Um Longo Caminho a Dois: Volume 1
Acordo sentindo uma leve dor de cabeça,…
Acordo sentindo uma leve dor de cabeça, sempre fico assim depois de
chorar.
Quando resolvo abrir meus olhos, me deparo com a Jessie dormindo
ao meu lado, seus olhos estão inchados, aposto que estava chorando.
Nunca ficamos brigadas, ela sempre esteve ao meu lado mesmo
estando brava com ela, e olha que foram muitas vezes viu!
— Ei Chaveirinho, hora de acordar — peço mexendo em seus
cabelos.
— Você não está mais brava Bonequinha? — pergunta ela sem nem
abrir os olhos.
— Não estava brava Jessie, estava magoada. Você mais do que todos,
sabe o que eu passei, e o quanto quero deixar tudo isso para trás, você deveria
me ajudar, e não ficar contra mim. Eu quero e preciso dar um ponto final
nessa história, para poder viver em paz, eu tenho que enfrentar a Margô, a
Camila e até mesmo o Ernane, só assim conseguirei deixar o passado para
trás.
— Eu sei disso, mas não pedirei desculpa por pensar na sua segurança Duda. Temos muitas coisas para contar, e depois disso você irá entender o
porquê de temos feito isso.
— O Mason falou a mesma coisa.
— Agora vamos descer porque estou com fome, mamãe, papai e o
Olaf estão lá embaixo também — Jess fala se levantando da cama.
— Olaf hein! Mason me contou que vocês estavam de chamego. O
que aconteceu entre vocês?
— Ele é doido! É sério Duda, ele só pode ser doido para querer
alguma coisa comigo. Você não tem noção de tudo o que aconteceu nesses
dias que esteve fora, eu pensava que era louca, mas ele beira ao absurdo.
— Patrick louco? Não consigo acreditar nisso, ele é todo sério,
centrado, pinta de bom moço, é impossível imaginá-lo de outra forma, e por
que ele não iria querer ter alguma coisa com você? Você é uma pessoa
maravilhosa, pare de ficar se menosprezando Jess.
— As aparências enganam Bonequinha, ele é louco, ciumento e
possessivo, ele bateu tanto em um cliente da boate, que o Zack teve que
trancá-lo no escritório, tudo isso por ciúmes, agora me diga o que eu tenho
para ele ter ciúmes? Sou baixinha, não tenho corpão, sou desbocada e o cara
é um homão digno de capa de revista, cheiroso, educado e mete como um
Deus do sexo!
— Muita informação Jess! Você é linda sim, pare de besteira.
— Não vem não Maria Eduarda, você vai ter que me ouvir sim! Eu só
tenho você de amiga, com que vou desabafar? Eu passei quarenta dias em
cárcere privado, levando surra todo dia com o cacetete dele, eu vou te falar,
não é pequeno não viu.
Eu não aguento e caio na gargalhada, imagino esses dois juntos deve
ser hilário. De repente escutamos gritos vindos da sala, e escuto a voz do meu
pai gritando o nome da Jessie.
— O que está acontecendo?
— Papai está surtando, porque quando chegou eu estava sentada no
colo do Olaf — Jessie diz rindo
— Coitado do Patrick! Vamos lá Chaveirinho, temos que socorrer seu
boy tadinho.
Então descemos e encontro Mason e mamãe sentados juntinhos
cochichando, e meu pai com um olhar assassino para Pet.
— Oi família!! — comprimento todos, e meu pai assim que me vê,
esquece do Patrick e vem me abraçar.
— Oi minha princesinha rabiscada, estava morrendo de saudades de
você. Diz para o papai como foi a viagem? Não fez um neném não né?
Bonequinha do papai nem faz essas coisas né? — meu pai diz apressado.
Mason e minha mãe estão aprontando, e o meu pai coitado, está
caindo na pilha dele.
— Sério isso papai? O senhor acha, que a Bonequinha ficou fazendo o
que? Pai ela ficou mais de um mês fora, o senhor está achando, que eles
dormiram em quartos separados? Que ela ficou orando? — Jessie pergunta
rindo.
— Não papai, não existe bebê nenhum, esqueceu que tenho implante?
O senhor mesmo me levou para colocar, não caia na loucura desse povo.
Meu pai me abraça forte, e fala no meu ouvido.
— Eu sei Bonequinha, mas fiquei preocupado, sua mãe e Mason estão
unidos para esse propósito, não que eu não queria ser avô, só acho que não é
o momento certo, você tem que viver bastante — meu pai diz sorrindo.
— Pode deixar papai, também tenho a mesma opinião, sou nova
ainda, tenho muita coisa para viver, meu relacionamento ainda está
engatinhando, apesar do Mason achar o contrário.
— Vai querer filhos quando estiver quarenta anos? Ai você não vai curtir nada, quando ele tiver dez anos você vai estar velha demais para
aguentar o ânimo dele. — A intrometida da Jessie, tem que abrir a boca!
— E você dona Jessie Fagundes! Que decepção, sempre falando que
nunca iria namorar, que viveria comigo para sempre, mas não né, caiu nas
lábias do azedo ali! Logo ele que desdenhou de você filha, já vou logo
falando que não quero netos, se for com o azedo! — meu pai fala irritado.
Andrey Fagundes é um poço de ciúmes, quando se trata das suas
meninas.
Jessie não responde e quando olho para ela, Jess está com lágrimas
escorrendo pelo rosto.
— Ei Jess, porque está chorando? — pergunto preocupada.
— Papai sinto muito te decepcionar, mas estou grávida, e o pai é o
Olaf — diz ela chorando.
Todos nós olhamos espantados, não acreditando na notícia. Jessie
chora copiosamente, minha mãe vem correndo abraçá-la.
— Eu vou te matar seu azedo filho da puta. Como você tem coragem
de engravidar a minha Chaveirinho?! — meu pai grita, e vai para cima de Pet.
E o caos se instala! Meu pai corre para cima de Patrick, e ele corre se
escondendo atrás da mesa, seria cômico se não fosse trágico, eles ficam
correndo em volta da mesa.
— Não adianta fugir seu desgraçado, se aproveitou da minha filha.
Aproveitou que ela estava sozinha, que a irmã foi viajar para dar o bote! —
meu pai grita possuído.
— Seu Andrey, vamos ter calma. Somos todos adultos vamos
conversar como tal, eu não sabia disso, e se realmente a Jessie estiver grávida
eu assumirei, eu gosto da sua filha Andrey. — Patrick tenta acalmar meu pai
sem sucesso.
— Se realmente estiver grávida? Agora está chamando a minha filhinha de mentirosa? Seu moleque filho da puta, eu vou te matar e dar os
pedaços para os cachorros comerem! — Nunca vi meu pai gritar tanto.
Estamos olhando os dois falando, e confesso que estou ficando tonta
de ver os dois correndo em círculos pela mesa.
Mason está deitado no sofá, chorando rir, como ele pode rir diante da
desgraça eminente que está acontecendo?
— Neném para de chorar, tudo vai se resolver. — Neném? A coisa
está mais adiantada do que pensei. — Andrey ela está grávida e não pode
passar nervoso — Pet pede calma a meu pai.
Jessie caminha até o sofá e se senta ao lado do Mason, quando olho
atentamente, vejo que ela não está mais chorando e sim rindo. Ela e Mason
estão se acabando de rir, enquanto meu pai está quase matando Patrick.
— ANDREY! — minha mãe grita, e meu pai para na hora com suas
loucuras.
Pet aproveita e corre para Jessie, e a pega no colo.
— Calma neném, tudo vai ficar bem. Vou cuidar dos dois, confesso
que foi rápido, mas vai acabar tudo bem — Patrick fala tão fofo e
preocupado, e não percebe que Jess está rindo.
— Porra cara, deixar de ser viadinho! — Mason diz rindo.
— É mentira neném, estava curtindo com a cara do meu pai — Jessie
diz rindo.
Realmente eu acho que essa garota é pancada das ideias, ela deve ter
um problema mental muito sério.
— Eu sabia! Assim que vi as lágrimas caindo, eu não acredito que
vocês acreditaram nisso. Neném? É sério isso Pet? — Pergunta Mason.
— Jessie, dessa vez você se superou — falo rindo.
Minha mãe se senta ao lado do meu pai, chorando de rir dele.
— Isso é para você aprender Andrey, aonde já se viu renegar um neto, eu bem queria um netinho, Mason e Patrick já vou logo avisando que quero
muitos netinhos — minha mãe diz.
— Porra Jessie, quer me foder me beija, seu pai quase me mata, e era
tudo brincadeira? Você merece uns dez tapas nessa bunda gostosa — Pet fala,
só não sei se é brigando ou brincando.
— Que genro safadinho que arrumei, vai me dizer que gosta de umas
brincadeiras brutas? Chicotes e algemas? — minha mãe diz, ela é muito
louca.
— Lia!! Isso é coisa de se perguntar? Você tem que dar o exemplo
para as suas filhas! — meu pai diz indignado.
— A Andrey não ferra, olha para as nossas meninas, olhe para esses
meninos? Eles têm cara de que fodem bem até em baixo d'água. Me poupe
querido e se poupe, já fomos jovens — minha mãe diz rindo
— Sogrinha já disse que te amo? É a melhor sogra do mundo —
Mason diz rindo.
— Mason, você bebeu?
— Não minha princesa, só estou feliz por estarmos aqui. Eu adoro
quando sua mãe está presente, seu pai nem tanto, ele é muito ciumento.
— Deixa o menino filha, também amo você Mason, por enquanto é o
meu genro preferido — mamãe diz sorrindo.
— Não, não sogrinha, sou o primeiro genro e tenho que ser o
preferido. Olaf se quiser ser o preferido do sogrão tudo bem, mas a sogrinha é
minha — Mason diz, parecendo um menino birrento.
— E depois o viadinho é o meu neném!! — Jessie diz rindo.
Eu amo a minha família, estou feliz que minha Chaveirinho encontrou
alguém. E sou louca, completamente louca pelo meu príncipe, agora que
estou aqui, com todos reunidos vejo o quanto sou amada, me esqueço de tudo
o que aconteceu, eles jamais passariam por cima de mim, se eles fizeram o que fizeram foi por me amar demais, só entendo isso agora, e farei o que for
preciso para protegê-los.
Essa família é muito louca, agora eu sei quem a Baixinha puxou,
minha sogra Lia, é muito louca e o Andrey é completamente descompensado.
Agora ver Patrick, pagando paixãozinha foi demais, chamando a
Baixinha de neném? Que cafona!! Eu estou passando mal de tanto rir, a
Jessie é uma diaba de tão atentada.
Depois que todo mundo se acalma, eu olho para Pet e vejo que é hora
de adentrar em assuntos mais sérios.
— Andrey, hoje tive um pequeno desentendimento com a minha
princesa, por esconder as coisas dela. Quero que saiba, que se agi assim, não
foi por querer passar por cima das vontades dela e sim por querer poupá-la
disso tudo, mas vejo que isso é impossível.
— Nós acreditamos nisso Mason, e sabemos que você fará de tudo
para protegê-la — Lia fala séria.
— Duda, nunca quisemos passar por cima das suas vontades, como
falamos antes, a Margô é perigosa demais, meu amigo que é da Interpol está
trabalhando em conjunto com o FBI. Margô faz parte de um cartel que lida
tanto com drogas e armas, como com tráfico humano, ela voltou para o Brasil
para se esconder, ela já está no Brasil há seis meses, só descobrimos quando
Mason me pediu ajuda — Pet fala sério.
— Cartel? Tipo aqueles dos filmes? — pergunta Duda chocada.
— Pior que nos filmes Gibizinha, eles são perigosos, primeiro vieram
a Margô, um tal de Ernane e a Camila, aos poucos estão chegando os outros
integrantes, eles são muito perigosos, por isso a preocupação com você Duda, Margô entrou como financiadora por causa do dinheiro do seu pai e agora
com você maior de idade, o dinheiro passa a ser seu, aliás, ele sempre foi seu,
ela forjou toda a documentação tanto da herança, quanto os da Camila — Pet
vai explicando aos poucos.
— Camila também faz parte disso? — Duda pergunta branca de
medo.
— Ela sabe de tudo o que a mãe está envolvida, mas ela é mais como
a princesinha do tráfico, Margô está treinando-a para ser sua substituta — Pet
confidência.
Todos estamos em silêncio, e o que nos tira do transe é a respiração
da minha princesa, ela está tendo crise de pânico.
Lágrimas escorrem por seu rosto, e sua respiração fica ofegante, ela
no desespero começa a ficar sem ar, e isso a desespera mais ainda. Ela me
olha em pânico e eu corro para pegá-la no colo.
— Ei, ei, ei, calma princesa, respira com calma, nada vai te acontecer,
eles não irão chegar perto de você, eu não deixarei, então você tem que ficar
calma.
Jessie vem com um copo de água, e uns comprimidos, mas Duda se
recusa a tomar.
— Você tem que tomar Bonequinha, deixa de ser teimosa — Jessie
fala brigando
— Se você não quer os remédios tudo bem, mas tem que se acalmar
gatinha. Respira devagarzinho, com calma.
Eu sabia que isso ia acontecer, por isso não queria falar nada, esse
assunto mexe muito com ela, e graças a Deus consegui fazer com que ela se
acalme.
— Era por isso que não queríamos que soubesse Bonequinha, isso
mexe demais com você, mas acredite no que o Mason te falou, nós estamos unidos para que nada te aconteça — Andrey fala sério.
— Se aquela vagabunda ousar chegar perto de você, eu mesmo mato
ela, deveria ter feito isso antes, mas o seu pai não deixou, mas agora é
diferente eu faço e não irá acontecer nada comigo, tenho um amigo psiquiatra
e ele me arruma um atestado de doida rapidinho — Lia fala, até mesmo séria
ela consegue ser engraçada.
— Sério isso mamãe? Me conta mais sobre esse amigo, será que ele
arrumaria um atestado para mim também? — Jessie pergunta empolgada.
— Patrick, mudei de ideia e faço muito gosto que você namore a
minha filha. Isso já é castigo suficiente para um ser humano, agora você vai
descobrir o que eu passo — Andrey diz rindo.
Eles continuam a conversar entre ele, e eu me concentro na minha
princesa.
— Está melhor meu amor?
— Estou sim príncipe, só fiquei com medo no momento e sei que
você sempre estará comigo, fiquei chocada por descobrir que Margô é tão
podre assim, tráfico humano? Isso beira ao absurdo Mason! Com todo o
dinheiro que ela roubou do meu pai, roubou de mim ela ainda tem que se
envolver com essa podridão? — Duda fala baixinho.
— Isso se chama ganância meu amor, pessoas com Margô nunca
estarão satisfeitas com o que tem, a sede pelo poder é maior e elas estão
pouco se lixando sobre o que tem que fazer para obter o poder, só que Margô
está ficando descuidada, ela está tão cega pelo dinheiro e pelo poder, que já
começou a deixar rastros e é com isso que vamos pegá-la.
— Eu prometo fazer tudo o que vocês mandarem, quero Margô e a
corja dela atrás das grades — Duda diz convicta.
— Duda, é normal se preocupar e sentir medo. O medo deixa a gente
mais cauteloso, e é isso que quero que você fique daqui por diante, toda a cautela é pouca para essa situação. Meu amigo deve chegar até sexta-feira, e
com ele vem mais gente e vamos montar um plano, eu estou envolvido por
um pedido do Mason e eles aceitaram, quando chegarem, vamos conversar
todos juntos, só peço calma e prudência, vamos ficar ligados a tudo eu
mesmo me afastei de um caso só para me dedicar a isso — Pet fala sério, e
pelo visto a coisa é grande.
— Vou ficar esperta pode deixar, vou poder voltar trabalhar? —
pergunta a minha princesa, por mim ela ficava em casa segura, mas se eu
falar isso arrumarei a terceira guerra mundial.
— Desde que se mantenha segura sim, eu coloquei dois policiais
disfarçados na boate, assim poderemos ficar mais tranquilo. — Patrick é
muito sério sobre o seu trabalho, ele é muito calculista e pensa em tudo.
— Então amanhã voltarei ao batente. — Quando vou retrucar ela me
olha feio. — Nem adianta falar nada Mason Black, eu irei e acabou a história,
você não vai me trancar aqui, e outra você precisa cuidar dos seus negócios.
— É foda você descobrir, que depois de casar você não manda mais
em nada, né Mason? — Andrey diz rindo
— Não somos casados papai!
— Ainda não! — retruco
— E se depender de mim, vai demorar bastante! — diz Duda
nervosinha.
— Continue pensando assim minha princesa, quem sou eu para acabar
com suas ilusões — respondo rindo.
— Aí, você é um pé no saco!
— Estou com fome, tem comida nessa casa não? — pergunta à
Baixinha se levantando e indo em direção a cozinha.
— Se tiver, nem se atreva a mexer você é péssima na cozinha Jessie,
só sabe fazer sanduíches — grita Lia.
Então as três vão para a cozinha, e na sala ficam Pet, Andrey e eu,
esperamos as mulheres sair da sala, para conversamos realmente.
— Tem mais alguma coisa não tem? — pergunto para Patrick.
— Se tiver azedo, acho melhor falar, quero estar preparado, a Lia é
louca, ela não estava brincando sobre matar Margô, ela tem até uma pistola e
tirou porte de arma e tudo, lógico que eu escondi a pistola, mas não vamos
contar com a sorte — Andrey fala e eu fico abismado, tentando imaginar
minha sogrinha armada.
— Eles andaram fazendo perguntas sobre a Duda e a Jessie, e eu sei
que foram os homens da Margô, foram à faculdade, na boate e até mesmo no
prédio delas. A Jessie ficou esses dias todos no meu apartamento e quando eu
estava de plantão ela dormia na casa de vocês, e quando Jessie estava
trabalhando, um dos homens da Margô, ficava na boate vigiando-a, mas não
se preocupem os policiais estavam lá, quando eu estava de serviço — Patrick
fala e o medo bate forte.
— Patrick não estou gostando nada, nada dessa história, eles
chegando assim tão perto das meninas, a Margô deve saber que a Baixinha é
o ponto fraco da Duda, se alguma coisa acontecer com a Jessie a Duda
enlouquece.
— Eu sei que é assustador, mas eu estou cuidando da segurança dela
Mason. Eu estou vinte e quatro horas com ela, e quando eu não posso estar
sempre tem alguém da minha confiança perto, já imaginava que a Margô
poderia usar a Baixinha, mas ninguém vai encostar em um fio de cabelo da
minha mulher — Pet diz todo possessivo.
— Eu sei que implico com os dois, quando vocês tiverem filhas irão
me entender, mas eu sou imensamente agradecido por minhas meninas terem
vocês. São protetores e não irão deixar nada acontecer com elas, irei sempre
implicar com vocês, então se acostumem com isso — diz Andrey sério e eu que não posso perder a piada, cutuco a onça.
— Eu sabia que me amava sogrão, mas tenho que ser o preferido,
afinal sou o seu primeiro genro, e nunca me desfiz da sua filha, já o Olaf
desdenhou da Baixinha.
— Porra Mason, quer me foder me beija caralho. Em vez de me
ajudar, quer que eu me foda? Belo irmão você é! — Patrick diz vermelho de
raiva.
— Os dois são uns cu de burro, não gosto de nenhum dos dois. E o
primeiro que vacilar, usarei a pistola da louca da minha mulher — diz
Andrey sério.
Encerramos a conversa, e vamos atrás das nossas mulheres. E as
encontramos entretidas na cozinha. Lia no fogão, Jessie lavando a salada, e a
minha princesa descascando legumes.
— Está tudo bem princesa? — pergunto ao seu ouvido, a abraçando
por trás.
— Estou sim meu amor. Só não estou gostando desses legumes,
minha mãe é uma chata — diz ela chateada.
— Chata, e com os ouvidos de tuberculoso. Está fazendo manha
porque queria comer as porcarias dela, e eu não deixei a comida já está quase
pronta, vai comer tudo, a comida, a salada e os legumes ou então levarei
essas porcarias toda embora — Lia diz e eu dou risada.
É muito engraçado como a Duda pode ser um puta mulherão, e ao
mesmo tempo ter atitudes tão infantis, mas eu não ligo, amo ela com esse
jeitinho lindo de menina-mulher, ela não teve a oportunidade de ser criança,
então a rebeldia atrasada faz sentido.
— Papai, fala para ela que eu não gosto dessas coisas, o Mason pode
comer a minha parte, ele gosta de legumes e verduras já que ele é todo fitness
— minha menina rebelde diz.
— Não me meta nisso Bonequinha linda do papai, depois você fica
aqui com esse colorido e eu que me ferro com ela em casa.
— Nós já descobrimos quem manda em casa papai, mamãe é minha
heroína, quando crescer quero ser igual a ela — Jess diz rindo provocando
seu pai.
— Acho que você não cresce mais não Baixinha, vai ficar desse
tamanho para sempre.
— Me defende neném! — Jessie pede para Patrick.
Eu e Andrey caímos na gargalhada, esse apelido é de foder com a
imagem do policial fodão que ele é, já imagino a Jessie, chegando na
delegacia, e o chamando de neném na frente dos parceiros.
— É neném, defende ela — provoco e caiu na gargalhada.
— Porra Jess, quer parar com isso! Você concordou em me chamar
dessa porra só quando estivéssemos sozinhos, agora vou ter que ficar
aturando esses dois Zé ruelas me zuando.
— Olha o respeito azedo! Zé ruela é teus parceiros, neném — Andrey
zoa também.
— O que, que tem a Jessie chamar o Patrick de neném príncipe? —
Duda usa o príncipe só para me sacanear.
— Porra! Um apelido mais viadinho que o outro. — Dessa vez a
gargalhada do sogrão é mais alta.
— Poxa gatinha, golpe baixo.
— Está rindo do que pimpão? — Minha sogra é afrontosa demais, e
joga o apelido de Andrey na roda.
Eu e Pet, não aguentamos de tanto rir que acabamos caindo do banco
e ficamos deitados no chão, minha barriga e meu maxilar está doendo, não
aguento rir mais.
— Sua cachorra, isso não se faz você tem que ficar do lado do seu homem, não se juntar a esses dos idiotas. Vou cortar o seu cartão de crédito, e
quero ver como vai viver!
— Vai cortar meu cartão de crédito Andrey Fagundes? Tem certeza?
— Você terá que contar as moedinhas que tem perdidas em casa, até
para comprar um bombom, do meu dinheiro você nem chega perto sua traíra.
— Ok, então nada do seu pimpão entrar na minha caverna, isso
mesmo Andrey, vai ficar nos cinco contra um até me devolver o cartão.
— Você não é louca Lia, eu mando te internar! Você está
completamente descompensada.
— É isso mesmo meu bem. Dinheiro na mão calcinha no chão,
dinheiro não viu calcinha subiu, hoje em dia é assim meu querido marido.
E eu não me aguento, estou passando mal de tanto rir, Pet perde o
fôlego, as meninas também estão sentadas no chão rindo, meus sogros são
muito porra loucas.
— Então é assim que vai funcionar? Tudo bem Lia, eu baterei umas
punhetas com gosto, mas não te devolverei o cartão sua diaba.
— Chegaaa, é muita informação para mim — Jessie diz rindo e acho
que os dois se tocam que não estão mais sozinhos.
— O que? vocês não transam? — pergunta Lia. — Vamos ver quanto
tempo você vai aguentar Andrey.
Ficamos mais alguns minutos rindo, e elas voltam a cozinhar, Andrey
e Lia trocar olhares raivosos, e toda oportunidade que minha sogra tem ela
esbarra em meu sogro.
Passamos o restante do dia juntos, conversando e brincando uns com
os outros, contamos sobre a viajem, mostramos as fotos que tiramos.
É gostoso passar o dia assim em família.
Porque é isso que somos, uma família.
Não tem mais como adiar, ela está decidida a ir trabalhar hoje.
Consegui enrolar ela por três dias, desde que voltamos de viagem.
Não quero que ela vá trabalhar, não porque sou possessivo e a quero só para
mim, é que saber que os capangas da Margô, estão rondando a minha boate,
não consigo dormir pensando em várias merdas.
Já imaginei de tudo, e o foda é que só imaginei tragédia, o amigo de
Pet chegou hoje dos Estados Unidos, e ele quer vir conversar com ela
amanhã.
Ela finge que está bem, mas sei que o medo é constante, por mim
pegava ela e iria embora do Brasil, sei lá ia pra conxinxina, para o raio que o
parta, mas iria tirar ela daqui.
Eu estou trabalhando de casa, tudo o que Bea, precisa ela vem aqui ou
manda por um moto boy.
Sinto uma angústia dentro de mim, avisando que alguma coisa vai
acontecer. Conforme as horas vão passando, a ansiedade e a preocupação
aumentam a cada segundo.
— Ei príncipe! Vai ficar com essa carinha a noite toda? — pergunta Duda, se sentando em meu colo.
— É só preocupação minha princesa, não gosto de saber que os
homens da Margô, estão fazendo campana na boate.
— Eu sei que está preocupado meu amor, mas você dobrou a
segurança da boate, e fora os policiais à paisana que estão lá todos os dias.
Nada vai acontecer, e tenho certeza que você estará grudado comigo — duda
fala tentando me despreocupar, mas não adianta.
— Promete que você não sairá de trás do balcão? Nada de danças
loucas, ou apartar briga? Promete princesa?
— Prometo Mason, não sairei de trás do balcão em hipótese alguma,
só relaxa amor, ela não irá fazer nada agora. Eu vou subir para me arrumar.
— Ela me dá um selinho e se levanta.
Mas eu a trago de volta para o meu colo, e lhe dou um beijo de
verdade, um beijo repleto de desespero, não sei por que estou me sentindo
assim, mas é como se uma nuvem negra estivesse se aproximando de nós,
para nublar toda a alegria e o amor que estamos vivendo.
Ela se levanta, e sai correndo para o quarto, porque sabe que se
continuasse aqui, nenhum dos dois sairia hoje.
Fico mais um tempo pensando na vida e depois sigo para o quarto, ela
está na frente do espelho, apenas de toalha se maquiando, a cama está uma
bagunça de roupas jogadas, e eu que sempre fui muito organizado, nem ligo
porque são as coisas da minha princesa.
Vou para o banheiro e analiso tudo, em como minha vida mudou por
causa dela. Junto com as minhas coisas de higiene, estão as delas, creme de
corpo, lenço de maquiagem, batom perfume e um monte de quinquilharias
femininas, isso tem o poder de mudar um pouco meu ânimo sombrio.
Entro no chuveiro, pensando que minha vida hoje está perfeita, tenho
amigos fiéis, uma nova família, e a mulher da minha vida.
— Mason, não demora se não chegaremos atrasados e eu não gosto de
me atrasar — diz a minha princesa cortando meus pensamentos.
— Gatinha eu não demoro, quem tem que passar por um ritual toda
vez que vamos sair, é você, eu só preciso colocar uma calça uma camisa e o
tênis.
— Isso é injustiça sabia? Vocês não têm que rebocar o rosto, fazer
sobrancelha, escovar cabelo, nós mulheres sofremos pra caralho!
— Você não precisa de nada disso gatinha, é linda, totalmente linda.
— Você fala isso porque me ama Mason — responde rindo. — Eu já
estou pronta só colocar a jaqueta e o sapato.
— Eu já estou saindo.
Termino meu banho, coloco uma cueca boxer e vou para o quarto,
quando entro, fico olhando para minha mulher, ela está um arraso, sexy com
um batom estilo "posso chupar seu pau, por favor".
— Que tal? Como estou? — pergunta ela fazendo uma pose sexy.
— Está gostosa demais, mas porque tem essa parte transparente na
calça? Você vai ficar com frio gatinha.
— A transparência é o charme da roupa Mason! E é sério isso do frio?
A boate é um calor da porra, e você tem a cara de pau de dizer que ficarei
com frio?
— Só me preocupo com a minha mulher!!
— Sei, sei! Sua cara de pau não tem limites Mason Black — ela diz
rindo.
Tudo bem, confesso que é um pouco de ciúmes, a calça é super colada
no corpo, tipo uma segunda pele e ainda tem a transparência que aguça a
mente masculina, junto da bota de salto alto e o batom vermelho é de pirar
qualquer um.
Eu resolvo não retrucar, ou acabaremos nessa cama toda bagunçada, comigo enfiando minha explicação nela.
Me troco e vou esperá-la na sala, isso porque ela me disse que já
estava pronta.
— Agora estou pronta!! Vamos príncipe, estou empolgada para
trabalhar.
— Vamos princesa.
Então partimos rumo a Extreme. Duda está realmente empolga por
estar indo trabalhar, ela não parou de falar um minuto, desde que saímos de
casa.
— Aposto que o meu bar deve estar uma zona. As meninas deixam
tudo bagunçado, por isso eu mesma gosto de cuidar de lá, é meu bar e elas
ficam putas quando mexem e eu falo um monte, o Zack quem fica no balcão
quando estou de folga, nem mesmo a Jessie encosta lá.
— Você realmente gosta de trabalhar lá né? Está tão empolgada!
— Eu aprendi a gostar. No começo foi difícil, eu nunca fui de gostar
de lugares cheios, mas aos poucos fui me acostumando, fiz amizade com os
outros funcionários, e depois com alguns clientes assíduos. Eu amo o que
faço, porque acabamos sendo um pouco psicólogos dos que bebem demais —
diz ela rindo.
— Isso é verdade, quando bebemos enxergamos soluções no fundo do
copo, e acabamos desabafando com os garçons e bartenders.
Assim que chegamos no estacionamento da boate, ela nem ao menos
espera eu parar o carro, e já vai descendo. Fico puto, mas resolvo não falar
nada, afinal ela está tão feliz.
Ela já entra cumprimentando os seguranças, o pessoal da limpeza, até
chegar ao bar, ela falou com todos no caminho até lá, Drew faz uma festa
quando a vê.
— Deusa, que saudades!!! Tá arraziane heim, olha essa pele!! Esses olhos brilhando, toda trabalhada no bronzeado — Drew fala dando pulinhos
de alegria.
Eu olho para Zack, e ele está tampando o rosto, se escondendo.
— Drew que saudades!
Duda abraça Drew, e então eu vejo que estou afastando-a de todos os
amigos, não é só ela que sente falta, os amigos também, mas Deus sabe que
não faço isso por mau, só quero que esse pesadelo acabe.
— Olha quem é resolveu se juntar aos plebeus! A toda poderosa
Maria Eduarda! O que nós, relês plebeus temos que fazer? Devemos
reverenciar o casal de poderosos? — A Baixinha chega fazendo o drama dela.
— Me reverencie, óh mini plebeia!! — eu falo e todos riem.
Depois de todos os comprimentos, eu me sento banco em frente ao
balcão, fico conversando com Drew e Zack, mas sempre de olho na minha
princesa.
Zack me coloca a par de tudo o que aconteceu em minha ausência,
sobre a frequência dos homens de Margô na boate, diz também que Camila e
a desequilibrada da Valerie, também se tornaram presença constantes na
boate.
E eu peço a Deus, que essas loucas não me apareçam aqui, mas pelo
visto, ele resolveu não me escutar.
Eis que quando o diabo não vem, manda o secretário, no caso Valerie
em pessoa.
Quem a viu primeiro foi Drew, e ele olhou assustado para Zack.
— Puta que pariu, vai dar merda aí hein! — Drew fala olhando
assustado.
— Do que vocês estão falando? — pergunto sem entender.
— Olha para trás, todo poderoso e você irá entender — Drew fala,
olhando para trás de mim.
Eu me viro, e nunca me passou pela cabeça, que isso iria acontecer.
Eu me viro e dou de cara com a Valerie, não bastando isso ela ainda se jogou
em meus braços, e me beijou.
E como disse Drew deu merda e das GRANDES.