Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 1 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Acordo meio desnorteada, olho para o lado…

Acordo meio desnorteada, olho para o lado e vejo Mason dormindo.

Dorme como um anjo, tranquilo, com se não tivesse nenhum problema.

E eu como uma boba, fico babando nesse homem gostoso, todo

tatuado que poderia estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa, mas está

aqui tirando um cochilo comigo.

Olho para o criado mudo e vejo o relógio e percebo que já já tenho

que começar a me arrumar para ir para a boate.

A preguiça bate, porque está tão gostoso aqui com ele, que me

aconchego mais em seus braços.

Ele se mexe um pouco e abre os olhos e quando me vê me dá um

sorriso lindo.

— Oi! — diz ele com aquela voz rouca de sono, que me arrepia

inteira.

— Oi dormiu bem? — pergunto.

— Sim, fazia muito tempo que não dormia assim — diz ele

envergonhado.

— Que bom! Daqui apouco, tenho que me arrumar para ir trabalhar — digo

— Que pena, está tão bom aqui, tão quentinho agarradinho com você

— diz ele me puxando mais para ele.

— Que pena mesmo.— falo rindo.

De repente escuto baterem na porta.

— Duda? Acorda, daqui apouco temos que ir para a boate, e você não

comeu nada ainda. Sabe que não pode ficar sem comer — fala Jessie

preocupada.

— Já estou acordada Jessie — repondo cobrindo a cabeça em seguida,

com vergonha.

Mason me dá um olhar questionador, como se tivesse me perguntando

o que a Jessie quis dizer.

Olho para ele, esperando a pergunta.

— Tá, vou perguntar por que sou curioso! — ele fala rindo. — O que

a Baixinha quis dizer com você não pode ficar sem comer? — pergunta ele

sério.

— Eu sabia que você não deixaria isso passar batido. Quando eu era

mais nova, tipo onze, doze anos mais ou menos. Tive depressão e com isso

adquiri junto a crise de ansiedade e de mãos dada com ela a hipoglicemia.

Então tenho que me alimentar de três em três horas, mesmo não estando com

fome — respondo calma.

Essa foi a única coisa que trouxe daquela maldita casa. Lutei durante

anos contra a depressão, os ataques de pânico. Não me livrei completamente

e nunca irei me livrar. Mas está controlada e isso me deixa feliz.

Até hoje sofro com crises de ansiedade e pânico. Hoje nem tanto

como antigamente.

— Você ainda tem crises de ansiedade? E a depressão? — pergunta

ele preocupado.

— Raramente tenho crises, mas elas existem. Já a depressão não tem

cura, mas está controlada — respondo sinceramente.

Será que ele ainda vai querer ficar comigo? Mesmo eu sendo

quebrada, e com vários problemas?

Por isso nunca quis me envolver com ninguém. Por que sou cheia de

problemas, quem em sã consciência vai querer uma mulher cheia de defeitos

como eu?

Tem dias que não durmo com sonhos ruins de quando eu era pequena.

Fico dias acordadas e só consigo dormir a base de calmantes.

Nunca passou pela minha cabeça dividir isso com alguém. Já basta a

Jessie saber, e sofrer com tudo o que me aconteceu. Sou eternamente grata

por ela e por sua família terem me ajudado.

— Tudo bem, é até bom saber disso, assim posso cuidar melhor de

você — diz ele mexendo no meu cabelo.

— Sério que você não vai fugir? — pergunto espantada.

— Por que fugiria? Coloca na sua cabeça que gosto de você! Quero

você inteira do jeitinho que você é, e um dia você irá confiar no que eu digo e

vai se abrir e contar tudo o que está nessa cabecinha. Não tenho medo Duda,

você é minha e eu cuido do que é meu.

Olho para ele sem palavras, admirada por ele não ter dado uma

desculpa qualquer. E ainda dizer que vai cuidar de mim, que sou dele.

Será que é sonho? Que vou acordar e ver que não passou de sonho, da

minha imaginação reproduzindo o meu subconsciente? Meu desejo mais

profundo?

Sou zuada, quebrada, me acho indigna de qualquer demonstração de

carinho e amor. Meu psicólogo já me falou para tirar isso da minha

cabeça, que minha mãe e minha irmã usavam isso para me controlar, por

maldade enfiaram isso na minha cabeça, e me fizeram acreditar, e que não devo dar ouvido a isso.

— Ei para de pensar demais, vamos levantar antes que a dona

flamingo rosa, invada seu quarto. Você precisa comer e eu também estou

faminto.

— Está bem, mas não comente nada sobre o pijama dela, você não

sabe do que ela e capaz para se vingar.

— Tudo bem, tudo bem não está mais aqui quem falou. Mas aquele é

o pijama mais feio que eu já vi.

— Eu também tenho um — digo rindo.

— Não acredito nisso! — fala ele horrorizado.

— Sim, mas o meu é do coala — falo rindo.

— Vamos para cozinha, vamos antes que eu te peça para ver — diz

rindo.

Chegamos na cozinha e encontramos Jessie, fazendo um lanche.

— Olha só, resolveram acordar —diz Jessie irônica.

— Para com a bobeira Jessie — falo.

Comemos jogando conversa fora e dando risada das palhaçadas da

Jessie.

E então começam os dois a encher meu saco sobre comer mais.

— Come mais um lanche Duda, hoje vai ser punk na boate, e não

vamos parar um minuto — diz Jessie.

— Isso gata, come mais alguma coisa, porque, pelos relatórios que o

Zack me manda essa é uma das melhores noites da Extreme. Você não vai ter

tempo de comer nada — fala Mason preocupado.

Acho até fofo essa preocupação dele comigo. Mas me irrita isso,

agora além da Jessie, terei mais um para pegar no meu pé.

— Muito obrigado Jessie — falo brava

— Nossa está bravinha Dudinha? Só porque estou preocupada com seu bem-estar? — diz a vaca da minha amiga.

— Você sabe muito bem do que estou falando anã — respondo.

— Não abusa Maria Eduarda, que a senhora está me devendo pelo

mico do pijama — responde Jessie.

Quando Jessie toca no assunto do pijama Mason, não aguenta e cai na

risada. Vai dar merda isso, minha amiga é diabólica.

— Está rindo do que chefinho? Dos caras da boate que irão dar em

cima da Dudinha? — diz a capeta em forma de gente.

Mason para de rir na hora, e lança um olhar puto da vida para Jessie.

— Não tem graça Baixinha! — diz Mason bravo.

Eu até pego uma maçã para comer, enquanto assisto o embate entre os

dois, e pelo visto quem vai ganhar é essa bruxa do setenta e um mirim.

— Ué cadê a risada Mason? Você esqueceu que a Duda trabalha em

uma boate? Exatamente na sua, e que a bicha é linda? — diz Jessie.

— Você não é engraçada Jessie, eu sei que ela trabalha na Extreme e

sei que ela é linda, e sei que vai ter um monte de homem que estarão lá, mas

eu também vou estar — responde Mason.

— Mason posso te fazer uma perguntinha inocente? — diz Jessie com

cara de santa.

— Sim! — pergunte.

— Você é ciumento? — pergunta Jessie, com cara de quem está

realmente curiosa.

— Nunca namorei, essa é minha primeira experiência, mas sou

ciumento sim e não gosto que mexam com o que é meu — responde ele.

Oi? Ele me considera sua namorada? Nossa senhora dos homens

possessivos, estou lascada.

— Então meu queridíssimo patrão, ô todo poderoso, eu vos digo que

estás fodido hoje — diz a encapetada da minha amiga.

— O que você quer dizer com isso? — pergunta Mason.

Jessie não responde, ela simplesmente lança aquele olhar diabólico e

sai andando.

— O que ela quis dizer com aquilo Duda? — pergunta ele.

— Não faço ideia Mason, mas me responde que história é essa de

namoro? —pergunto fazendo a egípcia e mudando de assunto.

Eu bem sei o que aquela vaca quis dizer. Hoje é a noite onde nós as

bar girls nos vestimos sensuais e fazemos a cena da tequila.

— Sei, finge que me engana, que eu faço que acredito, e respondendo

sua pergunta. Sim você é minha e pronto — responde Mason.

Prefiro não responder. Como diz o ditado, não se deve contrariar o

louco.

— Você vai ficar aqui até sairmos, ou vai nos encontrar lá?

— Por que eu acho que você está me expulsando? Mas deixa para lá,

eu vou em casa tomar um banho, me arrumar e mais tarde apareço por lá —

ele diz, me olhando desconfiado.

— Tudo bem então, vou te levar até a porta — falo já indo em direção

a porta.

Saio na frente dele, e ele me puxa até encostar minhas costas no seu

peito.

Ele vai andando agarrado assim, até a porta beijando meu pescoço.

Ele me vira e tasca um beijão, que me deixa com as pernas bambas.

O cara tem pegada, puta que pariu viu.

Ele vai descendo, beijando meu pescoço e dá uma mordida em minha

orelha.

— Mason — gemo seu nome.

— Não geme assim gatinha que eu enlouqueço — diz ele se

afastando.

— Você que começa e a culpa é minha? — digo rindo.

— Vou indo e mais tarde te encontro lá ok?

— Está bom então, vou ficar te esperando.

Ele me dá mais um beijo e vai embora.

Fecho a porta e vou para o quarto daquela demônia anã.

— Jessie sua vadia o que foi aquilo na cozinha? — pergunto para ela.

— O que Dudinha? Não fiz nada sou inocente — a anã mirim fala,

com cara de inocente.

— Ele saiu daqui com uma pulga atrás da orelha. E eu me esqueci que

hoje é a noite da tequila.

— Só quis tirar uma dúvida ué! Eu vou me divertir muito essa noite

— Jessie fala rindo.

— Eu sei que estou muito fodida hoje. Você viu Jess?

— Eu vi e adorei, era disso que você estava precisando. Você

precisava de um homem assim, para bagunçar esse seu mundinho chato! —

responde ela rindo.

— Eu vou me arrumar, já ligou para o Zack mandar o carro?

— Já sim gata, fica tranquila — diz ela rindo.

— Bem vou me arrumar — falo já saindo para o meu quarto.

Estou vendo que hoje a noite promete.

Chegamos à boate e entramos ao som de The Weekend e já chego

dançando amo as músicas dele.

Vejo Zack atrás do balcão do bar.

— Boa noite chefinho. — Comprimento Zack.

— Boa noite Gibizinha tudo bem? — pergunta Zack com um olhar

desconfiado.

— Tudo sim, você conferiu o estoque? — pergunto.

— Sim, já conferi sim Duda. E então alguma novidade? Alguém te

ligou hoje? — pergunta Zack.

Quero rir da curiosidade dele. Eu sei que foi ele quem deu meu

número para o Mason.

— Tipo quem? — pergunto querendo rir.

— Ah sua danadinha, você sabe muito bem de quem estou

perguntando —fala Zack rindo.

— Foi você quem deu meu número para ele né? — pergunto.

— Ele me ligou logo cedo, me acordou, todo macho alfa possessivo.

Nunca vi meu amigo todo interessado por alguém assim — diz ele.

— Tudo bem Zack, nós conversamos e ele foi lá em casa e tudo —

digo.

— Que bom, acho que tudo o que ele precisa na vida dele, é de uma

menina como você. Mas mudando de assunto cadê a Chaveirinho? —

pergunta Zack.

— Sei lá, entramos juntas e ela sumiu — falo preocupada porque sei

que ela vai aprontar.

— Bem, vou dar mais uma checada na casa e já iremos abrir — fala

Zack saindo.

Vou verificar tudo, para ver se está faltando alguma coisa. Sei que o

Zack já olhou tudo, mas sou chata sobre meu local de trabalho.

Arrumo tudo do meu jeito, confiro o gelo e as frutas.

Jessie chega para me ajudar, mas continua calada.

—O que você está aprontando Jess? — pergunto para minha amiga.

— Nada Duda, só estava batendo um papo com o DJ. você está

muito paranoica viu — diz ela disfarçando.

— Jess não apronta nada com o Mason, você viu que ele é ciumento?

— Pode deixar Duda, irei me comportar — diz Jessie.

— Por que eu não acredito em você? — pergunto a ela.

— Sei lá, eu já te coloquei em alguma furada? — pergunta a safada.

— Você quer mesmo que eu responda? — pergunto rindo

— Não precisa sua ingrata — diz ela.

A boate abre as portas, e aos poucos o povo vai entrando e se

espalhando alguns vão para a pista, outros pra área vip e outros veem ao bar.

Começamos a servir as bebidas, alguns clientes são conhecidos

aparecem e puxam assunto.

Hoje é noite da tequila é uma das noites mais movimentada da

semana. Nossas roupas são sexys, mas hoje em especial.

Escutamos muitas gracinhas, até mesmo alguns engraçadinhos que

tentam tirar uma casquinha, por isso um segurança fica no bar com a gente.

As horas vão passando e a boate vai ficando mais cheia.

A hora do show vai se aproximando, e a Jessie vai se empolgando

mais ainda.

De repente ela se vira para mim com um sorriso colgate e aponta o

dedo querendo me mostrar alguma coisa.

Eu me viro para olhar e meu coração bate mais forte.

Puta que pariu que homem gostoso gente. E esses braços todo tatuado.

É de molhar qualquer calcinha.

Ele vem andando em minha direção, todo lindo e com um sorriso

maravilhoso.

Eu estou literalmente babando.

— Oi gatinha sentiu saudades? — pergunta ele sentando-se em um

dos banquinhos disponíveis do bar.

— Acredita que não? — digo rindo.

— Nossa você me magoou agora — diz ele colocando a mão no peito.

Eu me inclino no balcão e digo em seu ouvido.

— Você sabe que sim seu bobo. Aliás, você está uma delícia com essa

regata — falo ao seu ouvido e aproveito e dou uma mordida em sua orelha.

— Você é uma tentação Maria Eduarda — fala ele rindo.

— O que você vai beber? — pergunto.

— Gostaria de um caubói — pede ele.

— É para já senhor caubói — respondo.

Estou rindo, mas estou preocupada. Eu ainda não tirei meu,

sobretudo. Ele faz parte do suspense da noite. Porra justo hoje, tem que ser

meu dia?

Quero só ver a reação dele quando me vir sem.

Sirvo o seu Uísque e vou pegar uma cerveja para o cliente.

Quando vou entregar vejo Zack e Drew se aproximando.

— Ei Mason que surpresa ver você aqui! — diz Zack debochando

dele.

— Porra de surpresa o que, agora você irá me ver sempre — diz

Mason abraçando Zack e Drew.

— Oi Gibizinha estou ansioso pelo show, já escolheu o sortudo — diz

Drew, se inclinado no balcão para me dar um beijo.

— Shiii fica quieto gay o Mason, não sabe do show — falo nervosa.

— Vixi, o que está acontecendo entre vocês dois? — pergunta Drew

curioso.

— Estamos nos conhecendo melhor.

— Hum... Sinto cheiro de pegação no ar — diz Drew rindo.

O maldito do DJ anuncia o show e eu me tremo toda.

Agora era a hora, espero que ele não surte.

Olho para ele e falo.

— Mason tenho que dar uma saída e já volto...

— Você vai aonde? — pergunta curioso.

— É rapidinho e já volto — digo.

Olho para Zack pedindo ajuda.

Ele entende o olhar, vira para o Mason e diz.

— Vamos até o escritório Mason, preciso te mostrar algumas coisas

— diz Zack.

— Claro — responde Mason.

Ele levanta e começa a seguir o Zack.

E o maldito filho da puta do DJ, anuncia o show me fodendo sem dó.

— E agora o momento que vocês esperavam nossa bargirl mais gata

de todas, que deixam os marmanjos babando por mais uma dose. Nossa gata

Duda —anuncia o DJ gritando meu nome no final.

Ele vira o holofote para mim, e coloca uma música do the wekeend

porque ele sabe que adoro.

Eu sem poder fugir, encaro o papel de mulher sensual e dominante.

Tiro meu sobretudo e quando olho para o lado vejo a demônia em

miniatura, dando aquele sorriso endiabrado.

Eu como uma mulher madura que sou, mostro o dedo para ela.

Faço minha pose e pulo no balcão.

A boate vai ao chão, com todo mundo gritando. Eles sempre fazem

isso, toda semana é a mesma bagunça, eles não se cansam.

Eu olho ao redor, escolhendo a presa da vez. Vejo os homens e até

mesmo mulheres se aproximando para participarem, quando sinto agarrarem

meu braço.

— Que porra é essa Maria Eduarda!!!?

Olho assustada para Mason, e ele está com cara de quem vai matar

um.