Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 8 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Entro em seu apartamento querendo cair na risada.

O pai da Duda está me olhando, como se quisesse me matar. As

meninas contaram que ele era ciumento, mas pensei que era brincadeira.

E quando a diaba da Baixinha fala sobre eu chamar a Duda de minha

princesa? Pensei que o homem iria pular no meu pescoço.

Agora eu sei de quem a Baixinha puxou a loucura, sério a mãe é

maluquinha igual à filha, isso é superengraçado.

A mãe doidinha e o pai possessivo. Fico imaginando quando eles

eram mais novos.

Quando beijo sua mão, o seu Andrey só falta querer me engolir. Eu

sou muito educado e lógico que trataria minha sogra como uma verdadeira

dama, tenho que conquistar a sogra né, já que o sogrão está querendo me

matar.

Quando ele diz para dona Lia me acompanhar até a porta, vejo a

minha princesa ficar com o corpo tenso e ela tenta falar, mas as palavras

saem cortadas e ela começa a ficar nervosa.

Sem pensar em nada a não ser nela, esqueço todo mundo e vou abraçar e acalmar a minha mulher. A abraço e digo que não vou a lugar

nenhum, e peço para ela se acalmar e respirar devagar.

Nem reparo nos olhares que eles dão entre si, minha preocupação e

nada além dela.

Dona Lia tenta mudar a atmosfera da sala, fazendo um drama básico.

Essa família é muito doida.

Vamos comer, e insisto para Duda terminar de tomar a sopa. O

médico foi categórico sobre a alimentação dela, porque os remédios são

fortes e ela sempre tem que estar de estomago cheio, para que o remédio não

agrida o mesmo.

Quando ela não quis mais comer, dizendo que estava cansada e que

iria tomar um banho e descansar, eu me levantei junto com ela.

O sogrão se revoltou, mas expliquei para ele que só iria acompanhá-la

até o quarto, pois ela ainda estava sobre o efeito dos remédios.

Vou com ela até o quarto, me sento na cama, e fico observando-a

procurar uma roupa para dormir.

Ela caminha até mim e se senta em meu colo, parecendo uma

menininha querendo proteção. Faço um carinho em seus cabelos e ela

esconde seu rosto em meu pescoço.

Essa mulher tem alguma coisa que desperta meu lado protetor. Quero

cuidar dela e não deixar nada, nem ninguém a machucar. E é isso que irei

fazer, logo descobrirei tudo o que aconteceu com ela, mas primeiro quero que

ela descanse para depois conversarmos.

Quando Jessie entra no quarto para fazer companhia a ela no

banheiro. Porque Deus me livre, se eu entrar nesse banheiro com ela, o pai

dela me escalpela vivo.

Saio do quarto e vou em direção a sala, os pais das meninas estão

sentados na cozinha, então aproveito e ligo para Zack.

— E aí irmão, tudo certo? A Duda está bem? — pergunta Zack

— Está tudo certo Zack, mas queria ver se você pode me fazer um

favor — pergunto

— É só pedir Mason, o que você está precisando? — responde Zack

— preciso que você vá até a minha casa, e faça uma mochila com

algumas peças de roupa para dois dias, também preciso que você traga meu

computador — peço

— Considere feito irmão, se lembrar de mais alguma coisa é só me

ligar, e avisa para Gibizinha tirar uns dias de descanso. O Drew vai me ajudar

enquanto ela se cuida — diz Zack

— Valeu irmão, vou ver se consigo uns dias no escritório também,

quero levar ela para casa de praia, para ver se ela se desliga de tudo isso —

informo a ele

— Isso mesmo, vão descansar, você também precisa Mason — diz

Zack

— Valeu cara, assim que você chegar lá em casa, me liga — digo a

ele

— Pode deixar, só vou terminar umas coisas aqui e já vou para lá.

— Obrigado Zack — agradeço a ele, pois sempre que preciso ele está

do meu lado.

Desligo o telefone, respiro fundo, me preparando para enfrentar a

Fera.

Vou até a cozinha, onde eles estão sentados. A primeira pessoa a me

vê é dona Lia.

— Sente-se Mason, acabei de fazer um café fresquinho, você aceita

uma xícara de café? Nossa isso apareceu tão dona Florinda né? — diz dona

Lia rindo

Sério ela é muito doidinha, igual à Jessie sem filtro nenhum.

— Sente-se rapaz, vamos conversar — fala Andrey

— Obrigado senhor. — Uso toda a educação que eu tenho afinal ele é

muito importante na vida da minha princesa.

— Me diz Mason, como você conheceu as minhas meninas, em

especial a Maria Eduarda — pergunta ele

— Bem Andrey, as meninas trabalham na minha boate há quase dois

anos, a Jessie eu já conhecia há algum tempo. Mas não é dela que o senhor

quer realmente saber, não é? Tem pouco tempo que conheço a Duda. Ela é

uma mulher maravilhosa e estou completamente encantado com ela —

respondo

— Ela não é sozinha, já quero deixar bem avisado, ela tem a nós que

somos sua família, ela é realmente uma menina encantadora de um coração

maravilhoso, mas que já sofreu muito nessa vida e não irei deixar ninguém

machucá-la, nem mesmo você. Eu percebi que tem um tipo de ligação entre

vocês, o que me deixou admirado, já que ela nunca foi assim com ninguém

além da Jessie — comenta Andrey

— Eu ainda não sei da história toda Andrey, mas deixo avisado desde

já, que quando eu souber quem, e o que fizeram com ela, irei até o inferno

para fazer justiça e te garanto que não vai ser bonito. Sei que alguma coisa

muito ruim aconteceu, e estou esperando ela me contar, sei só de algumas

coisas superficialmente. Mas não deixarei barato pode ter certeza. Você não

me conhece e pode não acreditar, mas gosto, e gosto muito da Duda, nunca

uma mulher chamou tanto a minha atenção como ela — respondo

sinceramente

— Eu sei sobre tudo o que aconteceu, mas não cabe a mim te contar.

A história e dela para contar, e quando isso acontecer, saiba que ela te

concedeu o que ela tem de mais precioso, que é a confiança dela. Ninguém

sabe o que aconteceu a não ser eu, a Lia, a Jessie e um amigo nosso. Se posso te dar um conselho, é que você esteja preparado, porque vai te quebrar ao

meio — diz Andrey com os olhos marejados.

— Sabe Andrey, eu sou um homem que já passou por muitas coisas

na vida, mesmo sendo tão novo, um dia te conto minha história, mas o que

presenciei hoje, com o perdão da palavra, fodeu meu psicológico. Nunca

senti tanto medo, como senti quando ela entrou em crise na minha frente, ela

não conseguia falar nada, a única coisa que ela dizia era casa e Jessie. Me

senti um imprestável, por ver minha mulher naquele estado e não poder fazer

nada, um bosta por precisar ligar para a Baixinha e implorar pelo amor de

Deus para ela me ajudar. É fechar meus olhos, e ver seu olhar aterrorizado me

implorando ajuda — dDesabafo

— Eu bem sei o que você está falando garoto, agora imagina esse

olhar em uma menina de 12 anos? E eu um adulto, sentar no chão e chorar

igual uma menininha, pois não conseguia fazer nada para ajudá-la, só quem

conseguia acalmar ela era a Jess. Eu e a Lia ficávamos sentados do lado de

fora do quarto delas, escutando seu choro sentido e minha Chaveirinho

cuidando da amiga. Ela foi machucada, humilhada, e só Deus sabe o que

mais. Mas ela vai te contar — desabafa Andrey

— Mason, quero que você tente lembrar o que ela pode ter visto que

acionou o gatilho dela, o que vocês estavam fazendo, aonde vocês estavam?

— pergunta a dona Lia

Paro e penso, mas não consigo enxergar o que ela poderia ter visto

que causou essa crise.

— Nós estávamos no Shopping dona Lia, entramos em algumas lojas

porque ela queria comprar um presente para minha avó, que faz aniversário

essa semana. Almoçamos e estávamos fazendo hora para assistir ao filme que

escolhemos. Paramos em frente a uma vitrine de tatuagens, rindo porque

estávamos andando igual a um pinguim e do nada ela travou, travou no meio do corredor do shopping. Eu também imaginei que ela poderia ter visto

alguma coisa para ter ficado daquele jeito.

— Só tem duas coisas no mundo, que poderia deixar ela assim, uma

é você gritar com ela ou... Ela olha para Andrey assustada

— O que Dona Lia? — pergunto já ficando assustado

— Isso é impossível Marília, eles foram embora há anos, nunca mais

deram notícias, ela ficou presa por um tempo e o acordo foi que ela ficasse

distante e nunca chegar perto da nossa menina — diz Andrey

— Será Andrey? Se ela se aproximar da minha filha eu mato ela

Andrey, faço o que deveria ter feito a mais de dez anos atrás — diz minha

sogra com raiva

— Do que vocês estão falando? Vocês precisam me dizer para que eu

possa ajudar — falo nervoso

— Calma rapaz, no momento a única coisa que posso te dizer é que

irei me informar, e quando ela te contar tudo, você me procura que te contarei

o restante — diz Andrey calmo

— Tudo bem Andrey — respondo

— Então já conversamos você já pode ir embora — diz Andrey na

maior cara de pau

— Andrey! — grita minha futura sogra

Eu simplesmente caio na risada, não consegui mais segurar.

— Está rindo do que garoto? — pergunta ele

— Do senhor seu Andrey, uma hora homem todo sério, centrado e

preocupado, em outra, o pai ciumento e possessivo — respondo ainda rindo

— Andrey Fagundes, você foi um total sem educação agora. Aonde já

se viu expulsar o namorado da sua filha da casa dela. Você ouviu o final da

frase? CASA DELA! — grita minha sogra

— Podei deixar dona Lia, que esse dragão eu enfrento com prazer sabe por quê? — pergunto para minha sogra

— Por que, meu querido? — pergunta ela

—Porque a princesa já é minha, o dragão é o de menos. Respeito a

sua opinião Andrey, mas nem você e nem ninguém será capaz de me tirar do

lado da Duda. Então acho melhor o senhor se acostumar, porque estou aqui

para ficar "sogrão”. —Falo para ele

— Você é muito corajoso não é mesmo? — pergunta ele

— Com certeza senhor, ela é minha, e eu cuido do que é meu. Ela me

pediu para ficar e ninguém irá me mandar embora, nem mesmo o senhor —

respondo

Posso ter parecido petulante, mas nem ele irá me afastar dela. Ela é

minha prioridade.

— Tomou-lhe Andrey, pensou que iria fazer sua vontade? Sua filha

cresceu queridinho, e encontrou um homem a altura — diz minha sogra rindo

do marido

— Você fique quieta dona Marília! A senhora está muito saidinha

para o meu gosto — reclama o sogrão

— Com todo respeito senhor, eu irei ficar aqui, e irei dormi no quarto

da Duda, me desculpe se pareça que estou passando por cima do senhor, mas

minha prioridade nesse momento é a Maria Eduarda, eu prometi a ela que

não a deixaria sozinha, e tudo o que prometo eu cumpro — falo olhando sério

para ele.

— Não pense você que não estarei de olho, irei dormir aqui também e

um passo em falso seu, e você vai querer rezar para nunca ter me conhecido.

— Não tenho medo Andrey, sou homem feito e entendo o seu ponto

de vista, você é pai e se eu estivesse no seu lugar, agiria igual ou pior do que

você. Mas não me peça para ir embora e deixá-la aqui, porque com certeza

não irei fazer — respondo

— Não ligue para o meu marido Mason, quando se trata das meninas

ele enlouquece. Sempre foi assim, mesmo antes da Duda vir morar conosco,

ele viu que ela era sozinha, viu que ela precisava de atenção e pegou para si

mesmo essa missão. Ele já enlouqueceu muito por causa delas. Tenho várias

histórias depois te conto.

Eu caio na risada é mais forte que eu, Andrey é super engraçado com

esse jeito ciumento e sua esposa então, maluca deveria ser seu nome do meio.

Acho que a Duda caiu na família certa, um povo feliz e unido que se

amam e se respeitam acima de tudo.

Só quero ver a cara do sogrão, quando ele souber que vou raptar sua

Bonequinha rabiscada.