Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 11 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Fico pensando no que ela acabou de…

Fico pensando no que ela acabou de me falar, acho que ela nem se

deu conta do que disse de tão cansada que está.

Agora mais do que tudo, preciso saber o que realmente aconteceu,

mesmo doendo nela, e em mim também, eu terei que saber de tudo.

Irei me sentir um merda por insistir no assunto, mas tenho que

descobrir. De uma coisa eu já sei, essa Camila foi coadjuvante nos maus

tratos que a Duda sofreu a infância inteira.

Não consigo mais ficar deitado, está passando tanta coisa na minha

cabeça, penso em tantas maneiras de destruir, de acabar com essa raça. Até

mesmo usar as próprias mãos.

Penso em trancar essa Camila em algum lugar e fazer com ela, as

mesmas coisas que fizeram com a minha princesa. Essa história macabra

despertou em mim uma fera, capaz de qualquer coisa para trazer um pouco de

paz e justiça para minha menina.

Resolvo tomar um banho, já que sei que não conseguirei dormir. Irei

aproveitar e resolver minhas coisas no escritório.

Quando saio do banheiro dou de cara com a Duda toda espalhada na cama, completamente apagada.

Pego meu celular e o notebook, saio do quarto de mansinho, com

medo de que qualquer barulho que eu faça ela acorde.

Vou em direção a sala, e encontro Andrey sentado olhando umas

papeladas, Lia está na cozinha e a Jessie jogada no sofá mexendo no celular.

Coloca minhas coisas na mesa, e me sento perto da Jessie. Ela me

olha curiosa e decido começar a minha investigação por ela.

— Preciso de tudo o que você sabe, sobre a Camila, Baixinha! —

peço porque sei que ela sabe de toda a história.

— A Duda conseguiu dormir? — ela pergunta tentando desconversar.

— Sim, agora responda Jessie — A pressiono, se ela pensa que irá

fugir esta enganada.

— Por que você quer saber desse filhote de cruz credo com Deus me

livre? Não tenho nada de bom para falar dessa vadia — diz ela

— Quero saber porque foi essa desgraçada que a Duda viu no

shopping. Quero saber porque no pesadelo que a Duda teve, em um

determinado momento ela só falava esse nome Camila — respondo com

raiva.

— Alguma coisa me dizia que tinha sido ela que a Duda tinha visto,

porque ela e a maldita da mãe são as únicas que conseguem desestruturar a

Bonequinha — diz Jessie com raiva.

Lia entra nesse momento na sala, olha para nós e vê que estamos

conversando algo sério, ela dá meia volta para a cozinha, e dois minutos

depois ela volta, e se senta ao lado de Andrey.

— Vamos lá, continuem a conversa! Quero saber do que estão

falando — diz minha sogrinha

— Estou pedindo para a Jessie me contar tudo o que sabe sobre a

Camila. Foi ela que a Duda viu no shopping — respondo para a dona Lia.

— Eu sabia que essas vagabundas voltariam, eu falei Andrey, e você

não quis acreditar em mim. Disse que você saberia disso, que iriam te avisar!

Minha bunda que avisaram Andrey — minha sogra muito puta da vida, grita

para Andrey.

— Lia! Gritar comigo não vai adiantar em nada. O meu amigo, que

estava de olho neles, não me disse nada — diz meu sogro tentando acalmar a

esposa.

— Esse seu amigo é um pau no cu, eu deixei avisado para a Margô

que se ela chegasse perto da minha menina eu a matava! Já pode ir

preparando a minha defesa, porque irei matar essa demônia — diz minha

sogra revoltada

— Lia no momento temos quer pensar com calma temos que saber o

porquê deles terem voltado. Temos que descobrir o porque de tanto ódio pela

Duda, esse é o ponto principal da lista. Temos que investigar isso, alguma

coisa me diz que tem sujeira embaixo disso tudo, e sujeira das grossas — falo

alto para todos ouvirem.

— Eu sei que o que você está falando é verdade Mason, mas não

consigo ficar calma perante a esse assunto. Você não viu como essa menina

chegou a nossa casa. Ela tinha os olhos vazios, sem expressão, uma tristeza

sem fim. Ela estava pele e osso, cheia de hematomas — diz dona Lia

chorando

— Mas ninguém viu? Como uma criança é espancada diariamente e

ninguém vê! Isso é impossível de acreditar. Eles são ricos não são? Então

tinham empregados! Como eles viram tudo isso acontecer e nunca

denunciaram! — falo exaltado

— Mason, uma vez ela apareceu na escola em pleno verão toda

encapuzada, calça grossa, blusa de gola e casaco de moletom daqueles

grossos, eu estranhei e ela disse que estava sem roupa limpa, e eu peguei uma camiseta do uniforme que eu tinha de reserva no armário. A puxei para o

banheiro contra a vontade dela, quando puxei seu casaco fiquei horrorizada,

não tinha um lugar em seu corpo que não estava marcado. Quando cheguei

em casa, contei para os meus pais o que tinha acontecido. Acho que foi logo

quando nos conhecemos — responde Jessie

— Logo que minha filha me contou, resolvi, me tornar uma falsiane

de primeira e me aproximei da mãe da Duda. Eu pensei que se eu fosse

próxima dela e a Jessie frequentasse a casa delas, os abusos iriam parar. E até

que parou, mas só parou os abusos físicos, porque os emocionais

continuaram. Até que um dia, cheguei e peguei Camila fazendo cena,

ninguém estava vendo somente eu, eu a vi se arranhando, e gritando socorro,

ela rasgou o vestido que usava enquanto gritava para a Duda parar, eu apareci

na hora que a Margô apareceu com a cinta, e segurei seu braço impedindo

que a minha menina apanhasse sem culpa nenhuma. Falei o que tinha

acontecido, e deixei bem avisado que se daquele dia em diante a minha

menina aparecesse com um arranhão, eu iria acabar com as duas — desabafa

Lia

— Eu mesmo fui lá e me apresentei, disse que era advogado de nome

no mercado, que conhecia vários juízes e tinha vários contatos importantes, e

que não pensaria duas vezes ante de foder com eles. Mas estávamos

enganados, a pior coisa para a Duda não foi as surras diárias, e sim o abuso

mental, essa menina quando chegou em nossa casa estava destruída Mason,

ela tinha pesadelos horríveis, ela nos contou tudo, tudo o que aquelas duas

faziam com ela, era cada absurdo que a minha vontade era de colocá-las em

um paredão e metralhar as duas, tamanho era o meu ódio — diz Andrey

— Eu contratei um investigador e ele levantou muita coisa suja sobre

a Margô e seu marido, eu ainda tenho esses papéis em casa, e te entregarei

assim que eu chegar lá — diz Andrey

— Gostaria disso Andrey, tenho um amigo que mexe com essas

coisas, irei ligar para ele hoje mesmo.

Jessie só sabe me olhar, parece que quer me falar alguma coisa.

— Eu vou resolver algumas coisas do escritório, delegar algumas

coisas e em seguida irei tirar pelo menos dez dias de férias, e levarei a Duda

comigo. Ela precisa de um tempo longe de toda essa confusão, só vou esperar

o aniversário da minha avó que é nessa próxima quinta-feira — anúncio meus

planos

— Você está certo meu bem, viajar vai fazer muito bem para a minha

menina. Ela precisa se preparar para tudo o que está por vir — diz dona Lia.

— Para onde você pretender ir? — pergunta Jessie

— Tenho uma casa de praia, não muito longe daqui mais ou menos 3

horas de viagem. Só não vou antes porque me comprometi com a minha avó,

aliás, minha avó convidou você Jessie, a Duda falou tanto de você que ela

ficou curiosa. Aliás, estendo o convite para vocês também sogrão e sogrinha.

— Mas você é muito engraçadinho garoto. Cuidado uma hora dessas

perco a paciência e te dou uns cascudos — diz meu sogrão puto da vida,

adoro perturbar ele.

— Mason, antes de você fazer qualquer coisa, preciso ter uma

conversa com você em particular — pPede a Baixinha

— Claro Jessie.

Ela se levanta e vai caminhando em direção ao seu quarto. Ela para e

abre a porta do quarto da Duda e olha para a minha princesa, cochicha algo e

sai e eu sigo atrás, entro em seu quarto e ela me pede para sentar, e vai mexer

em alguma coisa no guarda roupa.

— Quero te dizer que ninguém sabe desses papéis, nem mesmo meu

pai sabe que tenho isso, eu pensei que nunca iria precisar usar, que tudo tinha

acabado, que nós nunca mais iríamos ver essa gente de novo. Sei que o que fiz foi errado, mas fiz pensando na minha irmã, não queria trazer tudo para

sua vida novamente, mas não vejo mais saída a não ser mexer nesse vespeiro

— desabafa ela

— Jessie, o que tem nesses papéis que está te deixando assim,

temerosa? — pergunto não gostando da sua cara

— Eu não irei falar, deixarei que você olhe por si próprio. Pelo que eu

entendi isso só é a ponta do iceberg, depois de ler você terá pelo menos um

pingo de noção do que virá pela frente. Não mostrei para ninguém porque,

quando descobri a Bonequinha estava bem, ao seu modo estava feliz e longe

de todos que lhe fizeram mal.

Pego os papeis de sua mão, e vou olhando devagar prestando atenção

em todas as palavras e fotos.

A cada segundo que passa, fico abismado com o que eu vejo. Isso

aqui realmente é só a ponta do iceberg, mas é o pontapé inicial com grande

estilo.

— Jessie você tem noção do que você tem em suas mãos? Isso é

dinamite pura! Eu entendo a sua intenção, mas você poderia ter mostrado

para o seu pai, ele saberia o que fazer e para onde partir. Eu irei ligar para

esse meu amigo, e pedirei para ele me encontrar na minha casa.

— Eu preferi guardar essa informação, estava tudo bem, tudo calmo

sabe, eu nunca imaginaria que elas iriam voltar. Mas de onde isso saiu tem

muito mais Mason, esse meu amigo é foda ele tira leite de pedra, se na época

ele era bom, imagina agora mais velho — diz Jessie

— Perfeito, liga para ele e peça para ele se juntar a nossa empreitada

de caça às bruxas. Vou foder com elas Jessie, isso é uma promessa.

— Ele não gosta de aparecer Mason, mas ele nos ajudará no que for

preciso.

— Que seja, toda ajuda é bem-vinda. Eu acabarei com elas, nem que para isso eu tenha que mover o mundo!

— Cunhadinho já sou sua fã! — diz Jessie batendo palmas

— E aí topa passar uns dias na minha casa? — pergunto sorrindo

— Porra só se for agora cunhado!

— Maluquinha! Preciso descansar um pouco, essa noite foi punk.

Seus pais irão embora hoje? — pergunto

— Sinceramente não sei Mason, quando a Duda tem crises assim, eles

costumam ficar uns dias chocando o pinto igual à galinha faz — diz ela rindo

— Não tem problema, você fala com eles que iremos para minha

casa, lá é maior, tem meu escritório a onde posso me trancar com o meu

amigo, e tem várias coisas para vocês se ocuparem — digo para ela

— Se você me disser que tem piscina, me mudarei para o seu palácio!

— Então não falarei, não tenho mentalidade para te aturar Jessie —

digo rindo

Saio do seu quarto rindo, menina doidinha da Silva.

Pego meu celular e procuro o número do meu amigo, nós estudamos

juntos era eu ele e o Zack. O trio parada dura, nos afastamos um pouco

depois que ele entrou para a polícia.

— Alô! — atende ele

— Pet é o Mason, tudo bem? — pergunto

— Porra Mason Pet é foda, você não esqueceu isso ainda? — diz ele

rindo

— Nunca, mas vou direto ao assunto, preciso de seus serviços para

ontem. Pago qualquer quantia, mas preciso de você na minha casa, amanhã

depois do almoço. —Solto logo tudo de uma vez

— No que você se meteu cara? E em relação a me pagar, enfia seu

dinheiro no rabo viadinho.

— Eu não me meti em nada, mas uma pessoa muito importante para mim sim — respondo

— Beleza então, amanhã estarei lá sem falta. Fica com Deus irmão.

Ele desliga e eu respiro mais aliviado, pois sei que posso contar com

ele. Mesmo se ele não puder se envolver na história, ele poderá me direcionar

no caminho certo.

Sinto o sono chegando, então mando uma mensagem para o Zack e

peço para ele avisar lá no escritório que mais tarde ligarei e explicarei tudo.

Depois disso, entro no quarto tiro minha roupa, ficando só de cueca e

me deito ao lado da minha princesa.

Trago ela para os meus braços e fecho os olhos.

Amanhã darei início aos meus planos, e ninguém conseguirá me

segurar. Eles iram conhecer quem é Mason Black.