Um Longo Caminho a Dois: Volume 1
Vou em direção a sala para abrir…
Vou em direção a sala para abrir a porta e espantar, qualquer um que
queira atrapalhar o meu dia com a minha princesa.
A campainha volta a tocar novamente e eu me apresso a atender.
Quando abro a porta prestes a xingar quem quer que seja, travo na
hora que vejo quem é, e fico mudo.
— Oi meu lindo neto, que demora toda é essa para atender? Pensei
que você acordasse cedo! — diz minha querida vozinha.
— Oi vovó, o que a senhora está fazendo aqui? — pergunto ainda
chocado com essa visita inesperada, pois ela nunca aparece sem antes ligar.
— Por quê? Uma avó não pode vir visitar o neto querido? — diz ela
sorrindo.
— Lógico que pode vovó, vamos entrar e aproveito te apresento
alguém e você me conta o porquê dessa visita surpresa.
Entramos e vamos direto para a cozinha, onde encontro minha
princesa me esperando.
Quando ela vê que estou acompanhado, ela dá um pulo do balcão, que
acabo rindo da cena.
— Olha o que temos aqui? Não vai me apresentar à moça meu filho?
— pergunta minha avó segurando o riso.
Minha avó é a única pessoa boa que se salva daquela família e a única
que mantenho contato.
— Vovó menos, assim se vai assustá-la. Vovó essa é minha princesa
Maria Eduarda, Duda essa é minha avó dona Laura, mãe do meu querido pai.
Duda fica envergonhada com a apresentação que faço e fica vermelha.
Ela estende a mão para minha avó, que a pega e segura por alguns
minutos.
— Prazer princesa Duda, é um imenso prazer conhecer uma das
amigas do meu neto — diz minha avó
— O prazer é meu dona Laura, mas não sou princesa não, seu neto
que cismou em me chamar assim — responde Duda sem graça.
— Menina você parece uma princesa mesmo, acho que meu neto tem
toda a razão — diz minha avó sorrindo.
— Vovó a senhora aceitar se sentar com a gente? Estávamos para
começar a tomar café — pergunto a minha avó
— Aceito uma xícara de café, só para acompanhá-los, porque já tomei
o meu café da manhã mais cedo. Você sabe que acordo com as galinhas —
diz dona Laura.
Sirvo uma xícara de café para minha avó, uma para mim e um copo
de suco para Duda.
Ela levanta uma sobrancelha, olha para o suco e depois para mim.
— Quero café Mason, não sou nada sem minha xícara de café — diz
ela emburrada.
— Primeiro você vai tomar o suco, depois você toma seu tão precioso
café — respondo firme, ela tem que tomar os remédios dela.
Ela me olha com raiva, mas não ligo, porque eu cuido do que é meu e ela é minha. Remédio não é brincadeira se você não se cuidar, ele acaba com
estômago.
Mesmo emburrada ela toma o suco todo, em seguida pede licença e
vai até sua bolsa que está no sofá da sala pega seu remédio e os toma. Eu dou
uma risadinha por causa da birra dela.
Ela volta a se sentar e enche sua xícara, olha para mim e dá um longo
gole no seu café e suspira. E eu? Simplesmente dou risada da sua carinha.
Acordo dos meus devaneios, com a risada da minha avó.
Olho para ela sem entender, até que me dou conta que acabamos
esquecendo da sua presença.
— Então dona Laura, ao que devo a honra de sua presença em minha
humilde residência? — pergunto
— Uma gracinha esse menino não é Maria Eduarda? — diz ela rindo
— Concordo com a senhora dona Laura, muito engraçado seu neto —
diz Duda rindo
— Bem Mason se eu não venho, ou não te ligo você não me procura.
Sabe que me preocupo com você meu menino doce — diz ela alisando meu
rosto
— Sem drama dona Laura, falei com a senhora semana passada e a
senhora nada me disse sobre essa visita, e a senhora sabe muito bem que não
entro na sua casa — respondo
— Mason! — diz Duda
— O quê?
— Isso é jeito de falar com a sua avó? — pergunta Duda
— Não se iluda com a carinha da dona Laura Duda, ela quando quer é
bem tinhosa — falo
— Menino você me respeite, ainda consigo te dar umas palmadas
nessa sua bundinha durinha — diz minha avó rindo.
— Vovó! — grito engasgando-me com o café.
Duda se acaba de rir, e eu fico vermelho de vergonha. Minha avó é
fogo, não tem papas na língua.
— O que eu falei demais? Por um acaso estou mentindo menina? —
diz ela perguntando a Duda
— Não senhora, falou a mais pura verdade — diz Duda sem parar de
rir.
Eu viajo vendo seu sorriso lindo, ela é dona do sorriso mais lindo que
já vi na vida.
Estou muito ferrado velho.
Ela é muito gata, estou de quatro, sentado, estou jogado em seus pés.
— Mason você está bem? — pergunta minha princesa.
— Por que não estaria?
— Sua avó te fez uma pergunta e você nem deu atenção — diz ela
preocupada
— Desculpa vovó, não escutei estava com o pensamento longe.
— Longe ou a sua frente? — pergunta vovó rindo. — Eu perguntei o
que você irá fazer na quinta-feira? — pergunta ela
— Não sei ainda vovó, mas acho que nada, não me lembro de nenhum
compromisso importante, tenho algumas obras para visitar, mas isso eu faço
até à hora do almoço — respondo a ela.
— Ótimo, então espero vocês dois em casa as dezoito horas — fala se
levantando
— Vovó a senhora sabe que não vou naquela casa, eu não entro nem
adianta insistir. Para que insistir vovó?
— Aquela casa é minha e você vai ou não me chamo Laura Black,
você irá sim, e vai levar sua princesa junto, nem que eu venha te buscar pelas
orelhas — diz ela brava
— Vovó, me peça qualquer coisa menos isso — peço a ela.
— Mason aquela casa é minha, não é justo você me privar de sua
presença, justo na minha festa de aniversário. Você tem que aproveitar
enquanto estou viva, porque logo partirei desse mundo — diz minha avó
fazendo o drama de sempre.
Eu odeio aquela casa, odeio aquele povo sanguessuga que mora lá e
odeio ainda mais seu filho que por infelicidade do destino é meu pai.
— Vovó não faça isso, a senhora sabe que não me sinto bem indo lá.
Vamos combinar um jantar aqui em casa, eu a Duda, o Zack e o Drew e a
amiga da Duda que aposto que a senhora vai adorar porque ela é doidinha
igualzinha a senhora. — Tento barganhar com ela
— Quero você lá no horário que te falei, e aproveite para convidar os
meninos e a amiga da Maria Eduarda. Quero todos lá — diz ela decidida
— Está bem vovó a senhora manda, só espero que não se arrependa
dessa decisão depois — falo derrotado por uma senhorinha de setenta e oito
anos.
— Muito bem meu doce, agora me leve até o carro, porque vou indo
embora, já cumprir o que vim fazer.
— A senhora não tem jeito, eu sabia que estava querendo alguma
coisa, só não sabia que seria isso — respondo
— Maria Eduarda espero a senhorita lá com meu neto e sua amiga.
Adorei te conhecer — diz minha avó puxando a Duda para um abraço.
— Seja lá o que você esteja fazendo com meu neto, continue nunca vi
esse brilho em seus olhos — diz minha avó em seu ouvido.
— Pode deixar que cuidarei do seu neto. E vamos sim lhe prestigiar
em sua festa — diz minha menina beijando o rosto da minha avó.
Acompanho minha avó até seu carro, me despeço dela confirmando
novamente que irei a sua festa.
Entro em casa, fecho a porta e me encosto nela, já imaginando a cena
na quinta-feira.
Vou andando pra sala e vejo minha princesa sentada no sofá me
olhando.
Vou até ela e lhe estendo a mão.
Ela aceita e a puxo para os meus braços.
— Vamos para o quarto? Quero dormir de novo, para ver se isso o
que acabou de acontecer não passa de um sonho.
— Vamos lá menino doce, mas depois vamos a minha casa, pois você
prometeu me levar ao cinema ok? — diz ela
— Menino doce é meu pau, não me chame assim já basta minha
avó — respondo
No quarto me deito, enquanto ela vai fechar as cortinas, logo ela se
deita ao meu lado, a abraço forte, me aconchegando em seu pescoço.
— O que você tem Mason? Isso tudo é por não querer ir ao
aniversário da dona Laura? — ela pergunta
— Sim, é justamente por isso. Não quero ir, aquela casa me faz mal,
aquelas pessoas me fazem mal. Não me sinto bem no meio daquela gente e
não quero te levar para o meio disso. Elas são pessoas egoístas, fúteis, sem
escrúpulos nenhum. Eles não se importam de humilhar os outros.
— Bem você não estará sozinho meu amor, eu irei junto vamos ter
Zack e Drew, e também a melhor das defensoras que você teria honra de ter
ao seu lado, Jessie só não tem tamanho, mas ela é brava viu e irá colocar
qualquer um em seu devido lugar — diz minha princesa
Ficamos ali agarrados em silêncio, cada um com seus pensamentos.