Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 6 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Eu estou completamente amedrontada, nunca que iria imaginar que o

meu dia que estava sendo perfeito, seria arruinado com a visão da pessoa que

mais abomino no mundo.

Meu dia estava perfeito, acordei ao lado do melhor cara que já

encontrei na vida, tive uma manhã maravilhosa, regada a sexo, carinho e

risadas. Lógico teve o momento declaração, mas foi tudo tão maravilhoso.

Mason é um homem espetacular, intenso, carinhoso, preocupado ao

extremo, dedicado, ele tem tudo o que um homem pode ter de melhor.

Então fomos ao shopping, passear e assistir um filme e é quando

estamos olhando a vitrine de tatuagens abraçados, que o meu pior pesadelo

aparece a menos de cem metros.

Eu até tentei me controlar, mas é mais forte que eu. Eu travei, só

conseguia olhar para ela com sacolas na mão, muito bem vestida andando

despreocupadamente, como se ela mesma não soubesse o filhote de monstro

que ela é.

Eu entrei em desespero, senti meu corpo tremer, meu coração acelerar, escutava a voz do Mason distante.

Não queria que ele me visse assim, fodida, com medo. Eu estava

tendo um ataque de pânico em pleno shopping. Tudo o que me vinha em

mente, era que eu precisava ir embora dali.

Tudo o que eu queria era fugir para bem longe delas, por que se ela

estava aqui, então minha mãe também estaria. Quando penso na minha mãe,

o meu desespero aumenta.

Lembro-me dá promessa que ela me fez quando estavam me tirando

de dentro da casa dela.

"Não pense que estará livre de mim Maria Eduarda. Quando eu

voltar, e eu voltarei, pode ter a certeza disso, irei te infernizar, e quando

você não estiver aguentando mais, te darei o golpe de misericórdia. Não

pense que eles te amam, pois, nunca ninguém irá te amar, você sempre

será essa menina inútil, que todos sentem pena, você não foi feita para

amar e nem ser amada, você não é digna disso. Você pode fugir meu

bem, mas irei te encontrar e então farei o que deveria tem feito desde o

começo matá-la".

Sinto Mason me sacudir, e depois não me lembro de mais nada.

Só me lembro do hospital, do medo de eles me acharem.

E da voz... a voz do Mason me prometendo que estarei segura, que ele

não deixará nada me acontecer.

Lembro da Jessie, minha irmã de coração, falando a mesma coisa.

Ela me diz que a mamãe está em casa fazendo sopa.

Lembro-me de quando eles me tiraram de daquela casa maldita. Ela

sempre fazia sopa porque era a única coisa que eu comia e não me fazia mal.

Agora estamos indo para casa, sobre recomendações fortíssimas do

médico sobre alimentação, remédios, e meu psicólogo.

Mason como sempre um príncipe, deixou avisado que irá tomar conta de mim, quer eu queira ou não.

Jessie já tirou sarro dele, dizendo que meu pai é um dragão de tão

ciumento.

E ele não está com medo.

Acho tão fofo, quando ele me chama de minha princesa. Faz com que

eu me sinta querida, amada.

Chegamos em casa, e ele não me deixa descer do carro. Ele pede pra

Jessie subir na frente.

Ele fica me olhando, como se estivesse procurando algum sinal de

que não estou bem.

—O que foi? — pergunto

— Nada minha princesa, só queria saber se você está realmente

bem — responde ele

— Bem, bem eu não estou, mas vou ficar eu tenho que ficar bem

Mason. Durante alguns dias ainda irei sentir as consequências dessa crise,

mas nada que eu já não tenha passado antes — desabafo

— Eu nunca fiquei tão assustado na minha vida gatinha, fiquei sem

chão por te ver daquele jeito, você só chorava e pedia pela Jessie, e eu não

podia fazer nada. Me senti um inútil, por não conseguir cuidar da minha

mulher, quando o Zack chegou e você gritou de dor, eu travei de um jeito que

não consigo te explicar — ele diz.

— Mason, você não tem por que se sentir assim, ninguém além da

Jessie, sabe como eu fico quando entro em crise, nem mesmo os pais dela.

Sempre quando aconteceu isso, era ela que estava comigo, ela sempre cuidou

de mim. Não sei o que teria acontecido comigo, se naquele dia ela não tivesse

contado tudo ao seu pai e para um amigo dele — falo para ele.

— Eu sei que não tenho que me sentir do jeito que estou sentindo,

mas não posso mudar. Em pleno desespero, por ver você daquele jeito, eu fiquei com ciúmes Duda. Ciúmes por você estar daquele jeito e não pensar

em mim para te ajudar, você chamava a Baixinha. Você tem noção do quão

ridículo eu sou? — diz ele

Olho para ele, e vejo revolta em seu olhar, e vejo mágoa também.

— Meu querido, você em tão pouco tempo está conquistando o que

nunca entreguei para ninguém, você conquistou minha confiança, meu

carinho, sinto uma montanha russa de sentimentos por você, sentimentos

esses que no momento não sei nomear, mas que estou gostando de sentir.

— Eu quero ser tudo o que você precisa, é egoísta eu sei, mas não

posso mudar o que estou sentindo. Quero você em um grau que chega ser

insano —ele responde

— Você não tem ideia do que estou sentindo nesse momento por

você. Uma necessidade tão grande, não quero ficar sozinha Mason, e pela

primeira vez desde que comecei a ter essas crises, quero alguém ao meu lado

que não é a Jessie e esse alguém é você Mason.

— Eu?

— Sim você, me sinto segura em seus braços, quero você comigo —

digo sem graça

Não sei se é sua voz, seus braços, seus carinhos ou sua paciência, mas

sei que com ele estarei segura e que independente de qualquer coisa ele

sempre irá segurar minha mão.

Ele desce do carro, dá a volta e abre a porta do carro para me ajudar a

descer.

Mal desço do carro e já, estou em seus braços, e neles que me sinto

segura e protegida.

— Vamos subir princesa, está mais que na hora de você deitar e

comer a tão famosa sopa que sua mãe está fazendo para você, eles devem

estar preocupados com a nossa demora.

— Você vai ficar comigo, não vai? — pergunto com medo de ele ir

embora, preciso dele comigo.

— Ei princesa, calma eu vou ficar aqui com você e nada nem

ninguém irá me impedir.

— Não quero ficar sem você ao meu lado, sei que você tem suas

coisas para fazer, mas pelo menos hoje quero e preciso que você fique.

— Escuta uma coisa princesa, nada é mais importante do que você, eu

sou meu próprio patrão. Se eu quiser ficar um ano sem aparecer no escritório

eu fico, porque eu emprego só os melhores, e outra coisa, eu também posso

trabalhar de casa.

— Eu não quero mudar sua rotina, mas aceito o que você puder me

dar — digo

Não estou exagerando e nem fazendo drama, mas agora que sei que

esse povo infeliz está de volta, não me sinto segura em lugar nenhum só em

seus braços.

Ele me pega em seus braços e vamos em direção ao meu apartamento.

Estou curiosa para ver a reação dele e dos meus pais de coração.