Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Apêndice

Páginas do PDF

Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Páginas iniciais

Chegamos à boate cinco minutos atrasadas, Zack só olhou de rabo de

olho e balançou a cabeça.

Corremos direto para o armário guardando as nossas coisas. Ainda

bem que já estamos de uniforme, calça de couro preta e um crooped preto

com o nome da boate Extreme em vermelho, optei pela bota de salto fino me

sinto sexy nelas. Eu tenho um fraco por salto alto, as botas são as minhas

favoritas, uma mulher com um jeans certo e uma bota de arrasar deixa

qualquer homem babando.

Corri para o meu posto atrás do balcão do bar, adoro o meu trabalho e

sou boa no que eu faço.

A casa ainda está fechada, então começo a fazer o inventário das

bebidas, o que tem e do que vou precisar.

Abasteço a pia de gelo, organizo as frutas em seus recipientes. Coloco

os petiscos espalhados pelo balcão, deixo copos e taças no lugar de fácil

acesso na hora da correria.

— Oi Gibizinha tudo ok? — pergunta Zack.

Desde que nos conhecemos há um ano, ele me chama assim. Diz ele que toda vez que me vê, tenho uma tatuagem nova.

Sou louca por tatuagem, quando fiz dezoito anos fiz minha primeira

tatuagem. Eu cobrir uma cicatriz que me fazia lembrar do pesadelo no qual

vivi.

— Tudo certo chefinho. E aí alguma novidade?

— Hoje teremos uma visita ilustríssima. O poderoso chefão disse que

irá aparecer hoje — Zack diz.

— Uau! Até que enfim hem, já trabalho aqui a 1 ano e nunca vi o todo

poderoso. Ou ele é rico pra caralho e não faz questão dessa lindeza ou ele é

velho demais e tem preguiça de sair de casa. Talvez ele goste de ficar em casa

tomando um chá e cuidando dos seus trinta gatos — falo e Zack cai na

gargalhada.

— Olá família. Chefinho hoje você está para o crime heim! — diz

Jessie cheia de pose.

— Olá anã de jardim tudo ok? — Zack pergunta, usando o apelido de

Jessie.

— Olha lá hein, anã de jardim já é demais. Mas beleza, eu que

provoquei. Está tudo ok chefinho lindo do meu core.

Não aguento e caio na risada. Essa minha amiga é doida de pedra.

— Jessie o Zack falou que hoje o todo poderoso vai dar o ar da graça

e eu estava falando que o velhote deve estar cuidando dos seus trinta gatos.

— Por que você acha que ele é velho Duda? — Zack pergunta

curioso.

— Se ele fosse jovem, bateria cartão aqui. Quem em sã consciência

deixaria de vir para a Extreme? A boate mais badalada de São Paulo.

—Porra sério isso chefinho? — Jessie pergunta espantada. — Duda

do céu você ainda não conhece ele né? Menina do céu... Ô homem bom da

porra, todo oso!!!

— Todo oso? Que merda é isso Jessie?

— Dudinha meu amor, você não sabe das coisas mesmo né! Todo oso

quer dizer todo gostoso, cheiroso, maravilhoso, delicioso. Ai só de pensar

nesse homem chega a me dá um calor — Jessie diz rindo

— Pura que pariu! Nunca vi sair tanta merda de uma boca, quanto da

sua anã! Você tem uma quedinha pelo chefe é? — Zack pergunta rindo de

Jessie.

— Que mané quedinha o que sai para lá. Só estou constatando o que

eu vi, o cara é uma delícia mesmo. Aquele ar de machão, todo tatuado do

jeitinho que você gosta Dudinha. E o sorriso?

— Chega de papinho e vamos ao trabalho que hoje noite promete —

diz Zack indo para o outro lado da boate.

O DJ, já soltou o som e a porta da boate é aberta, e o pessoal vai

entrando aos poucos e vem logo para o bar.

Me distraio servindo as bebidas, cerveja, uísque, margarita, tequila

entre outras bebidas. Nem sinto o tempo passar. Eu amo o que faço, converso

com muita gente legal, faço amizade. Esse emprego foi bom para eu poder

perder o medo de socializar e perder a timidez.

Jessie chegou para me ajudar, e vamos conversando e nos divertindo,

mas sempre tem aquele engraçadinho, que se acha o gostosão para enche o

saco. E hoje não seria diferente.

Mas Jessie com sua língua afiada trata de dar um jeito nisso.

— O babaca, você não entendeu ainda que ela não quer nada com

você? Toda vez é a mesma conversinha, ela é comprometida seu saco de

merda!!! — Jessie diz brava.

— Eu não vejo aliança nenhuma, e se fosse você prestava atenção no

que fala e para quem fala. Você sabe quem eu sou? — o rapaz diz, ficando

cara a cara com a Baixinha.

— E desde quando aliança quer dizer relacionamento? Se fosse assim,

ter um pinto entre as pernas iria te transformar em um homem, mas não é o

que eu estou vendo — Jessie diz debochada.

— Cala a boca vadia mirim!

Eu continuo servindo as bebidas, mas prestando atenção na conversa,

porque se esse cara engrossar vai levar uns tabefes. Já olhei para o Zack, que

está parada no final do balcão do bar. Ele balançou a cabeça como dizendo

que está de olho.

— Você é um filhinho de papai que tem mais dinheiro do que

cérebro. Vê se, se toca, e percebe que a mina não quer nada com você seu

playboy de merda. — Jessie retruca a ousadia do rapaz.

— Chega Jessie vamos trocar de lugar vai. — Espero ela sair e falo

para cara. — Desculpa, mas já avisei milhões de vezes que não estou a fim

de você, que sou comprometida, mas você continua insistindo e não vejo

outro jeito a não ser acionar os seguranças — falo calmamente

— Está se achando né garota? Se enxerga, eu tenho muito dinheiro e

posso ter a mulher que eu quiser. Estou te dando a chance de sair comigo,

quer melhor sorte que essa?

Isso me deixa furiosa! Esses filhinhos de papai acham, que só porque

tem dinheiro podem comprar as pessoas! O problema de gente assim, é que

eles têm mais dinheiro do que caráter.

— Escuta aqui se playboy de merda, pega o seu dinheiro e enfia no

seu rabo, porque nunca nem com todo dinheiro do mundo eu sairia com você.

Usa essa grana toda que você diz ter para se tornar um pouco mais educado,

não adianta nada ter dinheiro e não saber tratar as pessoas com respeito. Você

deve pegar mulher que são iguais a você, medíocres e sem caráter.

Vejo ele se inclinar no balcão, com a mão levantada para me bater, e

eu me encolho toda esperando pelo tapa, mas de repente ele some. E é quando olho e vejo um Deus grego, segurando o infeliz pela camisa e

arrastando ele para o canto do bar. O Deus grego está com um olhar

assassino, que chega a me arrepiar, de repente como se ele sentisse o meu

olhar nele, ele vira seu rosto e fico hipnotizada.

 

Hoje o dia promete.

Chego ao escritório e a primeira pessoa que vejo é minha secretaria

dona Beatriz.

— Bom dia Bea minha princesa.

Dona Beatriz, é uma senhora de 55 anos que trabalha comigo desde

que me formei. E quando abri meu escritório, ela veio trabalhar para mim, e

praticamente me adotou.

— Bom dia meu menino bajulador, daqui vinte minutos vou a sua

sala, passar a sua agenda e levar seu café.

— O que seria de mim sem você Bea? — pergunto.

— Se depender de mim, nunca saberá meu menino — ela diz

sorrindo.

Entro na minha sala ligo o computador abro as janelas, e dona Beatriz

entra com o meu café e a agenda.

— Hoje seu dia vai ser corrido menino. As nove e meia reunião com o

pessoal do shopping, para falar da reurbanização do pátio e a aprovação do

projeto. As onze horas, reunião com o arquiteto e o paisagista, para falar

sobre o problema que eles encontraram no projeto do novo condomínio. As

treze horas, reunião com Zack. As quatorze e quarenta, reunião com Oswaldo sobre assuntos diversos. E as dezesseis, vistoria na obra do Hospital.

— Meu Deus Bea, hoje o dia vai ser um inferno.

— Mason sua mãe ligou de novo, disse para você retornar à ligação

dela, ou ela irá vir aqui.

— Se ela ligar de novo, diga que estou em Miami

— Falei que você tinha viajado para Dubai, e que só retornaria no

final do mês. Valerie ligou também.

— Meu Deus já tem mais de um ano que terminamos será que essa

mulher nunca vai me deixar em paz?

— Menino essa daí é piradinha, menininha intragável essa.

— Vamos deixar essa mulher para lá Bea. Já avisa na recepção que a

entrada dessa louca está proibida. Não tenho paciência para drama, ainda

mais se esse drama vier dela.

O dia passou voando, quando me dei conta já era dez para uma.

Desliguei o computador, peguei minhas coisas e sai da sala para ir encontrar

Zack no restaurante aqui perto.

— Bea estou saindo, quer que eu mande entregar o almoço para você?

— Não precisa menino, já estou saindo vou almoçar com a Wal do

quinto andar.

— Tudo bem então, até mais tarde e qualquer coisa estou no celular.

Chego ao restaurante e Zack está chegando de moto.

— E aí brow. — Dou um braço nele. Faz tempo que não nos vemos,

as coisas andaram corridas para mim.

— E aí meu irmão como andam as coisas? — Zack pergunta.

Entramos no restaurante, e fazemos nossos pedidos e enquanto não

chega, colocamos o papo dia.

— E como andam as coisas na boate? — pergunto, pois faz um tempo

que não apareço por lá. Andaram acontecendo alguns problemas que me fizeram ficar afastado.

— De vento em polpa Mason, o pessoal é de confiança e as meninas

trabalham superbem. Quando é que o senhor vai dar o ar da graça na sua

boate hein? Faz mais de um ano que você não aparece, temos funcionários

que você nem conhece.

— Você sabe que foi corrido para mim, mas prometo que vou dar

mais atenção e te dar um descanso.

— Não é isso cara, você sabe que amo aquela boate. Estou falando

por você, que vive de casa para o escritório e não sai mais, nem para beber

com os amigos você aparece.

— Vamos fazer assim, hoje é sexta-feira, vou dar um pulo na boate.

Está bom assim?

— Porra cara ótimo, faz tempo que não curtimos nada juntos. Drew,

já estava de saco cheio de me ouvir reclamar de você. Ele estava quase indo

te tirar a força do escritório — diz Zack rindo.

Drew, é companheiro do meu amigo a quatro anos. Um cara super

gente boa, maluquinho, mas ama meu amigo. Nós nos damos superbem.

— Pede para ele passar lá, assim matamos a saudades.

— Pode deixar mano. Vou correr para adiantar as coisas, assim terei,

um tempo com meu irmão.

Volto pro escritório e termino tudo, adianto as coisas para segunda-

feira. Bea já foi para casa faz tempo, eu sou o único no escritório ainda, tenho

que perder essa mania de só trabalhar!

Chego ao meu apartamento, e como sempre o silêncio me recebe e

isso está começando a me incomodar. Vou direto para o meu quarto, tomar

um banho e ir para a boate.

Coloco uma calça jeans preta, tênis e uma camiseta branca um boné e

meu relógio. Pego meu celular e a carteira e saio rumo a Extreme.

Chegando lá vejo a fila imensa, passo por ela e vou direto para a

porta. Sid o segurança me reconhece, nos cumprimentamos e entro. Sou

invadido pelo som tocando olho ao redor e encontro Zack na ponta do balcão,

com a cara nada boa, sigo o seu olhar e vejo a barista discutindo com um

rapaz, e do nada vejo ele se inclinar no balcão e levanta a mão para bater

nela. Não sei o que me deu, mas o peguei pelo colarinho e olhei para ela, e o

que eu vi me deixou surpreso, ela estava encolhida, mas não vi medo e sim

raiva, muita raiva.

Sai puxando-o, e o entrego para o segurança. Mando tirar esse lixo da

minha boate, e proibi a entrada dele aqui. Quando estava voltando olhei para

o bar e paralisei, não conseguia piscar olhando para ela. Ela era linda! E que

boca meu Deus. Já a imaginei com um batom vermelho chupando meu pau. E

o cabelo? Preto brilhante cumprido a coisa mais linda. Imagens dela de joelho

me chupando, eu com os seus cabelos enrolados em minhas mãos, guiando

seus movimentos. A minha imaginação é tão boa, que sinto meu corpo reagir

a ela.

De repente ela acorda do transe, e desvia o olhar. Quando dou por

mim, ela está pulando o balcão e vindo em minha direção, eu cruzo os braços

e espero ela chegar, louco para receber os meus agradecimentos.

— Escuta aqui seu playboy, não pedi ajuda nenhuma, sei resolver os

meus problemas sozinha. Não sou como essas Barbies que você deve pegar,

que precisam de ajuda até para limpar a bunda — ela dispara.

Eu fico olhando para ela sem nada a dizer. Essa mulher só pode ser

louca, eu evitei daquele babaca bater nela! E ela vem toda nervosinha para

cima de mim? E não é que ela fica mais gostosa nervosa.