Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 23 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Quarenta e cinco dias no paraíso, dias maravilhosos, passamos a

conhecer muito um ao outro, ela me contou um pouco mais da sua infância

infeliz, e eu juro que se pudesse matar alguém por transmissão de

pensamento, Margô teria morrido feio viu. Ela falou sobre sua adolescência,

como foi viver livre de maus tratos, seu primeiro beijo (nem preciso dizer que

quero matar né), sua primeira vez (quero nome completo, RG, CPF e

endereço), contou as coisas que aprontava sendo cúmplice da Baixinha.

Nessa viagem, eu pude conhecer realmente quem é Maria Eduarda, e

confesso que a cada dia fico mais e mais apaixonado, ela é linda por fora, um

mulherão da porra, mas o que mais me deixou encantado, foi conhecer essa

mulher por dentro. Ela é simplesmente maravilhosa, ela é uma amiga leal,

uma filha torta (palavras dela) excelente, um ser humano ímpar, é doce,

ingênua, durona, valente, mas ao mesmo tempo dócil e medrosa.

Ela passou por tanta coisa na vida, que se fosse qualquer outra pessoa

teria desistido. Ela se considera fraca, mas eu já penso diferente, ela tem uma

força, uma garra que me deixa abismado, não entendo o porquê dela não

enxergar a mesma coisa que eu.

Ela é uma excelente cozinheira quando quer, ela é manhosa e

ciumenta ao extremo. Quando ela perguntou sobre mim, sobre a minha

infância e adolescência, não pensei que ela surtaria.

— Como foi sua primeira vez? — pergunta ela curiosa.

— Acho que foi normal, foi com uma menina da escola, depois

descobri que era por causa do sobrenome Black.

— Escola? Quantos anos você tinha?

— Foi no meu aniversário de quatorze anos, tudo aconteceu na casa

do Zack, ele e Pet tinham organizado uma festa surpresa e convidaram o

pessoal da classe.

— Quatorze anos? Quatorze anos? Meu Deus você já era safado com

Quatorze anos! NÃO ACREDITO NISSO!

Eu ri da revolta dela, para mim foi normal, a maioria dos meninos e

meninas da minha sala já transavam.

— Essa menina existe ainda? Não, não me conta! Conta, vai contar

sim, você ainda a vê tipo por aí? É lógico que não né, se passaram o que?

Quinze anos?

— Eu a vejo raramente, eu a via muito quando estava indo direto para

boate. Depois que me afastei nunca mais a vi.

— Na boate, na minha boate? Quer dizer na sua boate, na qual eu

trabalho? Meu cu, quem é ela? Eu conheço todas as vadias que frequentam lá,

qual é o nome dessa vadia?

Nunca vi minha princesa tão nervosa, eu só conseguia rir, e a cada vez

que ela me fuzilava com o olhar, eu gargalhava.

— Ri Mason, ri bastante, mas ri de a barriga doer. Quando eu voltar

para trabalhar, será eu a rir assim. — Eu paro de rir na hora.

— O que você quer dizer com isso?

— Nada ué, só não se esqueça que foi na boate que conheci a maioria dos caras com quem saí. Eu terei o prazer de mostrar cada um para você. —

Diz ela com uma risada diabólica.

— Meu pau que você vai! Eu te demito agora, a partir de hoje você

não trabalha mais na Extreme. Eu sou o dono daquela porra!

— Ui está nervosinho? Vai me mandar embora? Manda que eu quero

ver! Vou meter um processo em você, vou fazer um [1] chabu .

— Quem vai meter aqui sou eu, eu vou meter em você sua diaba, irmã

do capiroto, você quer me enlouquecer Maria Eduarda? Pois agora você vai

ver o nervosinho!

Assim passamos os nossos dias de descanso, uma hora era love, outra

hora era barraco, e as horas restantes eram transando. Ela me atacava, eu a

atacava, e assim aconteceram várias rodadas de sexo selvagem.

Teve cenas de ciúmes de ambas as partes, eu querendo bater em um

engraçadinho que cantou ela, e ela quase arrancou meu pau fora, só porque

ela achou que eu sorri para uma mulher, que assobiou para mim quando

estava me exercitando, mas eu não ouvi nada.

Mas não mudaria em nada, os dias que passamos aqui foram

maravilhosos, não tenho a mínima vontade de ir embora e pelo visto ela

também não.

Ela está deitada na rede, olhando para o nada com um sorriso nos

lábios.

— Ei princesa, que preguicinha você está.

— Mason temos que ir embora mesmo? Não quero ir, quero ficar e

morar aqui para sempre, aqui não tem problema, não tem estresse, não tem

Margô. É tudo tão perfeito.

— Infelizmente temos que ir, tem vários compromissos que consegui

adiar ao máximo, mas Bea já avisou que se eu não voltar até quinta-feira, ela

pedirá demissão.

— Eu sei amor, só estou brincando, vai que cola né. — Diz ela rindo.

Me deito ao seu lado na rede, e ela deita sua cabeça em meu peito.

— Você sabe que quando voltarmos tudo irá mudar, não é? Você terá

que ser muito mais precavida, mais vigilante, o perigo vai estar nos rodeando,

e temos que ficar espertos.

— Eu sei príncipe, eu seguirei tudo o que você e o Pet me mandarem

fazer. Eu não sou boba, sei que corro riscos com a Margô solta por aí, eu

prometo que serei cuidadosa, não quero colocar ninguém em risco por minha

causa.

— Eu aceito e entendo que você queira ser independente, que você

adora trabalhar, e isso me deixa muito orgulhoso, mas eu irei levá-la na boate

e ficarei lá até fechar. Por mim você nem pisava mais lá, mas não quero

arrumar briga com você.

— Mason, eu amo o que eu faço, ali eu me encontrei e te encontrei. A

boate sempre terá um lugar em meu coração, pois lá cresci muito

psicologicamente, mas não é o que eu quero fazer para o resto da vida, eu

tranquei a faculdade esse ano, mas quando tudo se ajeitar voltarei a estudar.

— Eu só quero te ver bem, não me imagino sem você, imagina se

acontece alguma coisa? Eu morro Duda, porque não vou querer estar em um

mundo onde você não faz parte.

E eu falo sério, só depois que a conheci, que descobrir o que é viver,

antes eu só existia, mesmo tendo amigos verdadeiros, me sentia sozinho,

infeliz. Uma vez eu li que um mundo sem amor é cinza, e realmente é a

verdade, meu mundo antes da Duda era cinza, só depois que a conheci pude

enxergar as cores. Bem meloso né, mas é a mais pura realidade.

— Eu jamais irei fazer uma coisa dessas, eu nunca fui tão feliz, como

estou sendo agora com você.

— Chega de falar de coisas tristes, vamos dar um mergulho? Ficar de bobeira na piscina, aproveitando nosso último dia nesse lugar maravilhoso?

— Vamos sim, vou só tomar um suco, você quer?

— Não gatinha, vou ficar te esperando aqui.

Eu fico olhando ela se afastar, e peço a Deus que nada lhe aconteça,

que tudo se resolva da melhor maneira possível, algo me diz que vai

acontecer alguma coisa, e isso está me enlouquecendo.

Mando uma mensagem para Patrick.

— E aí irmão, alguma novidade? Voltarei amanhã de manhã.

— Tudo na mesma — Patrick responde seco.

Ele nunca responde direto como agora, ele sempre pergunta como eu

estou, nem da "Gibizinha" ele perguntou

— Tudo bem aí? Você está estranho.

— Problemas — ele responde.

— Ok, se precisar de ajuda é só chamar.

— Problemas no trabalho irmão, tenho que fazer uma coisa, mas

não sei como — Patrick responde, ele ama o que faz, mas as vezes esse

trampo bate forte.

— Você é inteligente e safo, logo arruma um jeito de resolver

tudo. Você sempre poderá contar comigo.

— Valeu irmão, tenho que pensar bem. Tem muita coisa em jogo,

mas valeu mano, vem com cuidado na estrada, quando chegar me avisa.

— Ok, fica em paz.

Minha princesa vem em minha direção, só de biquíni. Visão da porra

essa, eu levanto e a pego no colo, e corro para a piscina.

— Mason me coloca no chão diabo! — ela grita batendo nas minhas

costas.

Eu nem repondo, e pulo dentro da piscina, com ela em meu ombro,

meus pés batem no fundo, e eu subo a superfície rindo.

— Seu louco! Não teve graça palhaço.

— Vem aqui minha onça brava, já te disse que você fica um tesão

quando está bravinha? — A teimosa não vem, e eu vou até ela e a abraço.

— Nem vem neném, isso lá é jeito de me jogar na piscina?

— Desculpa meu amorzinho, só quis fazer uma brincadeira, não

vamos brigar por bobeira vai, é nosso último dia aqui.

— Está bom, mas não faça mais isso. Você teve notícias dos meninos

ou da Jessie? Eu a chamo, mas ela não responde. Só sei que ela está bem,

porque falo todos os dias com a mamãe.

— Falei com Zack ontem, e as coisas estão bem, já Patrick está com

problemas na delegacia, acabei de falar com ele, a Baixinha, só me responde

com emotions.

— Amanhã quando eu chegar em casa, vou descobrir o que está

acontecendo.

Amanhã irá acontecer a briga do ano, vai ser épico. Ela pensa que vai

para o apartamento dela, mas suas coisas estão todas na minha casa, já estava

tudo combinado com a Baixinha, minha princesa vai fazer o maior barraco,

mas o problema é dela, não irei ficar longe dela, ou ela aceita ou ela aceita,

não tem como negociar.

Passamos a tarde toda namorando, curtindo um ao outro, ela está mais

grudada em mim, do que nos outros dias, de ontem para hoje, ela não

conseguiu dormir direito, estava inquieta, se mexia demais, se levantou várias

vezes ou era para ir ao banheiro, ou era para beber água, e com isso eu fiquei

a noite inteira acordado.

— Mason eu estou com fome, e é a sua vez de cozinhar. —Pede ela

deitada na cadeira do deque.

— Que tal um churrasco?

— Adoro, gosto da minha carne mal passada — diz ela rindo.

Se tem uma coisa que a minha princesa gosta, é de comer, só tenho

que ensiná-la a comer melhor, ela gosta de muita porcaria, salada nem pensar.

Esse corpo gostoso que ela tem é obra divina, mas nem é por estética que eu

falo, é mais pelo lado da saúde como colesterol e diabetes, ela é uma formiga

para doces, se não tem na dispensa ela inventa, até leite condensado cozido

ela fez.

— Então churrasco será, mas você lava a salada. — Ela faz uma

careta e eu dou risada.

—Tá, tá, tá, que chato você hein!

Eu entro em casa, e vou direto para a cozinha, separo tudo o que irei

precisar para fazer o churrasco, e vou acender a churrasqueira.

Mexo com a minha princesa, que ainda está deitada no deque, e ela

me manda um beijo.

Depois de tudo pronto, nos sentamos para comer. Duda devora tudo

menos a salada, o que essa mulher tem contra a comer de forma saudável?

— Amor, vamos dar uma volta hoje à noite? Sei lá, um barzinho ou

até mesmo o quiosque, lá sempre tem música ao vivo.

— Tudo o que você quiser minha princesa, só não podemos voltar

tarde, amanhã iremos sair cedo.

— Perfeito, voltamos cedo então!

Acabamos dormindo o restante da tarde, no comecinho da noite ela

vai se arrumar, e eu fico esperando, ainda bem que ela não demora muito,

mas quando aparece, não está menos que perfeita.

— Você quer me dar um infarto antes dos 40?

— Deixa de ser dramático Mason! Está calor, por acaso quer que eu

use uma burca?

— Você ficaria linda de burca princesa, imagina você só com esses

olhos lindos aparecendo?

— Aí você acordou e caiu da cama gatinho — diz ela rindo

Eu subo para trocar de camisa, realmente está abafado hoje, coloco

uma regata, um boné, e desço para encontrar com a minha gatinha.

— Nossa precisa ir com esses braços de fora, mostrando os músculos

e essas tatuagens? Melhor você trocar de camisa, essa não combinou — diz

ela séria.

— Hahaha engraçadinha, vamos minha princesa.

E assim passamos nossa última noite, sentados no barzinho, ouvindo

uma música gostosa, namorando como um casal de adolescente. Quando

chegamos em casa, o clima mudou de calmo amorzinho, para pegação total,

somos dois desequilibrados, dois loucos que não podem ficar sozinhos.

Tudo se torna selvagem, tudo tão intenso, ficamos tão focados um no

outro. Sexo é bom é gostoso, mas experimente fazer com quem você ama, é

inexplicável, nós temos uma química que é difícil descrever, basta nos

tocarmos que tudo se acende.

Quem liga se temos que acordar cedo? Passamos a noite nos amando

intensamente com loucura.

 

Os melhores dias da minha vida chegaram ao fim, estamos a caminho

de casa, de volta a rotina, não tão rotina assim, já que não voltarei a

faculdade.

Sinto uma coisa estranha, uma sensação ruim de que tudo irá

desmoronar a qualquer momento, um aperto no peito, que de vez em quando

tenho vontade de chorar.

Mas não um choro qualquer, mas sim um choro compulsivo, choro de

dor. É assim que eu me sinto, dói pensar que alguma coisa vai acontecer e

acabar com essa paz que estou sentindo.

— Ei princesa, por que essa carinha triste?

— Só estou triste por ter que voltarmos. — Na realidade não é

mentira, passamos dias maravilhosos naquela casa, por mim nunca mais

sairia de lá.

— Voltaremos mais vezes eu prometo.

— Mason hoje quero ficar em casa com a Jess, estou com saudades

dela e quero saber porque ela está estranha.

Jessie nunca fica calada, é estranho esse sumiço dela, estou

preocupada com a minha irmã, será que aconteceu alguma coisa entre ela e o

Olaf, quer dizer Patrick?

— Vamos para casa, e lá você liga para ela vir nos encontrar, ou mais

tarde te levo lá — Mason diz sério.

— Não dormirei na sua casa Mason, vou dormir na minha cama, e se

você quiser será bem recebido também.

Ele não responde, só me olha de rabo de olho, a cada minuto que nos

aproximamos da sua casa, seu semblante fica mais carregado.

Ele estaciona o carro direto na garagem, parece que quando eu for

embora terei que chamar um Uber. Eu não falo nada, não quero discutir e

acho que é isso que ele quer.

Entramos em casa, ele deixa a chave no balcão da cozinha e sobe para

o quarto, eu vou tomar uma água, aproveito e mando uma mensagem para

Jessie.

— Ei Chaveirinho já cheguei, prepara o pijama que a noite é nossa.

Em menos de um minuto ela me responde.

— Ok, em vinte minutos chego aí — ela responde, mas chegar aonde?

Tiro minha blusa, e fico de sutiã está um calor danado, vou atrás do

meu príncipe bicudo, e o que vejo me deixa completamente sem palavras.

Várias e várias caixas de papelão empilhadas no corredor ao lado da porta do quarto do Mason, e quando entro no quarto mais e mais caixas.

— Mason, o que são todas essas caixas? Está de mudança? —

pergunto, porque as caixas estão marcadas com o que tem dentro.

— Eu não, mas você está — ele diz sério me olhando da cama.

— O QUÊ? MASON BLACK, VOCÊ NÃO SERIA CAPAZ DE

FAZER O QUE EU ESTOU PENSANDO! SERIA? — Eu não estou

acreditando que ele fez isso, nós já tínhamos conversado, já estava resolvido.

— Não só sou capaz, como fiz. Eu te avisei que você iria vir morar

comigo Duda, não adianta fazer show, barraco, berrar e esbravejar, aceita que

dói menos, você irar morar comigo e ponto final!

— VOCÊ NÃO ME DEU ESCOLHA, VOCÊ SAIU

ATROPELANDO TUDO. SÓ A VONTADE DO TODO PODEROSO É

QUE CONTA, E FODA-SE O RESTO!

— JÁ QUE QUER GRITAR, ENTÃO VAMOS LÁ PORRA! VOCÊ

É MINHA, E EU CUIDO DO QUE É MEU, NÃO IRIA CONSEGUIR

DORMIR SOSSEGADO ESTANDO PREOCUPADO COM VOCÊ DIABA,

PÕE UMA COISA NA SUA CABEÇA MARIA EDUARDA, VOCÊ

CORRE RISCOS. AQUELE PRÉDIO NÃO TEM SEGURANÇA

NENHUMA! — ele grita bravo, acho que nunca o vi assim.

— MAS ISSO QUEM TEM QUE DECIDIR SOU EU MASON,

VOCÊ NÃO PODE TOMAR DECISÕES POR MIM. EU SEI QUE CORRO

RISCOS, ATÉ PORQUE VOCÊ NÃO ME DEIXA ESQUECER. MAS

VOCÊ PODERIA MUITO BEM TER CONVERSADO COMIGO, ME

EXPLICADO SEU PONTO DE VISTA, MAS NÃO! VOCÊ QUER TUDO

DO SEU JEITO, NÃO SE IMPORTANDO POR CIMA DE QUEM VOCÊ

PASSA. — Nesse ponto já estou chorando, eles me tratam como se eu fosse

de porcelana, e isso cansa. Como poderei me tornar corajosa, se ninguém me

deixa lutar as minhas próprias batalhas.

Eu cansei disso, não adianta discutir, eu nunca serei ouvida, posso

gritar aos quatros ventos, que minha voz e minhas vontades nunca serão

ouvidas. Tem uma hora que cansa, e eu cansei de ser protegida, cansei de ser

a ratinha medrosa CANSEI!

— Eu quero que você apenas entenda que eu amo você, e se acontecer

alguma coisa com você nunca irei me perdoar, você se tornou o ar que eu

respiro, e se para te manter a salvo eu tenha que passar por cima de você, eu

não pensarei duas vezes Duda — ele diz sério.

E eu sei que é verdade, e saber disso me dói mais do que as surras que

eu levava. Você pode achar que estou sendo dramática, pode até ter um ponto

de verdade nisso, mas para uma pessoa que nunca teve o privilégio de ser

independente, de ter a voz ativa é foda, eu sempre me escondi, sempre tive

medo até da minha própria sombra, mas eu cansei de ser assim, eu mais que

ninguém, quero que a Margô pague por tudo o que ela me fez, por isso quero

lutar as minha batalhas, não quero mais ser a "ratinha" que ela tanto dizia que

eu era, mas como posso provar isso até para mim mesma, quando as pessoas

que eu amo não acreditam e não me impulsionam?

— Cansei Mason, realmente cansei, se era isso que você, meus pais e

até mesmo a Jessie queriam conseguiram, não irei discutir mais, cansei de

falar com as paredes. É aqui na sua casa que você me quer? Então é aqui que

você me terá.

— Princesa...

— Quero ficar sozinha Mason — peço.

Me sinto completamente vazia, uma tristeza profunda, é tão difícil,

quando você quer falar, ser ouvida, mas não consegue. Te dá uma sensação

de incapacidade tão grande.

É isso que estou me sentindo, INCAPAZ.

Saio do seu quarto e olho para as caixas que contém todas as minhas coisas, não é que não ame o Mason, eu o amo com uma loucura sem fim, mas

ele quer tudo para ontem e tudo do jeito dele, ele não me ouviu quando pedi

para irmos devagar, ele não conversou comigo e colocou as cartas na mesa,

se ele tivesse me explicado o seu ponto de vista, se ele tivesse me falado

sobre a sua preocupação, eu entenderia, mas ele me excluiu de tudo, só

tomou a decisão e pronto.

Mason é um príncipe, todo educado, gentil, carinhoso, honesto, dono

de um caráter sem igual, mas um relacionamento é parceria, é um ouvindo o

outro. Pode ser que ele esteja agindo assim por toda a situação, posso estar

fazendo tempestade em um copo d'água, mas não deixa de magoar menos.

Pego minhas caixas, e levo para o quarto de hóspede uma por uma, ele não

vem atrás de mim, e isso me dá certo alívio, porque quero ficar sozinha.

Me tranco no quarto com as minhas coisas, mas não sinto ânimo

nenhum de abri-las. Deito na cama e deixo as lágrimas caírem livres, quero

que toda essa angústia que está dentro de mim saia, eu sabia que alguma

coisa iria acontecer, sei que não será só isso, vai vim coisa pesada pela frente,

pode chamar de sexto sentido.

Acabo dormindo e acordo com alguém batendo na porta, mas não

quero falar com ninguém nem mesmo com a Jessie.

— Bonequinha sou eu, abre a porta, por favor! Deixa eu ficar aí com

você, eu fico quietinha não irei falar um pio. Só me deixa entrar — Jessie

pede, mas não quero ver e nem falar com ninguém.

Ela insiste mais algumas vezes, mas como não recebe nenhuma

resposta ela desiste, meia hora depois foi à vez do Mason.

— Princesa abre a porta, por favor, não precisa falar comigo, só quero

saber se você está bem, manda uma mensagem pelo menos, não gosto disso

Duda, não gosto que se afaste de mim, não gosto de te ver trancada. Não

desconte na Baixinha, ela só quis me ajudar.

Não quero ouvir nada, não quero ver ninguém. Só quero ficar sozinha

será que eles não entendem?

— MARIA EDUARDA GARCÍA OU VOCÊ ABRE ESSE

CARALHO, OU EU ESTOU INDO LIGAR PARA A MAMÃE! ELA VAI

TE DAR UMAS PORRADAS, E O PAPAI VAI TE POR DE CASTIGO!

MENTIRA BONEQUINHA, ELES SÃO DOIS MOLENGAS QUANDO SE

TRATA DE VOCÊ, MAS EU ESTOU INDO LIGAR PARA ELES

AGORA! EU ESTOU LIGANDO E A SUA ÚLTIMA CHANCE — Jessie

grita batendo na porta, mas não tenho vontade alguma de responder.

Me sinto cansada, fecho os olhos e me entrego à paz do sono.

Dormindo eu não sinto nada, não sinto dor, não sinto a decepção, não sinto

nada.

É isso o que sou no momento, NADA.