Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 31 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Finalmente chegamos em casa, meu pai vem…

Finalmente chegamos em casa, meu pai vem ajudar Mason a tirar as

coisas do carro.

Ele está me tratando como se eu fosse um bebê, me leva no colo para

sala e me coloca sentada no sofá.

— Mason, eu posso andar sabia?

— Eu sei disso princesa, mas passei tempo demais sem você em meus

braços. — Tem como não amar um homem desses?

Minha mãe vem me dar um abraço, e diz que todos ficaram

preocupados comigo, que de longe, esse foi um dos maiores sustos que eles

levaram.

— Ficamos tão preocupados filha, nunca tínhamos visto uma crise tão

forte como essa. Foi um inferno esses seis dias, mas agora tudo já passou, e é

só pensar na sua recuperação. O que o médico receitou? — minha mãe

pergunta.

— O Mason já passou na farmácia mamãe, ele me deu uma bronca

por ter abandonado a terapia e relaxado nos remédios. Disse que essa crise,

poderia sim ter sido evitada, mas que sou muito teimosa.

— Uma coisa ele acertou, você é muito teimosa filha. Não pode se descuidar assim, uma hora você pode ter uma crise como essa e não ter

ninguém para te socorrer, como quase aconteceu, se não fosse a Jessie

arrombar a porta sabe-se lá Deus o que teria acontecido, mas vamos mudar de

assunto, você está com fome? — minha mãe fala, e eu sei que ela está coberta

de razão.

— Me sinto um pouco enjoada, e minha cabeça está pesada, mas

estou sim com um pouquinho de fome, e com sede.

— A sopa que você gosta, está quase pronta e seu pai preparou um

suco de laranja com acerola, vou pegar para você — mamãe fala se

levantando para ir buscar.

Jessie que também está na sala, mas se manteve calada e fica me

olhando.

— O que foi Jessie?

— Eu sei que você está mentindo, sei que está tentando esconder ou

proteger alguém. Vou te dar alguns dias para esfriar a cabeça e se recuperar,

mas não pense você que irá fugir para sempre — Jessie fala seria.

— Não estou escondendo nada Jess, você que colocou isso na sua

cabeça dura. — Tento disfarçar.

— Não se esqueça minha cara, que eu sou a única que te conhece, sou

a única que te conhece realmente, e sei quando está mentindo Duda. Nós

nunca tivemos segredos entre a gente, e não iremos começar agora, então

você pode fugir agora, mas não se esqueça que sou muito persistente quando

quero alguma coisa — ela fala, e eu sei que ela não me deixara em paz, até

descobrir o que escondo.

— Conseguiu falar com o Olaf? — pergunto, tentando mudar de

assunto.

— Esse é outro, mas não consegui falar com ele, já procurei em tudo

o que é lugar e nada dele, Mason irá até a casa da tia dele, já está começando a preocupar esse sumiço dele. Mas isso é assunto para outro dia, pensar nele

só me faz ficar com raiva.

Mason e meu pai entram na sala, e meu pai vem para o meu lado e se

senta me puxando para o seu colo, vocês não têm noção de quanto eu preciso

disso, dessa aproximação, desse carinho que eles têm comigo. Me sinto uma

criança novamente, mas só que dessa vez, rodeada de amor e de carinho

como sempre deveria ter sido.

— Que susto em Bonequinha! Ficamos muito preocupados com você

— meu pai diz em meu ouvido.

— Desculpa papai, eu sempre consigo esse feito em vocês. Gostaria

de ser diferente, eu juro que queria. Não gosto de deixar vocês preocupados,

me sinto tão mal por isso.

— Não precisa se desculpar princesa, nós amamos você e sempre

iremos nos preocupar, até mesmo quando você tiver velhinha e toda

rabiscada, ainda sim irei me preocupar. Não importa como você veio parar

em nossas vidas Duda, você é nossa filha e te amamos tanto quanto amamos

a Jessie — meu pai diz emocionado.

Deito minha cabeça em seu ombro, e deixo minhas lagrimas caírem.

Fico assim quietinha, só escutando a conversa entre eles, acabo pegando no

sono e sinto meu corpo ser erguido, abro os olhos e vejo que é Mason.

— Continua a dormir meu amor, só estou te levando para o quarto —

ele diz beijando minha testa.

Me aconchego melhor em seus braços, deito minha cabeça em seu

ombro. Quando chegamos ao quarto, ele me deita suavemente na cama e

quando vai se levantar eu o seguro em meus braços.

— Não vá! — peço não querendo ficar sozinha.

— Eu não vou há lugar nenhum amor, só vou fechar as cortinas — ele

fala indo na direção das janelas e fechando as cortinas.

O quarto fica escuro, e sinto seu corpo se deitar ao lado do meu.

— Pronto princesa, agora vem aqui que quero te abraçar um pouco

mais. Senti tanta falta de ficar assim com você — ele fala baixinho, e sinto

uma imensa vontade de chorar.

— Eu não mereço você sabia?

— Por que não? Todos nós merecemos ser felizes, e a minha

felicidade eu encontrei em você, então pare de dizer essas coisas princesa,

você está com fome?

—Não, só sinto minha cabeça doer um pouco, mas acho que depois

de dormir um pouco, estarei melhor.

— Então dorme meu amor, assim que a sopa estiver pronta eu irei te

acordar, depois você tomara o remédio que o médico receitou.

— Não quero tomar Mason, esses remédios me deixam um caco.

— Você irá tomar sim, é para o seu bem. Não quero ter que te levar

ao hospital novamente, então você será uma boa menina e os tomara sem

reclamar.

— Você está falando, como se eu fosse uma criança — falo rindo de

sua atitude.

— Você é o meu bebê!!! — ele diz rindo.

—Pensando bem, eu sou um bebê mesmo, já que mamo até hoje. —

Falo rindo.

— Menina assanhada, isso é coisa a se dizer? Você não estava com

sono? Vamos dormi meu amorzinho.

Eu consigo rir dele, mesmo estando toda fodida por dentro.

Mason é a minha fonte de felicidade, e farei de tudo para protegê-lo.

— Eu te amo Mason.

— Eu também te amo muito Princesa.

E com essas palavras na mente, adormeço feliz.

Dinheiro nenhum paga, esse momento. Poder senti-la em meus braços, sentir sua respiração em meu rosto, sentir o calor do seu corpo ao meu.

 

Durante esses seis dias que ela esteve no hospital, eu quase não dormir. Estou mais do que cansado, estou esgotado, mas não consigo pegar no sono agora, tudo o que consigo fazer é ficar velando seu sono, sentir as batidas do seu coração junto ao meu.

Ela está com a aparência abatida, mesmo tendo ficado dormindo esses seis dias, embaixo dos seus olhos tem olheiras profundas, sua pele pálida dando a aparência de doente nela. Já estou aqui a mais ou menos uma hora, então resolvo levantar e tomar um banho.

Entro de roupa e tudo embaixo do chuveiro, querendo lavar todo o desespero que senti nesses últimos dias. Me dispo e deixo a água quente bater em minhas costas, para ver se consigo relaxar um pouco.

Foram dias turbulentos, cheios de incertezas e desespero. Não consigo parar de pensar, no que deve ter acontecido entre Duda e Patrick, a conversa entre eles deve ter sido muito difícil, e deve ser um assunto muito grave, para ter chegado ao ponto a minha mulher ter tido essa crise tão forte.

Patrick sumiu no mundo, ninguém consegue falar com ele. Minha última esperança é que a tia dele saiba do seu paradeiro e me diga aonde posso achá-lo. Não consigo imaginar, que meu amigo de tantos anos possa estar armando contra a mulher que eu amo, para mim, tem muita coisa por trás disso, e eu irei descobrir.

Mas hoje não quero pensar mais nisso, quero aproveitar que a minha princesa está em casa, quero cuidar dela.

Resolvo encher a banheira, preciso relaxar a mente, mas o corpo também. Ficar naquela cadeira de hospital me matou, mas não faria de outro jeito, mas agora ela está em casa, e me sinto bem mais tranquilo. Pensar nela me faz sorrir.

Ela parece uma menininha cheia de manhas que tudo faz bico, fala com a voz manhosa e Andrey bem gosta de ver ela assim. Canso de ficar na banheira, e saio, me seco e vou para o quarto me trocar.

Olho para a cama e vejo minha princesa dormindo um sono solto e tranquilo. Me troco e vou ver o restante do pessoal, quando chego na sala, Jessie esta deitada no chão e Andrey no sofá lendo uns papeis, vou até a cozinha e vejo Lia mexendo nas panelas.

— Oi sogrinha!

— Oi meu genro lindo de fitness, cadê a sua princesa? — minha sogra pergunta.

— Está dormindo, disse que a cabeça estava doendo, mas não quis tomar nenhum remédio.

— Ela se transforma em criança depois de uma crise, você terá que ter toda a paciência do mundo esses dias. Ela fica irritadiça, chorona, carente. Só Deus sabe o que passamos quando ela era mais nova, quem gostava quando ela ficava assim era o Andrey. Porque ela abaixava a guarda, e deixava a gente se aproximar também, ele mimava tanto ela, que às vezes queria bater nele, era manha para comer, era manha para tomar os remédios e ele fazendo as vontades dela, o próprio médico brigou com ele, por ela não estar tomando a medicação, ai foi onde ele começou a ser um pouquinho mais rígido com ela.

— Percebi isso quando ela teve a primeira crise, e hoje novamente. O médico me chamou e disse que é perfeitamente normal essa atitude, disse que é o subconsciente dela mostrando que agora ela tem quem cuide dela, a própria mente faz isso, hoje ela tem vocês e a mim para paparicá-la, ela sabe que estaremos ao lado dela. Eu até acho meio que engraçado isso, Andrey já trata as meninas como bebês, agora então!

— Você não viu nada querido, terá dias que você vai querer expulsar ele da sua casa. Ele tem a mania de querer fazer todas as vontades dela, e a desculpa que ele usa é que ela nunca teve isso, ela nunca teve essa atenção. Só que isso acaba prejudicando, ela tem que tomar a medicação na hora certa, ela tem sim, que ir as consultas. Muitas das vezes, tive que ser a bruxa da história, mas era para o bem ela, mas isso dura só alguns dias.

— Eu até entendo isso Lia, ela foi maltratada por quem deveria cuidar e amar, não teve uma infância boa, então depois de uma crise ela projeta na mente dela a infância, o que ela queria que acontecesse. É meio louco eu sei, mas também é compreensivo suas atitudes, o médico me avisou tudo isso, e eu vou procurar e ler isso na internet. Isso não tem nada a ver com a depressão ou a TAG, mas sim tem a ver com os traumas que ela teve com a infância fodida.

— Nós sabemos disso meu amor, e quero que saiba que seremos eternamente gratos por você está ao lado dela, sabemos que muitas vezes não é fácil isso, mas como dizia minha mãe, nada que é fácil é prazeroso. As coisas boas da vida Mason, dão trabalho e pode ter certeza que todo trabalho que você está tendo com ela será recompensador.

— Eu sei sogrinha, para mim já está sendo pois ganhei vocês de presente — falo sorrindo.

— Quando eu penso que você já extrapolou toda a sua fofura, você vem e me solta essa! O presente é nosso também me querido, nunca vi minha bebê tão feliz como a Duda está, isso é tudo o que uma mãe poderia querer — Lia diz me abraçando.

— Mais que merda é essa aqui? — Sogrão na área.

— Isso? Sou eu abraçando minha sogrinha linda.

— Moleque, me respeite e tira as mãos da minha mulher. Cadê a minha filha para ver uma pouca vergonha dessas? E você mulher infame? Se dando ao desfrute depois de velha? — Andrey fala, ele deveria ter seguido carreira e ator.

— Me dando ao desfrute? Em que século você está? Já te falei para parar e ler meus romances históricos Andrey, você está cada dia mais esquisito — Lia diz rindo.

— Agora é sério como está a minha menina Mason?

— Ela está dormindo sogrão, daqui apouco irei acordá-la para comer e tomar o remédio.

Ela ainda está meio grogue por conta de toda medicação, e está sendo contra a voltar a tomar os remédios.

— Boa sorte com isso, sei por experiência própria que vai ser uma luta fazê-la tomar — Andrey fala rindo.

— Não tem outro jeito Andrey, o médico foi categórico sobre isso. Então ou ela toma ou ela toma, comigo não tem outra opção.

— Ele não é você querido, que basta um olhar de cachorro caído da mudança para te amolecer — minha sogra diz rindo.

— O que posso fazer? Aqueles olhos são muito convincentes!! — Andrey se justifica.

— Bananão!!!

— Lia será que você poderia servir um pouco de sopa? Vou acordá-la para comer e tomar os remédios.

— Sirvo sim meu amor, o Andrey preparou um suco natural para ela, vou colocar em um copo, para ela tomar também.

Vou para a sala, enquanto a Lia serve a sopa para a Duda. Vejo Jessie deitada no chão, com o olhar perdido.

— Ei Baixinha!

— Fala cunhadinho. Como está a pequena mentirosa?

— Ela está dormindo, mas vou acordá-la para comer alguma coisa. Alguma notícia do Pet?

— Nada ainda, Drew está de olho no apartamento dele, caso ele apareça ele irá me ligar.

— Então que tal desfazer essa cara? Nós vamos descobrir tudo Baixinha, vamos esperar que ele apareça. Amanhã nós iremos à casa da tia dele, ela deve saber onde ele está se escondendo.

— Isso está me comendo viva Mason, ele some, a Duda entra em crise e depois mente na cara dura. Nunca pensei que um dia isso iria acontecer, eu esperava e qualquer um, menos dela.

— Não vamos tirar conclusões precipitadas Jessie, se ele está tentando esconder alguma coisa, é porque deve ser importante. Vamos dar tempo ao tempo.

— Vou fazer do seu jeito, mas se não der certo? Irei fazer do meu e não aceito reclamação!

— Ok Baixinha! Agora vou lá acordar ela para comer.

— Faz com que ela coma mesmo, e tente tirar ela do quarto um pouco, se não ela ficará enfurnada lá dentro para sempre.

— Pode deixar Baixinha, já, já eu descerei com ela.

Passo na cozinha e pego a bandeja que minha sogra preparou, e vou para o quarto acordar a minha princesa, deixo a bandeja ao lado da cama, e subo para acordá-la, beijo seu pescoço, seus olhos, beijo sua boca e ela sorri.

— Vamos acordar meu amor? Sua mãe fez uma sopa maravilhosa, até eu irei tomar um pouco.

— Não quero acordar e não quero comer — ela diz, com os olhos fechados.

— Vai sim senhora, porque tem que tomar o remédio, nem adianta fazer drama, porque não sou o bananão do sogrão!

— Você é um chato! E o meu paizinho não é banana Mason!

—É sim, sua mãe quem falou, agora se levanta preguiçosa — peço e ela obedece prontamente.

Se senta e escora na cabeceira da cama, eu coloco a bandeja em seu colo, ela inspira o cheiro da sopa, fazendo um som de apreciação, come com tanto gosto, que é até gostoso de assistir, pensei que seria mais difícil de fazê-la comer, mas pelo visto a tal sopa é milagrosa.

Ela toma tudo, e quando termina sorri, entrego o copo de suco para ela, e espero alguns minutos para dar os remédios.

— Quer mais amor?

— Mais tarde talvez, agora estou satisfeita. E você não vai comer não?

— Mais tarde talvez, agora só quero dormir um pouco — eu falo me levantando e indo até a sacola da farmácia para pegar seu comprimido, encho um copo com água e entrego para ela que sem reclamar toma.

Deixo o copo no criado mudo e me deito ao lado dela. Ela se aconchega em meus braços e me dá um beijo no rosto.

— Eu amo você Mason.

— Eu também amo você, minha princesa — falo sentindo o cansaço bater e me entrego ao sono com ela em meus braços em segurança.