrige. — Eu esqueci, depois que m inhas m em órias foram apagadas. Mas agora está tudo voltando. Fui capturado pela criatura aranha alguns m eses depois de com eçar a treinar para ser um cavaleiro Branco.
Meu queixo literalm ente cai. Eu deveria estar m aravilhada im aginando-o com o um cavaleiro, m as há certa tristeza em sua voz. Eu m e inclino e o abraço. Ele passa os braços em torno de m im , com cuidado para não am assar m inhas asas.
Ele lam enta ter perdido a vida que nasceu para ter. Assim com o m am ãe perdeu a dela.
Meu nascim ento e toda a m inha existência aconteceram à custa de suas vocações nobres e reais. Sem m encionar a m ancha negra sobre as paisagens que j á foram lindam ente bizarras do País das Maravilhas e agora m urcham por m inha causa.
— Sinto m uito — eu digo, desej ando poder apagar todos os m eus erros com um pedido de desculpas. Mas não é possível.
Penso no m inúsculo diário dentro da bolsa de balé. Os arrependim entos da Verm elha eram tão agudos que ela os rej eitou, abandonando as m em órias que os causavam . Mas não existe um a “poção do esquecim ento” que eu possa tom ar. E, m esm o que houvesse, não a tom aria. Nada pode ser apagado se quero consertar as coisas para todo m undo. E vou fazer isso, não im porta quanto m e custe no fim .