Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 3 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Vou em direção a sala para abrir…

Vou em direção a sala para abrir a porta e espantar, qualquer um que

queira atrapalhar o meu dia com a minha princesa.

A campainha volta a tocar novamente e eu me apresso a atender.

Quando abro a porta prestes a xingar quem quer que seja, travo na

hora que vejo quem é, e fico mudo.

— Oi meu lindo neto, que demora toda é essa para atender? Pensei

que você acordasse cedo! — diz minha querida vozinha.

— Oi vovó, o que a senhora está fazendo aqui? — pergunto ainda

chocado com essa visita inesperada, pois ela nunca aparece sem antes ligar.

— Por quê? Uma avó não pode vir visitar o neto querido? — diz ela

sorrindo.

— Lógico que pode vovó, vamos entrar e aproveito te apresento

alguém e você me conta o porquê dessa visita surpresa.

Entramos e vamos direto para a cozinha, onde encontro minha

princesa me esperando.

Quando ela vê que estou acompanhado, ela dá um pulo do balcão, que

acabo rindo da cena.

— Olha o que temos aqui? Não vai me apresentar à moça meu filho?

— pergunta minha avó segurando o riso.

Minha avó é a única pessoa boa que se salva daquela família e a única

que mantenho contato.

— Vovó menos, assim se vai assustá-la. Vovó essa é minha princesa

Maria Eduarda, Duda essa é minha avó dona Laura, mãe do meu querido pai.

Duda fica envergonhada com a apresentação que faço e fica vermelha.

Ela estende a mão para minha avó, que a pega e segura por alguns

minutos.

— Prazer princesa Duda, é um imenso prazer conhecer uma das

amigas do meu neto — diz minha avó

— O prazer é meu dona Laura, mas não sou princesa não, seu neto

que cismou em me chamar assim — responde Duda sem graça.

— Menina você parece uma princesa mesmo, acho que meu neto tem

toda a razão — diz minha avó sorrindo.

— Vovó a senhora aceitar se sentar com a gente? Estávamos para

começar a tomar café — pergunto a minha avó

— Aceito uma xícara de café, só para acompanhá-los, porque já tomei

o meu café da manhã mais cedo. Você sabe que acordo com as galinhas —

diz dona Laura.

Sirvo uma xícara de café para minha avó, uma para mim e um copo

de suco para Duda.

Ela levanta uma sobrancelha, olha para o suco e depois para mim.

— Quero café Mason, não sou nada sem minha xícara de café — diz

ela emburrada.

— Primeiro você vai tomar o suco, depois você toma seu tão precioso

café — respondo firme, ela tem que tomar os remédios dela.

Ela me olha com raiva, mas não ligo, porque eu cuido do que é meu e ela é minha. Remédio não é brincadeira se você não se cuidar, ele acaba com

estômago.

Mesmo emburrada ela toma o suco todo, em seguida pede licença e

vai até sua bolsa que está no sofá da sala pega seu remédio e os toma. Eu dou

uma risadinha por causa da birra dela.

Ela volta a se sentar e enche sua xícara, olha para mim e dá um longo

gole no seu café e suspira. E eu? Simplesmente dou risada da sua carinha.

Acordo dos meus devaneios, com a risada da minha avó.

Olho para ela sem entender, até que me dou conta que acabamos

esquecendo da sua presença.

— Então dona Laura, ao que devo a honra de sua presença em minha

humilde residência? — pergunto

— Uma gracinha esse menino não é Maria Eduarda? — diz ela rindo

— Concordo com a senhora dona Laura, muito engraçado seu neto —

diz Duda rindo

— Bem Mason se eu não venho, ou não te ligo você não me procura.

Sabe que me preocupo com você meu menino doce — diz ela alisando meu

rosto

— Sem drama dona Laura, falei com a senhora semana passada e a

senhora nada me disse sobre essa visita, e a senhora sabe muito bem que não

entro na sua casa — respondo

— Mason! — diz Duda

— O quê?

— Isso é jeito de falar com a sua avó? — pergunta Duda

— Não se iluda com a carinha da dona Laura Duda, ela quando quer é

bem tinhosa — falo

— Menino você me respeite, ainda consigo te dar umas palmadas

nessa sua bundinha durinha — diz minha avó rindo.

— Vovó! — grito engasgando-me com o café.

Duda se acaba de rir, e eu fico vermelho de vergonha. Minha avó é

fogo, não tem papas na língua.

— O que eu falei demais? Por um acaso estou mentindo menina? —

diz ela perguntando a Duda

— Não senhora, falou a mais pura verdade — diz Duda sem parar de

rir.

Eu viajo vendo seu sorriso lindo, ela é dona do sorriso mais lindo que

já vi na vida.

Estou muito ferrado velho.

Ela é muito gata, estou de quatro, sentado, estou jogado em seus pés.

— Mason você está bem? — pergunta minha princesa.

— Por que não estaria?

— Sua avó te fez uma pergunta e você nem deu atenção — diz ela

preocupada

— Desculpa vovó, não escutei estava com o pensamento longe.

— Longe ou a sua frente? — pergunta vovó rindo. — Eu perguntei o

que você irá fazer na quinta-feira? — pergunta ela

— Não sei ainda vovó, mas acho que nada, não me lembro de nenhum

compromisso importante, tenho algumas obras para visitar, mas isso eu faço

até à hora do almoço — respondo a ela.

— Ótimo, então espero vocês dois em casa as dezoito horas — fala se

levantando

— Vovó a senhora sabe que não vou naquela casa, eu não entro nem

adianta insistir. Para que insistir vovó?

— Aquela casa é minha e você vai ou não me chamo Laura Black,

você irá sim, e vai levar sua princesa junto, nem que eu venha te buscar pelas

orelhas — diz ela brava

— Vovó, me peça qualquer coisa menos isso — peço a ela.

— Mason aquela casa é minha, não é justo você me privar de sua

presença, justo na minha festa de aniversário. Você tem que aproveitar

enquanto estou viva, porque logo partirei desse mundo — diz minha avó

fazendo o drama de sempre.

Eu odeio aquela casa, odeio aquele povo sanguessuga que mora lá e

odeio ainda mais seu filho que por infelicidade do destino é meu pai.

— Vovó não faça isso, a senhora sabe que não me sinto bem indo lá.

Vamos combinar um jantar aqui em casa, eu a Duda, o Zack e o Drew e a

amiga da Duda que aposto que a senhora vai adorar porque ela é doidinha

igualzinha a senhora. — Tento barganhar com ela

— Quero você lá no horário que te falei, e aproveite para convidar os

meninos e a amiga da Maria Eduarda. Quero todos lá — diz ela decidida

— Está bem vovó a senhora manda, só espero que não se arrependa

dessa decisão depois — falo derrotado por uma senhorinha de setenta e oito

anos.

— Muito bem meu doce, agora me leve até o carro, porque vou indo

embora, já cumprir o que vim fazer.

— A senhora não tem jeito, eu sabia que estava querendo alguma

coisa, só não sabia que seria isso — respondo

— Maria Eduarda espero a senhorita lá com meu neto e sua amiga.

Adorei te conhecer — diz minha avó puxando a Duda para um abraço.

— Seja lá o que você esteja fazendo com meu neto, continue nunca vi

esse brilho em seus olhos — diz minha avó em seu ouvido.

— Pode deixar que cuidarei do seu neto. E vamos sim lhe prestigiar

em sua festa — diz minha menina beijando o rosto da minha avó.

Acompanho minha avó até seu carro, me despeço dela confirmando

novamente que irei a sua festa.

Entro em casa, fecho a porta e me encosto nela, já imaginando a cena

na quinta-feira.

Vou andando pra sala e vejo minha princesa sentada no sofá me

olhando.

Vou até ela e lhe estendo a mão.

Ela aceita e a puxo para os meus braços.

— Vamos para o quarto? Quero dormir de novo, para ver se isso o

que acabou de acontecer não passa de um sonho.

— Vamos lá menino doce, mas depois vamos a minha casa, pois você

prometeu me levar ao cinema ok? — diz ela

— Menino doce é meu pau, não me chame assim já basta minha

avó — respondo

No quarto me deito, enquanto ela vai fechar as cortinas, logo ela se

deita ao meu lado, a abraço forte, me aconchegando em seu pescoço.

— O que você tem Mason? Isso tudo é por não querer ir ao

aniversário da dona Laura? — ela pergunta

— Sim, é justamente por isso. Não quero ir, aquela casa me faz mal,

aquelas pessoas me fazem mal. Não me sinto bem no meio daquela gente e

não quero te levar para o meio disso. Elas são pessoas egoístas, fúteis, sem

escrúpulos nenhum. Eles não se importam de humilhar os outros.

— Bem você não estará sozinho meu amor, eu irei junto vamos ter

Zack e Drew, e também a melhor das defensoras que você teria honra de ter

ao seu lado, Jessie só não tem tamanho, mas ela é brava viu e irá colocar

qualquer um em seu devido lugar — diz minha princesa

Ficamos ali agarrados em silêncio, cada um com seus pensamentos.