Um Longo Caminho a Dois: Volume 1
Acordo meio desorientada, com a mente embaralhada.
Sinto meu corpo pesado, olho em volta querendo saber onde estou,
constato que estou em um quarto de hospital, aí que as lembranças me
engolfam, lembro de toda conversa que tive com Patrick, lembro do medo
que senti ouvindo suas palavras, mas também me lembro do olhar derrotado
dele, quando estávamos conversando.
Ele me pedia perdão em cada frase que dizia, mas que estava acima
dele o poder de resolver tal problema, me contou desde o começo da história,
contou sobre o plano do F.B.I. e a Interpol, eles precisam parar esse cartel
que Margô faz parte, eles já prejudicaram gente demais, e precisam de um
fim para toda essa sujeira.
Quando ele falou que a quadrilha de Margô estavam vigiando Mason,
entrei em desespero, Patrick mais que depressa tentou me acalmar, dizendo
que nada iria acontecer com ele. Nada seria pior do que perder o Mason, nada
do que me aconteceu chegaria perto da dor de perdê-lo, eu preferiria morrer
mil vezes, a viver em um lugar sem ele.
Não é drama, É AMOR! Eu não sei mais viver sem ele, ele em tão pouco tempo me ensinou tanta coisa. Mesmo tentando me proteger, tentando
me fazer aceitar suas vontades, pois sei que tudo isso foi por me amar, e por
querer me proteger.
Deus não está sendo justo comigo nesse momento, não que eu queira
ser melhor que ninguém, mas eu já passei por tanta coisa, já sofri tanto, já
perdi tanto e não acho justo que logo agora que encontrei um pouco de
felicidade, estão querendo acabar com ela?
Que porra de mundo é esse? Onde as pessoas más, ganham as
batalhas e saem vencedoras?
Patrick implora que eu recuse a proposta que o F.B.I. irá me fazer,
mas olhando agora o amor da minha vida dormindo, com o rosto cheio de
olheiras, com a aparecia abatida, resolvo aceitar qualquer proposta que eles
venham a me fazer.
Vejo a porta do quarto se abrir lentamente, meu coração dispara, mas
depois me acalmo quando vejo que é a minha Chaveirinho que está entrando.
Ela deposita a sacola que está em suas mãos no sofá, e quando levanta o rosto
e olha em minha direção se assusta por me ver acordada.
Ela mais que depressa, vem correndo para o meu lado e me abraça
forte, sinto seu corpo convulsionar com o seu choro, meu peito se apertar
com isso.
— Bonequinha! Você finalmente acordou, como você está se
sentindo? O que aconteceu? — Jessie faz uma pergunta atrás da outra, sem ao
menos respirar.
— Sinto meu corpo pesado, o estomago enjoado e minha cabeça está
doendo um pouco — respondo, tentando fugir das outras perguntas.
Eu nunca fui boa em mentir, mesmo que fosse para me salvar do
castigo, minha mãe Lia sempre perguntava para mim o que tinha acontecido,
e eu sem conseguir mentir acabava contando tudo, Jessie sabe disso, mas tenho que conseguir disfarçar.
— Não adianta fugir das perguntas Maria Eduarda! Quero saber o que
aconteceu, quero saber o que Patrick te falou, que fez você ter a maior das
maiores crises que já teve! Todos nós ficamos desesperados, você tem noção
do que foi chegar a sua casa, e te encontrar daquele jeito? Mamãe e papai
ficaram desesperados, mas o Mason? Você não tem noção de como ele ficou!
— Jessie desabafa.
— Eu não sei o que aconteceu Jess, tudo o que lembro é de o Mason
ter que ir até o escritório, ele até tentou me convencer a ir, mas estava me
sentindo cansada, depois não me lembro de mais nada. E por que você está
perguntando sobre o Patrick? É só você perguntar para ele o que aconteceu,
nem me lembro de ver ele hoje.
— Hoje? Duda você está nesse hospital, há seis dias. Seis dias de
merda, onde não fazemos outra coisa a não ser velar seu sono. Nossos pais e
eu estamos nos revezando, mas Mason? Ele não sai daqui nem para comer, o
hospital virou sua segunda casa. O Zack que vem todo dia trazer uma muda
de roupa para ele, o Mason não se alimenta direito há dias, ele só consegue
comer um lanche porque dona Lia é insistente.
— Eu estou aqui a seis dias? Mas como? Não estou entendendo.
— Duda a crise que você teve te fez ter um apagão, você chegou aqui
em estado catatônico, os médicos precisaram te dopar ou você acabaria
sofrendo um infarto de tão alta que sua pressão estava, você precisará voltar a
tomar a medicação novamente, e voltar para a terapia. Isso não é negociável
Bonequinha — Jessie diz séria.
Olho para Mason dormindo com a cabeça apoiada na cama, ao lado
do meu corpo, seu braço em volta da minha cintura e sua mão segurando a
minha, ele deve estar muito desconfortável nessa posição, estou até
estranhando que ele não tenha acordado, com toda nossa falação. Passo minha mão por seu rosto abatido, e sinto meus olhos encherem de lagrimas.
— O médico precisou dar um remédio para ele dormir, ele já estava
há três dias sem pegar no sono, e isso já estava o afetando seriamente. Ele
estava agitado, ansioso por você não acordar — Jessie fala baixinho.
Deixo minhas lagrimas caírem finalmente, a vida dele seria mil vezes
melhor sem mim, seria mais descomplicada, não precisaria me socorrer quase
que diariamente e não estaria correndo perigo de vida por minha causa.
— Eu só estou fazendo mal a ele Jessie — Falo chorando.
— De onde você tirou isso? Duda se existe uma coisa certa nesse
mundo, são vocês dois terem se encontrado, ele te fez um bem enorme, e
você também fez bem a ele. Por ele, você se abriu ao amor, a confiar em
alguém além de mim, a se permitir se feliz, a se soltar para as coisas da vida.
Então não me fale que você está fazendo mal a ele Bonequinha. Ele também
aprendeu muita coisa com você, pela primeira vez na vida, ele está amando e
sendo amado, você trouxe tudo o que estava faltando em sua vida, jamais fale
isso novamente — Jessie diz brava.
— Estou tão cansada Jess, cansada de tudo; cansada de um jeito, que
me pergunto se não teria sido melhor ter morrido, assim teria poupado tanta
coisa, tanto sofrimento, tanta dor e tantos problemas a todos vocês.
— Enlouqueceu? Não me faça ter que te bater depois de velha
garota!!! NUNCA MAIS REPITA ISSO, OU POR DEUS NÓS VAMOS
BRIGAR PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA!!!
Jessie fica brava com o que eu falei, mas é assim que eu me sinto. A
vida deles seria bem melhor se eu nunca tivesse aparecido não que eu esteja
sendo ingrata. Não é isso, mas cansa viver assim em meio ao perigo, ao
medo, agora eu tenho uma psicopata, não só atrás de mim, mas da minha
família inteira, tudo isso é culpa minha, única e exclusivamente minha.
Mason se mexe em seu sono, e abre os olhos. Quando me vê, me dá o mais lindo dos seus sorrisos, mas como se tivesse percebido só agora que eu
estou acordada, ele dá um pulo da cadeira e vem me abraçar.
— Você acordou princesa! Como eu estava com saudades de ver
esses olhos! — ele fala me abraçando apertado em seus braços.
E ali, em seus braços me permito desmoronar, choro por tudo o que
irá acontecer, por tudo o que irei perder com a minha decisão, mas é para
manter as pessoas que amo a salvo, e por elas sou capaz de tudo, até mesmo
me jogar na toca do leão.
Em meio ao sono, escuto vozes de longe, mas não consigo abrir os
olhos, o cansaço é enorme, mas maior que o cansaço físico é o mental. É
querer saber o que aconteceu, tentar imaginar várias situações, mas nunca
conseguindo chegar a algo plausível.
Sinto uma mão macia acariciar meu rosto, sinto dedos passeando em
meus cabelos, reconheço de quem é essa mão, esse toque, só uma pessoa me
toca assim, com tanto amor, tanto carinho e eu tento a todo custo abrir meus
olhos.
Quando consigo abrir meus olhos, encontro um par de olhos castanho
me olhando e abro o maior sorriso, pois estou imensamente feliz por vê-la
acordada. como se eu me desse conta de que não estou sonhando, pulo da
cadeira a puxando para os meus braços, onde é o seu lugar.
Falo em seu ouvido, como estava com saudades de ver seus lindos
olhos, falo repetidamente o quanto a amo.
Ela me abraça forte, deixando cair um pranto sofrido, cheio de dor.
— Calma meu amor, estou aqui e nada vai te acontecer. Tente se
acalmar ou o médico terá que te dar um calmante.
Ela me puxa, até que me vejo deitado ao seu lado na cama, a abraço
apertado, e faço carinho em seus cabelos compridos que tanto me fascinam,
olho em volta do quarto, tentando achar à Baixinha, mas vejo que me deixou
sozinho com a minha princesa.
— Meu amor, para de chorar princesa, está tudo bem agora, você está
sentindo alguma coisa? Quer que eu chame o médico? Está com fome ou com
sede?
— Eu amo você Mason, amo tanto que às vezes chega a doer, nunca
duvide disso, cada segundo que passei ao seu lado foi te amando loucamente
e intensamente — ela diz em meu ouvido chorando.
— O que está acontecendo Duda? Por que parece que você está se
despedindo de mim? — pergunto, sentindo um medo enorme se apossar de
mim.
— Não está acontecendo nada meu amor, só senti vontade de dizer o
quanto eu te amo. Jessie me contou que estou aqui há seis dias, e que você
não saiu do meu lado um minuto se quer, que você não está se alimentando
direito. Minha cabeça está tão confusa, não consigo me lembrar de nada —
ela diz baixinho.
— Como assim não consegue se lembrar de nada?
— Tudo o que lembro é de você saindo para ir ao escritório, e eu me
deitando no sofá, depois não me lembro de mais nada, até acordar aqui nesse
quarto — ela fala confusa.
— Duda, a Baixinha teve que arrombar a porta da nossa casa porque
você não atendia. Ela te encontrou em meio a uma de suas maiores crises, ela
te trouxe para o hospital desacordada, sua pressão estava altíssima, e o seu
médico te deu um calmante para tentar normalizar a crise. Foram os piores
seis dias da minha vida princesa, nunca mais quero passar por isso.
— Quero ir para casa príncipe, para nossa casa, não quero mais ficar aqui, eles irão me entupir de remédios, me leva embora? — ela pede com a
voz manhosa, como uma menininha assustada.
Vejo Jessie entrar no quarto séria, e atrás dela o médico amigo de
Andrey.
— Olha quem resolveu acordar! Estava pensando seriamente em
trocar seu príncipe por outro, já que esse aí não estava surtindo efeito — o
médico fala fazendo graça.
Duda se esconde em meus braços, seu rosto se escondendo na curva
do meu pescoço.
— Não quero mais tomar remédio tio, e nem injeção. O Mason vai me
levar para casa e cuidar de mim, e a Jessie também cuidará — Duda fala, e
sua voz sai abafada.
— Olhe para mim menina manhosa — o médico pede sorrindo.
Duda mais parece uma menininha, como se ela tivesse voltado a ser
criança, já tinha percebido isso em sua outra crise, acho que o medo a faz
volta ao tempo em que ela era criança, e não tinha ninguém para cuidar dela.
Ela fica extremamente manhosa, só falta pedir colo.
— Você vai me dar injeção? — ela pergunta
— Não menina, mas sabe que precisamos conversar, não sabe? — ele
pergunta, e ela firma com a cabeça.
— Então pedirei ao seu príncipe rabiscado e sua fiel escudeira, que
aguardem lá fora, nós teremos uma conversa muito séria.
— Tem necessidade que eu saia mesmo? — pergunto.
— Sim meu rapaz, mas prometo não me demorar. E dependendo da
conversa, darei a alta para ela — o médico diz.
— Vou estar lá fora, e assim que ele sair eu entro ok?
— Promete que vai ficar aí na porta? — ela pergunta com medo.
— Prometo meu amor, e assim que ele der sua alta, nós iremos para casa — falo beijando seus lábios levemente.
Saímos do quarto, e enquanto Jessie senta-se em uma poltrona, eu fico
em pé ao lado da porta. Olho para a Baixinha e sei que ela quer falar alguma
coisa.
— Desembucha Baixinha.
— Ela está mentindo Mason! Mentindo descaradamente.
— Porque você acha isso Jess?
— Eu conheço a Duda há anos Mason, ela mente muito mal e sabe
disso. Por isso ela não nos olha nos olhos quando mente, pois ela é incapaz de
manter a mentira por muito tempo, ela está tentando proteger o Patrick, agora
me diz, do que?
— Ela também te disse que não lembra de nada?
— Disse, e não me olhou nos olhos, por isso te digo, com toda a
precisão que ela está mentindo.
— Agora basta a gente descobrir o porquê da mentira, ela me disse
coisas, que mais parecia uma despedida eu senti isso Jess, por tudo o que
tenho de mais sagrado, vou descobrir, nem que para isso eu tenha que ir ao
inferno atrás do Patrick, mas eu vou descobrir.
— Somos dois cunhadinho, e não sossegarei enquanto não tiver as
respostas para o que eu quero. Liguei para os meus pais, e disse que ela já
tinha acordado.
— Obrigado Baixinha, nem pensei nisso.
— Está preparado, para ter o sogrão acampado em sua casa? Meu pai
não sairá de lá, enquanto não vê que ela está bem. Ela nos deu um grande
susto, acho que esse foi o maior de todos e eles ficaram a paparicando, até
verem que realmente ela está bem.
— É até bom eles irem, assim se eu precisar sair posso ficar tranquilo
que terá alguém com ela. A casa é grande, e também tem os seguranças, ficarei bem mais tranquilo se vocês ficarem lá.
Como prometido, o médico não demorou muito, e pediu que a Jessie
entrasse e pediu para falar comigo.
— Mason, como você deve ter percebido a Maria depois de uma
crise, tem algumas atitudes que lembram a de uma criança, isso nada mais é
que o seu subconsciente, mostrando que agora ela tem quem cuide dela, pois
quando era pequena, foi abandonada e maltratada por quem deveria lhe dar só
amor, não pense você que é assim sempre, mas tem certas situações, que o
lado carente desse tipo de atenção irá aparecer, e esse é um dos momentos.
Ela está abalada demais com o que aconteceu, e te peço encarecidamente que
a faça ir às consultas e que volte a tomar os remédios regularmente. De resto
ela está liberada, só te recomendo muita atenção e paciência com ela esses
dias, se ela voltar a ter alguma crise, por menor que seja quero ser consultado,
aqui está o meu cartão, com todos os meus números e não hesite em me ligar,
não importa à hora, crises como essa tem que ser evitada a todo custo — o
médico me explica.
— Eu já tinha percebido que esse lado infantil, sempre aparece depois
de uma crise, não que eu tenha presenciado muitas, mas depois de uma, ela
fica extremamente carente, mas pode deixar doutor, paciência é o que mais
tenho, e em relação às consultas e os remédios, o senhor pode ficar
despreocupado. Muito obrigado por toda a atenção que o senhor nos deu, e se
eu tiver qualquer dúvida, pode ter certeza que ligarei.
— Tudo bem galã, passe na minha sala quando estiver indo embora,
que te darei a papelada de alta ela, e a nova receita dos medicamentos.
— Pode deixar doutor, passarei sim. E mais uma vez, obrigado por
tudo.
Me despeço do médico, e entro no quarto. Jessie está ajudando a
Duda a se levantar da cama.
— Mason, você pode chamar uma enfermeira para poder remover a
sonda? — Jessie pergunta.
— Claro, mas acho melhor ela ficar deitada para isso.
— Tudo bem então — Jessie diz.
Vou atrás de uma enfermeira, e peço para ela ir ao quarto, sou
atendido rapidamente. Fico esperando do lado de fora, enquanto a enfermeira
cuida da minha princesa, aproveito para ligar para o meu sogro, e avisar que
ela já recebeu alta. Eles que já estavam vindo para o hospital, ficam felizes
com a notícia, e combinamos deles irem para a minha casa, em vez de virem
para o hospital, assim que desligo o telefone, ligo em seguida para o chefe de
segurança da minha casa, e aviso que os meus sogros estão indo para lá, para
eles poderem liberar a entrada deles.
Assim que a enfermeira sai do quarto, eu entro e vejo Jessie brigando
com Duda.
— Deixa de manha Bonequinha, o que é que tem eu te ajudar no
banho?
— Quero que o Mason me ajude Jess, para de ficar brigando comigo
toda hora — Duda diz choramingando.
— O que está acontecendo aqui? Por que você está chorando meu
amor?
— Ela está cheia de manha, e não quer tomar banho para podermos ir
embora — Jessie diz rindo.
— É mentira dela! Eu só não quero que ela me de banho, quero que
você me ajude Mason.
— Tudo bem princesa, mas pare de chorar ok? Não gosto de te ver
chorando.
Pego ela no colo, e levo para o banheiro, ligo o chuveiro testando a
temperatura primeiro, depois tiro a camisola do hospital, e a coloco embaixo do chuveiro, ensaboo seu corpo delicadamente, lavo seus cabelos e enxáguo.
Ela fica quietinha, enquanto lhe dou banho, tão menininha.
— Pronto minha princesa, esta limpinha e cheirosa. Pronta para ir
para a nossa casa? — pergunto enquanto faço carinho em seus cabelos.
— Sim príncipe, quero me deitar na nossa cama. Estou tão cansada,
meu corpo parece que pesa uma tonelada.
— Então vamos trocar de roupa, e vamos para casa. Seus pais já
devem estar lá nos esperando, e sua mãe deve estar preparando a sopa que
você adora.
— A sopa da mamãe? — ela pergunta com os olhos esperançosos.
— Sim minha menina, a sopa da mamãe — falo para a minha menina
crescida.
E assim que ela se troca, vamos embora para casa. Passo na farmácia
primeiro e compro os medicamentos, sobre os protestos da minha criança
birrenta, depois sigo em direção a nossa casa, doido para esquecer esses seis
dias de merda que vivi.
Tomara que não aconteça mais nada, quero uns dias de descanso, só
quero cuidar da minha mulher em paz.