StarCraft: Ponto Crítico
Capítulo treze
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O bar Casa do Sam era um lugar mediano; nem muito conservador nem muito ousado, nem muito escuro nem muito claro. Jim fizera questão de levar Sarah a um lugar confortável, mas também real, uma experiência verdadeira e não um desses lugares assépticos e impessoais. Como era conhecido no bar, Raynor tinha uma boa relação com Sam e os outros funcionários. Definitivamente não como no Wayne Louco, uma espécie de segunda casa pra ele e Tychus, mas aqueles eram outros tempos. Jim já não fazia questão de dançarinas nuas rebolando, nem de ouvir música alta. Um papo agradável quando estava a fim de conversa; uma cerveja gelada em paz quando não estava. A Casa do Sam tinha as duas coisas.
Ele tentava não olhar para o relógio ou na direção da porta, sem sucesso. Ela estava atrasada. Talvez tivesse resolvido não vir mais. Jim sentia o coração dilacerar-se com o pensamento, mas não a culpava. Tudo era muito novo. Essa história de... relacionamento... ele não sabia bem que nome dar; mas o que quer que fosse, também era novidade para Sarah. Ao meter a mão no bolso para sacar um punhado de créditos e fechar a conta, ele sentiu a presença de Sarah Kerrigan atrás de si. Voltando-se casualmente, tentando não revelar a satisfação que sentia, Jim pensou em um comentário sacana e engraçadinho, mas se ouviu dizendo, abobalhado:
— Você está linda.
Quem estava diante dele era Sarah Kerrigan, sem sombra de dúvida, mas uma que ele definitivamente não conhecia. Ele conhecia a fantasma, vestida no traje que, colado ao corpo, permitia-lhe sumir e reaparecer; a assassina que transformava derramamento de sangue em balé; a soldado que, mesmo questionando as ordens que recebia, dava o máximo de si para cumpri-las.
Mas ele ainda não havia sido apresentado à Sarah mulher.
Ela encontrara, sabe-se lá como, um vestido que se ajustava ao seu corpo como se fosse feito sob medida. Não era exatamente estonteante, nem apagadiço, nem voluptuoso demais; apenas um vestido frente-única verde que descia até logo abaixo dos joelhos. Os ombros à mostra, esculpidos e salpicados de sardas, enfatizavam músculos torneados que em nada lhe diminuíam a feminilidade. Pela primeira vez desde que Jim a conhecera, os longos cabelos ruivos não estavam presos em um rabo de cavalo. Soltos, os fios emolduravam o pescoço e o colo, exceto por uma única mecha presa atrás de uma das orelhas por um enfeite em forma de borboleta. Com um decote discreto sugerindo mais do que mostrando, Sarah alternava o peso do corpo de forma inquieta entre os pés surpreendentemente delicados, calçados apenas com sandálias leves, amarradas nos tornozelos.
Sarah Kerrigan. Nervosa.
— Obrigada — respondeu ela, devolvendo um sorriso fugaz. — Espero que… o vestido seja adequado. Eu peguei emprestado.
— Está perfeito, ruiva. — Rapidamente Jim levantou-se e puxou uma cadeira para a moça, como o pai ensinara. Mais uma vez, a perfeição da figura dela chamou sua atenção. Será que havia em Sarah Kerrigan algo que não fosse perfeito?
— Um monte de coisas — disparou ela um segundo antes de fazer uma careta. — Droga. Mil desculpas. Estou tentando não… Você sabe.
— Gata, contanto que não me chame de porco de novo, pode ler o que quiser. Quero ser um livro aberto pra você.
Jim falara naturalmente, e sentiu que as palavras eram honestas. Sarah também percebeu, e adotou uma postura mais relaxada e um sorriso mais genuíno. Ele percebeu que a boca de Sarah era um pouco grande em relação ao rosto, e se perguntou como seria beijá-la. Para sua surpresa, Sarah corou, baixando o rosto e fazendo com que uma mecha de cabelos vermelhos caísse de sua testa. Jim estendeu a mão e cobriu a dela.
— O que vamos beber?
Ela deu de ombros com elegância.
— Nem faço ideia. Só bebo quando o Arcturus me serve alguma coisa.
— Vamos começar com uma cerveja gelada para espantar o calor. Depois pensamos no futuro. Ah, e você tem que experimentar isso — disse, apontando para uma porção de alguma coisa frita. — É uma delícia.
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— Me informaram que a comida aqui é preparada por um chef melhor que o da Hipérion — disse Jim, mantendo a expressão séria e apontando para o macarrão que acabara de servir. — Prove só. É uma delícia.
Ela o encarou.
— Você é um monte de coisas, Jim Raynor, mas definitivamente não é um chef. Já ouvi você dizer isso antes e sei que seu gosto pra comida não é lá essas coisas. — Ela odiara as algumas coisas fritas.
Jim sorriu, contente por ela ter se lembrado. Talvez Sarah também estivesse revivendo alguns dos bons momentos que tiveram no passado. Não foram muitos — não houve tempo para criar muitas boas lembranças —, mas os poucos que conseguiram eram inestimáveis para ele. Parecia que para ela também.
— Talvez — concedeu ele, dando um sorrisinho. — Mas você não pode negar que seria muito pior se tivesse sido feito na Bucéfalo.
— É, isso é verdade. — Depois de perscrutar o prato cautelosamente, Sarah lançou na direção dele um olhar de curiosidade e repulsa.
— Ah, qual é! É só ração. Eu sei que você já comeu isso antes — protestou ele, fingindo indignação. Depois, amolecendo, continuou: — É, é terrível, mas foi o melhor que arrumei por aqui. Espera até a gente voltar para a Bucéfalo. Se Valerian come a comida de lá, ela deve ser muito boa mesmo. Nunca vi alguém tão chato pra beber…
Assunto errado. O sorriso de Sarah desapareceu completamente enquanto ela fazia força para se erguer. Ele a ajudou, passando as mãos por baixo dos braços de Sarah. Antes musculosos, os braços de Sarah agora eram esguios e macios, e constatar isso fez Jim sentir uma já familiar pontada — ela precisava de ajuda rápido, ajuda de verdade.
— Pronto, agora sim — disse ele. Sarah nem fez força para comer; ficou encarando o prato na mesa e remexendo a gororoba nada apetitosa com o garfo.
Depois de assistir em silêncio por cinco minutos, Jim disse:
— Ruiva, não é grande coisa, mas você tem que comer.
Ela deu de ombros e em seguida, como uma criança birrenta, enfiou uma garfada na boca.
Raynor se debatia internamente com a frustração e o medo. Ele conseguiu se segurar por dois minutos, mas por fim não se conteve e explodiu:
— Sarah, você é a pessoa menos estúpida que eu conheço, mas vou te contar, anda fazendo algumas coisas bem estúpidas. Você sabe que tem que comer, e mesmo assim fica brincando com a comida no prato. Você sabe que em algum momento vai ter que falar com alguém sobre o que aconteceu, senão vai explodir. É uma péssima ideia fazer greve de fome e manter tudo o que aconteceu enterrado. Eu sei que você não é do tipo que vai se abrir pra um analista, mas depois de tudo o que passamos juntos, achei que você se sentiria à vontade pra se abrir comigo. Você já fez isso.
Ela não respondeu de imediato, mantendo a cabeça baixa. Vê-la daquele jeito, insensível e apática, irritava-o mais do que estava disposto a admitir — justo ela, que antes era fogo e paixão; controlada, é verdade, mas…
— Sarah
Ela pousou a mão sobre a dele e a apertou. Jim retribuiu. Então de súbito ela empurrou a comida e deu as costas, encolhendo-se.
— Sarah?
— Não estou com fome, Jim. Vá embora. Eu quero ficar um pouco sozinha.
Jim sabia que aquilo não podia ser bom. Ele sabia o que ela estava pensando, e sentiu culpa. Mencionar o encontro a havia levado até aquele lugar. Ele não conseguia realmente chegar até ela, ajudá-la. Era como tentar estender a mão a alguém que estava prestes a cair — ela teria que segurar sua mão com toda a força para que Jim pudesse puxá-la, mas algo a impedia.
Talvez ela na verdade nem quisesse.
Enterrando o rosto entre as mãos, ele se deixou ficar, desejando que ela se virasse e dissesse algo. Os únicos sons eram o zumbido suave dos equipamentos da enfermaria e o fraco, quase imperceptível gotejar das bolsas de terapia intravenosa.
Sem dizer nada, Jim Raynor levantou-se e saiu. Ele não sabia exatamente para onde, e não se importava. Seus pés simplesmente o carregaram pela vasta mansão que antes pertencera a Scutter O’Banon e agora pertencia a um demônio de cabelos cor-de-rosa. Percorrendo cabisbaixo os corredores com as mãos enterradas nos bolsos, Jim observou que nada ali lembrava a bela casa do passado. Nem Tychus ele via mais.
Somente Sarah, em seus braços, a pele tão alva que brilhava à meia luz…
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Os dois conversaram, beberam cerveja, gargalharam e comeram, e quando as horas avançaram e Sarah terminou o último copo e perguntou “E agora?”, Jim sequer hesitou em simplesmente estender a mão em silêncio.
Ela não estava bêbada — ele nem conseguia imaginar Sarah Kerrigan se permitindo ficar bêbada — mas o álcool a havia deixado mais relaxada, enchendo suas bochechas e seus olhos de um brilho que Jim não conhecia e presenteando-o com gargalhadas mais musicais, profundas e genuínas que as de qualquer outra mulher, exceto Liddy.
Liddy, eu amei você. Sempre amarei. Fui absolutamente leal até o dia em que você deu seu último suspiro, e mesmo depois disso. Mas você se foi, querida. Eu sei que você compreenderia, e que gostaria de me ver feliz. Acho que… é possível.
Enquanto o pensamento surgia em sua mente, ele sentiu um alívio, como se simplesmente abandonasse um fardo que havia imposto a si mesmo sem nem se dar conta. Subitamente, seu coração tornou-se leve e ele percebeu que era verdade: Jim Raynor estava feliz naquele momento, com aquela mulher, independentemente dos horrores da guerra e até dos alienígenas que pareciam estar sempre à espreita. Ele olhou para Sarah, feliz.
A mão dele estendeu-se na direção dela. Sarah a encarou longamente, sentindo a alegria recuar, dando lugar a perguntas sobre aonde aquele gesto os levaria, aquele gesto que tinha o potencial de transformar uma noite agradável em algo mais. O que, nenhum dos dois sabia. Um começo? Um fim?
Enfim, sua mão uniu-se à dele.
Jim não ligou as luzes da pequena cabine em que dormia. A fraca iluminação de segurança, sempre acesa para o caso de uma possível emergência, banhava todo o ambiente com um brilho azul. Jim fechou a porta, deitou Sarah e curvou-se para beijá-la.
O beijo, o primeiro deles, foi gentil e suave, investigador. Ela transparecia inexperiência, timidez, descompasso — justo ela, a epítome da precisão e dos movimentos graciosos. Ele sorriu sem descolar os lábios dos dela, pois não queria que aquilo parasse.
Primeiro Sarah hesitou, mas em seguida respondeu com uma paixão que ele sempre soubera que estava lá, oculta por uma superfície meticulosamente controlada. Seus braços deslizaram pelo corpo arqueado sobre o dela, sem acanhamento, mas tão famintos e suplicantes quanto ele.
Não era para ser assim, selvagem, voraz. Não a primeira vez. Então ele a freou com suavidade, mas com firmeza também, fazendo-a compreender que ela poderia receber tanto quanto dar, que havia uma recompensa para a paciência.
Foi ela quem rompeu o doce silêncio.
— Você não vê — disse com a voz tão suave que ele mal ouviu. Não era uma pergunta, e sim uma afirmação.
— Não vejo o quê, amor? — sussurrou ele em resposta.
A cabeça dela estava apoiada em seu peito largo, o ouvido colado ao corpo, ouvindo seu coração bater. Os longos cabelos, macios como fios de seda vermelha, espalhavam-se sobre os dois corpos. Com a paixão momentaneamente saciada, mas a fim de manter a conexão entre os dois acesa, ela passeava os dedos por sua pele.
Ela permaneceu parada e em silêncio por um instante, até que disse, ainda baixinho:
— A escuridão. A escuridão… em mim.
E se calou. Ele queria apertá-la, unir seu corpo ao dela, mas se deteve. Ela era um animal selvagem, pronta para fugir em disparada caso ele fizesse o movimento errado. Se fosse acuada, se fecharia completamente. Então ele continuou acariciando seu braço, sabendo que havia mais, até que ela decidiu prosseguir:
— Às vezes dá medo. É forte… Muito poderoso.
— Todos nós temos luz e escuridão dentro da gente — murmurou Jim. — Fiz coisas que muita gente consideraria bem sombrias, e sei que você também. Mas agora você pode fazer o que quiser, ruiva. Você escolheu aceitar o convite para o encontro de hoje. Você escolheu… me escolheu. Juro por tudo que é mais sagrado que só o que vejo em você agora é uma luz tão forte e tão pura que eu não consigo parar de olhar.
Sarah levantou a cabeça. Seus olhos brilhavam sob o fraco brilho azul enquanto procurava os dele. Ela com certeza estava lendo sua mente naquele instante, mas Jim não se importava. Era isso que queria. Talvez assim ela pudesse se ver como ele a via. Sorrindo suavemente, Jim ergueu uma das mãos para acariciar a seda vermelha dos seus cabelos e trouxe uma mecha até os lábios.
— Eu sei que é isso que você vê. Mas… Não é que eu não me importe, mas… Você não está aqui — disse ela, batendo com a mão na cabeça. — Eu estou. A escuridão… Jim, preciso que você me prometa uma coisa.
— O que?
Ela engoliu em seco. Estava claro para Jim que a mulher à sua frente jamais estivera tão vulnerável quanto agora, e o pensamento retumbou em seu coração.
— Prometa que não vai deixar a escuridão me consumir, custe o que custar.
Ele abriu a boca, mas fechou novamente e voltou a acariciá-la, sem a menor ideia do que dizer ou fazer.
— Prometa! — A aspereza na voz dela era medo, não raiva.
A escuridão não a consumiria, principalmente depois de tudo o que tinha acontecido. Gente inescrupulosa a forçara a usar seus poderes fenomenais para fazer coisas horríveis, mas Sarah Kerrigan estava no controle agora. Ela não seria mais o brinquedo de ninguém. Isso faria com que ela jamais sucumbisse à escuridão.
Com os olhos repletos de confiança e amor, ele tocou seu queixo e a encarou:
— Se isso te faz ficar tranquila, querida, tudo bem. Eu prometo.
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Eu prometo.
Os olhos de Sarah palpitaram e se abriram. Com as luzes das máquinas e os painéis piscando, o quarto convertido em enfermaria nunca ficava totalmente escuro, mas o lusco-fusco indicava que ainda eram as primeiras horas da manhã.
Ela se lembrou da conversa que tivera com Jim mais cedo. Ele não tinha como saber que toda vez que a fazia falar sobre “o que aconteceu” obrigava-a a reviver tudo: a “morte” pavorosa, o tormento do corpo torcido e retorcido para ganhar a nova forma, as visões e vozes de pessoas agonizando, tornando-se comida ou matéria-prima genética para os zergs. Seus zergs.
As criaturas avançavam em ondas sobre a mulher amedrontada, mas determinada a proteger a filha.
— Mamãe! Mamãe! — A garota não queria ir. Empurrava os braços fortes do estranho que tentava salvá-la. Lutava.
Em vão.
Tudo em vão. Mãe, filha e o bom samaritano morreriam em segundos…
Jim queria acreditar que a Rainha das Lâminas — nem Sarah Kerrigan nem uma zerg, mas uma combinação pervertida das duas coisas — era responsável. Talvez ele tivesse razão.
Sarah discordava.
Girando lentamente para o lado, ela foi surpreendida, ainda que não fosse exatamente uma surpresa, pela figura recostada na cadeira ao lado. Sua cabeça pendia para trás com a boca aberta, roncando baixinho. Ela fechou os olhos.
Eu prometo.
Quando a escuridão tomou o controle, ele não fez nada.
A promessa fora quebrada? Ou ele simplesmente vira que, mesmo tendo feito o que fizera, pensado o que pensara e se tornado o que se tornara, a escuridão não a havia consumido totalmente?
A raiva atravessou seu corpo como uma faca, afiada e quente. Quem era seu alvo, ela não fazia ideia. Um estrondo irrompeu na sala e seus olhos se arregalaram quando ela ouviu alguém que trabalhava no turno da noite soltar um palavrão.
— O que aconteceu? — inquiriu uma voz.
— E eu lá sei? — retrucou outra.
Sarah sabia.
Ela fizera aquilo. Ela pôde sentir a raiva selecionar aleatoriamente um objeto na sala — ela nem sabia o quê — e se concentrar para… esmagar?
Explodir?
Jim acordou de sobressalto, alerta e pronto para o combate, a mão apoiada na pistola que trazia na cintura.
— Tudo bem?
Boa pergunta, pensou Sarah, assentindo.
— Acho que alguma coisa quebrou.
Ela não explicou mais. Ainda não estava pronta para pensar sobre as repercussões.
Depois de se certificar de que os estragos já estavam recebendo a devida atenção, Jim sacudiu a cabeça e se virou para ela outra vez.
— Eu sei que você me pediu pra ir embora, mas… Eu quero ficar aqui. Não vou incomodar se você quiser voltar a dormir.
— Tudo bem — respondeu Sarah. A explosão telecinética aliviara um pouco da pressão. — Eu andei… pensando. Sobre aquela noite. As coisas que aconteceram. As coisas que eu disse.
— É — disse ele suavemente —, eu também.
Jim se perdeu em pensamentos por um instante antes de prosseguir.
— Sabe, Arcturus não suportava a ideia de nós dois juntos.
— Claro que não — vociferou ela com a voz encharcada de veneno. — Se estivéssemos lá um para o outro, não precisaríamos dele. Ele não poderia mais nos manipular. Seu medo era de que fôssemos uma influência mutuamente ruim.
— Se com “ruim” você quiser dizer “boa”, no sentido de pensar diferente dele, então sim. Ele quase me disse exatamente isso quando um dos espiõezinhos dele viu você saindo do meu dormitório.
Sarah permaneceu imóvel, como se ouvisse com o corpo inteiro.
— O que ele disse?
— A típica baboseira do Mengsk — respondeu Jim, com a franqueza que ela tanto adorava. — Ele disse que estava tentando me ajudar. Dar um aviso para que eu não me ferisse.
Jim parou de falar, esperando que ela fizesse algum comentário sarcástico. Ela continuou em silêncio. Quando o silêncio começou a incomodar, ele prosseguiu:
— Disse que você não era o tipo de mulher para um cara como eu. Que você não era nenhuma garotinha inocente que precisava de ajuda, e sim… — Jim calou-se abruptamente. Sarah não precisava ser telepata para saber o que estava acontecendo. Ainda atordoado pelo sono, ele não pensava antes de falar.
— Continua.
— Não tem importância. Como eu disse, baboseira típica do Mengsk.
— Jim, o que ele disse? — insistiu ela.
Raynor suspirou.
— Que você era uma arma. Um monstro. Perigosa.
— …
— Foi aí que comecei a perceber que o desgraçado não era confiável.
— Ele estava certo.
— É, talvez. De certa forma. Não vou discutir isso. Você foi treinada para ser uma arma perigosa, Sarah, e foi assim que te usaram. E quando começou a pensar por si mesma, a desafiar as ordens dele e a abrir os olhos para o quanto ele era ruim, você virou uma arma que não acertava mais onde ele mirava, uma arma que poderia se voltar contra ele. Foi aí que ele decidiu se livrar de você. Foi aí que o monstro foi criado. — Jim esticou uma das mãos para tocar a dela. — Mas o que um Mengsk fez, o outro me deu o poder de desfazer. Você é a Sarah de novo, ruiva, e eu não vou sair do seu lado. Nunca mais.