Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 10 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Sinto o corpo dela relaxando, e agradeço…

Sinto o corpo dela relaxando, e agradeço a Deus por isso.

Tudo o que a minha princesa precisa no momento é descansar, ela

passou por muita coisa hoje.

Amanhã irei resolver algumas coisas pendentes no escritório, deixarei

alguém responsável no meu lugar. Com a boate nem me preocupo, porque

sei que estará em boas mãos com Zack.

Tenho que ligar para o caseiro da minha casa de praia, e pedir para ele

abastecer a geladeira e os armários.

Depois do aniversário da minha avó, irei sequestrar minha princesa

por pelo menos uns dez, quinze dias. Tudo o que ela precisa no momento é de

paz e sossego, e eu também preciso disso.

Tive um ano de merda, tendo que resolver cagada dos outros, mas não

reclamo, porque encontrei um bando de gente esperta que estavam tentando

passar a perna em mim.

Olho para minha gatinha deitada em meu colo, e fico pensando em

tudo o que ela passou, fico imaginando o grau da crueldade em que ela foi

tratada.

Pensar nisso me dá um ódio, fico imaginando o porquê de tudo o que

fizeram com ela.

Eu tive uma vida de merda, mas nada perto do que a minha menina

deve ter passado. Minha mãe foi uma porcaria de mãe, ela é até hoje. Uma

mulher que prefere um homem que a usou, que a humilhou e ao próprio filho

também.

Tudo para ela gira ao redor do meu pai, um pai esse que, sempre fez

de tudo para me humilhar, me menosprezar. Um bosta de pai!

Mas perto do que a Duda deve ter vivido, minha história se torna um

conto de fadas.

— Jessie, você pode, por favor, abrir a porta do quarto? — pergunto

para a Baixinha

— Claro Mason!

Espero ela ir à frente, e me levanto.

Sigo para o quarto, e quando entro vejo a Baixinha arrumando a

cama.

— Ela gosta de dormir do lado direito, e com o cheirinho dela

embaixo do travesseiro — diz Jessie

— Cheirinho? — pergunto

— É a única coisa que ela trouxe daquele inferno de casa, não me

pergunte o porquê disso, porque também não sei. Meu pai comprou um

igualzinho para ela quando veio morar com a gente, mas foi perda de tempo

— responde Jessie

— Entendi, quando ela acordar perguntarei sobre isso — digo

— Bem vou nessa, se precisar de qualquer coisa é só chamar, meu

quarto e o da frente — ela fala

— Obrigado Baixinha, tenha uma boa noite — falo para Jessie

— Boa noite Mason, e obrigado.

— Por que está me agradecendo Baixinha? — pergunto curioso

— Obrigado por estar com ela, obrigado por cuidar e se preocupar

com ela, ela pode estar meio perdida no momento, mas quando ela se

encontrar será magnífico — ela responde e vai embora.

Eu olho mais uma vez para minha menina, e depois pego minhas

coisas e vou tomar um banho, entro embaixo do chuveiro, e deixo a água

quente lavar todo o dia de merda que tive hoje, fico embaixo da água quente,

até sentir meu corpo relaxando, hoje o dia parecia ter mais que vinte e quatro

horas, termino meu banho, me seco e coloco só uma cueca boxer. Vou até a

porta e verifico se está fechada.

Deito-me ao lado da minha princesa, e a puxo para os meus braços.

Ela respira fundo como se quisesse inalar meu cheiro. Ela encaixa seu rosto

em meu pescoço e suspira, fico mexendo em seus cabelos, até que sinto meus

olhos ficarem pesados, tento lutar contra o sono, para ficar velando o dela,

mas não consigo e acabo dormindo

No meio da madrugada, acordo assustado com um grito. Levanto-me

e olho para o lado e o que vejo me quebra ao meio.

Duda está toda encolhida, chorando com as mãos escondendo a

cabeça, como se tivesse se protegendo.

Presto atenção no que ela está falando. — Por favor, não me bate, eu

não fiz nada... Está doendo mamãe não faz isso... Por que a senhora não

gosta de mim? Me ajuda mãe estou sangrando... Ela está mentindo, ela que

quebrou e está colocando a culpa em mim... Chega está doendo, não me

bate eu imploro... — Não... não... não... por favor, não.

Tudo isso é acompanhado pelo choro da minha menina, ela chora

compulsivamente. É como se ela tivesse vivenciando tudo novamente.

Sinto meu rosto molhado, e percebo que estou chorando junto com

ela.

Ela se contorce, como se estivesse sentindo dor, tem horas que ela

chora baixinho e têm outras que ela solta gritos de dor.

Tento acordá-la, mas ela não dá sinal de estar me ouvindo.

— Ei minha princesa acorda, olha para mim Duda, acorda gatinha é

só um sonho mal, nada mais vai te acontecer. — Tento acordá-la, mas sem

sucesso.

Às vezes eu encosto nela, e ela grita de dor, é como se ela tivesse

sentindo tudo novamente.

Ela continua falando e chorando: — Por favor, não me tranca aqui eu

tenho medo do escuro... Socorro me tira daqui... Era meu, e ela rasgou...

Está doendo, por favor, não me bate... Eu estou com fome, minha barriga

está doendo... Porque você faz isso, somos irmãs...

Tudo o que ela fala, aos poucos vai me quebrando. Sinto tanto

sentimentos revoltantes ao mesmo tempo, raiva, nojo, ódio e vontade de

matar essa vagabunda.

Ela fala uma coisa que termina de acabar comigo: Você é meu pai

deveria me amar e me proteger... O que eu fiz para vocês me tratarem assim?

Por que não me mata logo?

Não aguento mais escutar isso, eu a pego em meus braços e a sacudo

para ver se ela acorda. Não consigo escutar mais nada, dói na alma ser

espectador desse sofrimento todo.

Com ela em meus braços, choro por tudo o que aconteceu, choro

porque estou impotente no momento, choro por ver minha menina tão frágil,

quebrada, choro por sentir pena de tudo o que ela passou tão nova. Quem faz

isso? Quem tem a coragem de maltratar uma criança?

Sei que esses abusos e espancamentos acontecem desde quando ela

era nova, por que a voz que ela faz é de uma menininha. É como se ela

voltasse a ser aquela criança novamente.

Fico com ela em meus braços, balançando como se fosse um bebê.

Aos poucos o choro vai acalmando. Até que só restam os soluços.

Ela chorou tão sentida, tão sofrida. E eu nada pude fazer, para que

parasse o inferno que estava passando em seu pesadelo, assisti todo o seu

sofrimento, sem poder fazer nada.

Eu vou encontrar quem fez isso, e irei acabar com todos. Mas no

momento só quero cuidar da minha mulher.

 

Vejo-me em meu antigo quarto novamente, com roupas esfarrapada e

meu cheirinho na mão.

De repente a porta se abre, e vejo minha mãe entrando com uma

sinta na mão.

— Bem Maria Eduarda o que você aprontou com a sua irmã, que ela

está chorando e com o rosto marcado. Você gosta de bater? Então você vai

apanhar.

E ela me bate, antes mesmo que eu consiga me defender, grito de dor,

a cada cintada é um grito, a cada cintada, uma marca que rasga em meu

corpo frágil. Eu deveria ter no máximo sete anos, não me lembro.

Depois me vejo trancada em um lugar escuro, sinto um medo terrível,

sinto meu corpo doer por causa da surra que levei, sinto o gosto metálico do

meu próprio sangue na boca.

Lembro-me de sentir muita fome e medo. Só me lembro de sentir isso,

fome, dor e medo.

Eu choro com medo, choro porque minha barriga dói de fome e choro

de dor, pela surra que levei sem ter culpa, choro por estar trancada em um

lugar escuro e sujo, e choro acima de tudo por não saber o porquê de tanta

maldade.

De repente a cena muda, e esta minha mãe com a cinta na mão

novamente, meu pai ao seu lado e Camila ao lado deles com um sorriso no

rosto.

— Você não cansa de apanhar Maria Eduarda? Você não cansa de

provocar e bater em sua irmã? — pergunta minha mãe.

— Eu não fiz nada mamãe, ela que rasgou o meu desenho e depois se

arranhou dizendo que falaria que tinha sido eu, mas eu não fiz nada eu juro.

— Quem jura mente garota, você acha que eu vou acreditar em

você? Você acha que a sua irmã é maluca de se alto machucar. Você acha

que irei acreditar nisso?

— A senhora nunca acredita em mim, sempre acredita nela, mesmo

vendo que ela está mentindo. E o senhor papai, que deveria me amar e me

defender disso tudo, mas não faz nada. Por que vocês não me matam de uma

vez? Assim ficariam livres de mim. Eu não recebo nada além de surras, a

Camila faz tudo para que eu apanhe, ela ganha tudo, as melhores roupas, os

melhores brinquedos e eu? Eu não ganho nada além de cintadas. Eu sou a

melhor aluna da minha sala, eu só tiro as melhores notas e não ganho nem

um parabéns.

— Você está respondendo a nós, seus pais? Quem você pensa que é

menina? Você quer morrer? Mas não irei acabar com a sua vida assim, você

vai sofrer, você vai apanhar para deixar de ser insolente. Sobre ser a melhor

aluna, você não faz mais que a sua obrigação, pagamos uma fortuna para

aquela escola. E sua implicância com a Camila termina aqui e agora.

Ela levanta o cinto para me bater e eu me encolho toda, mas a

cintada não vem. Quando olho para cima vejo minha irmã segurando sua

mão.

— Mãezinha, o cinto não está mais adiantando, ela já se acostumou,

por que a senhora não pega um pedaço de fio? — diz Camila

— Será que é isso? Mas aonde irei arrumar um fio? — pergunta

minha mãe olhando para o meu pai, ele dá com os ombros, que pais são

esses? Que família é essa, que discute a melhor forma de me machucar?

Sinto uma vontade enorme de morrer, como eu rezava para que em

uma dessas surras diárias ela me matasse, só assim meu sofrimento

acabaria.

— Eu sei aonde tem um mamãe, até trouxe porque sábia que iria

querer — diz Camila

Ela entrega o fio para minha mãe, e ela dobra ao meio para ficar

mais grosso, e então começa a me bater, ela bate em minhas pernas,

braços, costas, cabeça, ela não mira em um lugar específico. Ela só vai

batendo, e eu choro, grito pedindo pelo amor de Deus para ela parar.

Eu grito até que não sinto mais nada, e vejo tudo escuro.

E é nesse escuro que eu me apego, porque nele não sinto dor.

Sinto o meu corpo ser sacudido, sinto uma voz me chamando, mas o

escuro está tão bom.

Acordo sentindo meu corpo ser balançado, levanto a cabeça e vejo

Mason com o rosto banhado de lagrimas, falando chega, chega, chega.

É então que percebo que tive mais um pesadelo, e ele presenciou todo

o pavor que senti.

Ele está chorando por mim, ele está sentindo minha dor.

Viro-me de frente para ele, e abraço o seu pescoço. Ele me abraça tão

forte que fico sem ar por uns minutos.

— Por favor, por favor, eu imploro, por favor, para de chorar, você

está acabando comigo meu amor — peço destruída de ver um homão desses

chorando.

— Só me abraça forte princesa só isso. Preciso sentir você em meus

braços, sentir que você está segura — pede ele

E assim ficamos um nos braços do outro por longos minutos. Ele uma

vez ou outra beija meu pescoço e alisa meus cabelos.

— Você teve um pesadelo bebê, eu nunca mais quero ver isso

novamente, me partiu em milhões de pedaços presenciar tudo o que você

passou. Sei que ainda tem muito mais, sei que preciso saber de tudo, mas por

agora prefiro esquecer tudo isso, só quero sentir você assim, agarrada a mim

— diz ele chorando.

Eu fico sem palavras, o que sentimos um pelo outro é intenso demais.

Ele está destruído pelo que passei, e eu estou acabada por ver ele assim.

Ele se deita comigo em cima dele, e fica alisando minhas costas, sinto

meus olhos pesados, minha cabeça está doendo muito.

Eu levo a mão em minha cabeça, massageando minha testa para ver se

alivia.

— Sua cabeça está doendo? — pergunta ele

— Sim, toda vez que tenho esses pesadelos, minha enxaqueca

ataca — respondo de olhos fechados

— Aonde está seu remédio? — pergunta

— Em uma caixinha em cima do armário da cozinha, é um vermelho.

— Tá bom, fica aqui quietinha que eu vou buscar — diz ele me dando

um selinho.

Ele levanta e vai buscar e alguns minutos depois ele volta, e me

entrega três comprimidos e um copo d’água.

Tomo os remédios e lhe entrego de volta o copo.

Ele se deita ao meu lado, e me puxa para deitar em seu peito. E assim

ficamos por horas, eu não consigo dormir e ele também não.

Varamos a noite assim, um nos braços do outro, mas cada um com

seus pensamentos.

Viramos a madrugada conversando, e sinceramente estou caindo de

sono, mas sigo determinado em lhe fazer companhia.

Eu lhe dei um advil para a enxaqueca, e dois calmantes, e é como se

ela não tivesse tomado nada. Ela está com aqueles olhos lindos de jabuticaba,

estalados olhando para mim.

Estou começando a ficar preocupado, eu dei a ela dois comprimidos

que a Jessie me deu e disse que ela apagaria. Mas ela está mais que acordada.

É nítido o seu cansaço, seu rosto abatido, seus olhos caídos.

— O que foi, minha princesa? Está sem sono?

— Sinto meu corpo pesado, minha cabeça pesada, mas minha mente

está a mil por hora. O sono vem, mas quando fecho os olhos, pensando que

vou conseguir dormir, minha mente me prova o contrário...

— No que tanto essa cabecinha pensa? — pergunto alisando seus

cabelos

— Em tudo e em nada ao mesmo tempo. Penso em tudo o que me

aconteceu e ao mesmo tempo minha mente fica em branco, penso na volta dessa raça à minha vida e no que poderá acontecer, fecho os olhos e minha

mente não para. Fico relembrando tudo o que eles fizeram, minha mente está

como eu, uma bagunça, confuso né?

— Gatinha você tem que tentar parar de pensar nisso, pense em coisas

boas, no que você nunca fez e que gostaria de fazer? Tipo viajar, conhecer

lugares novos, me diz para aonde você gostaria de viajar? — pergunto

tentando desanuviar sua mente daquela família desgraçada.

— Viajar! Nossa eu amo conhecer lugares novos, viajei pouco, mas

só pelo Brasil mesmo, o Brasil tem tantos lugares lindos, tanto a se explorar,

eu sou louca para conhecer Porto de Galinhas, dizem que é lindo, Chapada

Diamantina na Bahia, Jericoacoara no Ceará, os lençóis Maranhenses,

Chapada dos Guimarães no Mato Grosso, o Brasil é tão lindo, mas tão

inexplorado. Quando você pergunta para alguém, para onde eles querem

viajar, a primeira resposta e para o exterior, sendo que em nosso País tem

lugares maravilhosos — diz ela toda empolgada

— Isso é verdade, o Brasil tem lugares esplêndidos. Mas e fora do

Brasil? Tem algum lugar que você gostaria de conhecer?

— Lógico que tem, não serei hipócrita, eu adoro história,

arquitetura. Gostaria de conhecer vários lugares, mas os que mais me

encantam são a Itália e a Grécia. A Itália por ser a cidade do amor, tem o

Coliseu de Roma, Torre de Pisa, a Fontana di Trevi, Ponte dos Suspiros, Ilha

de Capri, quero conhecer os vinhedos e navegar pelos canais de Veneza. A

Grécia tem todas aquelas histórias sobre os Deuses Gregos, tem aqueles

museus magníficos, Os Templos de Zeus e Poseidon, tem aquelas ruínas

maravilhosas de Delfo, Espartas e Creta. Quero conhecer as Ilhas de

Santorini, Corfu, Jônicas. As cavernas Melissani, o Monte olímpico, quero ir

ao festival Helênicos. É tudo tão rico de história e lendas — diz ela com os

olhos brilhando de animação.

Dizem que os olhos são o espelho da alma, e hoje pude comprovar

isso, ela fala das coisas que gosta com tanto amor, Duda é uma pessoa que

fala com a alma, e é lindo de se ver. Quero sempre poder ver ela assim,

animada, apaixonada, entregue. E se depender de mim nada e nem ninguém

chegará perto dela para apagar a luz que ela tem.

— Desculpa, falei demais né, você deveria estar dormindo não

acompanhando minha insônia — diz ela rindo

— Eu adoro ver você assim, empolgada, apaixonada, eu já viajei para

vários lugares, Nova York, Japão, Londres, Tailândia. Não tive muito tempo

para conhecer ao redor, pois fui a trabalho, o lugar que mais gostei foi Miami

por causa das praias lindas e também porque foi o lugar que fiquei mais

tempo — digo para ela

— Miami né, seu espertinho. Praia, aquelas mulheres gostosas

fazendo topless, com aqueles peitões siliconados de fora. Você nunca mais

irá para Miami, não deixo, eu arranco os seus olhos e seu pau Mason

Black — diz ela toda bravinha, não sei como ela mudou de assunto tão rápido

— Ei, ei, ei, como nossa conversa foi parar com você cortando meu

pau? — pergunto rindo.

— Você é muito safado Mason, dizendo que gostou mais de Miami,

homem é tudo igual, não podem ver um par de peitos que já ficam babando

— diz ela quase gritando, ela está toda ciumenta possessiva sem motivo

algum, eu nunca falei que era por causa de mulher que gostava de Miami, ela

fica muito fofinha com ciúmes.

— Maria Eduarda você me respeite, não tem o porquê você me

chamar de safado sendo que, nunca disse que olhava para mulheres fazendo

topless, quem disse isso foi a senhora ciumenta, ou seja, você. Mas não se

preocupe gatinha, eu irei levá-la para você conhecer e fazer o topless só para

mim — respondo rindo.

Não resisto, e em plena seis e meia da manhã, aqui estou eu

gargalhando alto porque a minha princesa, está morrendo de ciúmes de algo

que nunca aconteceu, a vejo levantar da cama e começar a andar de um lado

para o outro, me xingando baixinho e falando vários palavrões. É muito

engraçado.

— Quer saber Mason Black, vai se catar — diz ela saindo do quarto e

batendo a porta toda nervosinha e eu? Eu gargalho alto.

Salto da cama, e vou correndo atrás dela, quando entro na sala dou de

cara com a família inteira, e só me dou conta que estou de cueca quando meu

digníssimo sogrão dá um pulo do sofá e começa a xingar.

— Caralho! Moleque, você está passando dos limites! Andando de

cueca na minha casa, você perdeu a vergonha ou nunca teve? — pergunta

meu sogro

— Desculpa sogrão, pensei que estaria todo mundo dormindo, só vim

buscar a minha mulher ciumenta — respondo dando risada do seu piti.

— Agora já sabe que estamos acordados, vaza e vai colocar uma

roupa. E minha filha está bem onde está — diz ele

Dou as costas para eles, e volto para o quarto, mas consigo escutar

minha sogrinha falando de mim e o Andrey brigando com ela.

Entro no quarto e coloco uma bermuda e uma camisa regata, e vou

atrás da minha ciumenta.

Quando chego à sala, encontro ela sentada no sofá conversando com a

Jessie. Ela está caindo de sono.

— Ei princesa ciumenta, vamos deitar para ver se você consegue

dormir? — a chamo.

— Vai se ferrar Mason, porque você não dorme e sonha com aquelas

loiras falsas, com aqueles peitos falsos de fora e me erra hein? — diz ela toda

petulante

— Que história é essa de loiras peitudas e peladas filha? — pergunta

minha sogra

— E isso mesmo mamãe, ele adora ir pra Miami para ver aquelas

quengas desbundadas, fazendo topless — diz Duda irritada

— Porra Miami é vida, garoto você é esperto — diz meu sogro dando

risada

— Ah então Miami é vida Andrey? É vida por que tem um monte de

mulheres de peito de fora? Também adoro Miami, sabe filha ver aqueles

homens fortes, malhados, com aquela barriga de tanquinho com trezentos

gominhos. Realmente Andrey Miami é vida — diz minha sogra brava.

Essa família é realmente louca, eu juro que não falei nada disso. Eu

gosto de lá porque surfo, prático Crossfit.

Tenho uma casa em Miami, e sempre que posso fico uma semana lá.

— Eu não falei nada disso princesa, disse que gosto de Miami por

causa das praias, porque gosto de surfar, nunca nem reparei em porra

nenhuma de mulher fazendo topless. Esse ciúme é sem fundamento, acho

bom a senhorita parar de graça, porque se não vou encher a sua bunda de

tapas — falo bravo

— Esse tipo de tapa ela adora Mason! — diz Jessie tirando sarro

— Que porra é essa de bater na bunda da minha filha? Eu não preciso

saber das intimidades de vocês, que falta de respeito. Para mim elas são

virgens! — diz meu sogrão

— Papai o senhor acredita em papai Noel também? — pergunta a

Baixinha caindo na gargalhada

— Chega pessoal! Vamos tomar café, já está tudo pronto, Jessie não

provoque seu pai menina — diz dona Lia

Eu olho para o relógio, e confirmo espantado que já são quase sete

horas da manhã. Estendo a mão para ajudar minha princesa se levantar. Ela me olha desconfiada, mas aceita minha ajuda.

Eu a puxo para meus braços, e lhe dou um beijo lento cheio de

significado.

— Para de bobeira gatinha, esses ciúmes não têm cabimento, sou

louco por você, você é a única mulher que habita meus pensamentos — falo

olhando seus olhos

— Desculpa príncipe, sei que é bobeira, mas não consigo evitar — diz

ela cabisbaixa

— Sei que tivemos outras pessoas no passado, sei que haverá várias

brigas por ciúmes, mas vamos deixar as brigas para quando acontecer algo

sério está bom? Eu sou ciumento, possessivo, você também não fica atrás

pimentinha.

— Pimentinha? — pergunta ela rindo

— Sim, minha pimentinha, forte e ardida, você fica linda quando está

com ciúme — falo dando vários selinhos nela.

Ela abre um sorriso lindo, eu sou suspeito para falar, mas ela é toda

linda, essa boca carnuda quando sorri me enche de alegria. Estou viadinho

né? Mas foda-se, sempre tem a primeira vez

— Vamos tomar café princesa, e depois um banho quentinho e cama.

Pode ser? — pergunto

— Tudo bem príncipe, estou morta com farofa — diz ela rindo

E assim passamos metade da manhã. Sentados ao redor da mesa da

cozinha, conversando e rindo das palhaçadas da Jessie, dos pitis do Andrey e

das graças da dona Lia.

Eu por ter crescido sozinho, só eu e minha mãe acho muito engraçado

essa família, é a melhor. Há muito amor, e companheirismo envolvido, é

óbvio para quem quiser ver.

Vejo Duda dando umas piscadas longas, e me aproveito disso para levá-la para o quarto.

Peço licença a todos, e a levo direto para cama, deixando o banho

quente para depois

A deito na cama, e a puxo para os meus braços, ele me respira e eu a

respiro.

Ela aos poucos vai relaxando, sua respiração vai ficando lenta, e

agradeço a Deus quando vejo que ela realmente dormiu.

Fecho meus olhos para descansar um pouco, porque tenho que

aproveitar enquanto ela está dormindo, para resolver alguns dos problemas

para enfim poder viajar com ela.

Mason? Eu a vi no shopping. Vi a Camila minha irmã, então se ela

está aqui é sinal que minha mãe também está, e se realmente for verdade, ela

voltou para cumprir a promessa que fez, a promessa de me matar — diz ela

com a voz mole de sono.

Meu sono evapora, sinto meu sangue bombear mais rápido em minhas

veias com a adrenalina. Agora sei quem ela viu, sei quem foi o culpado de

aterrorizar a minha mulher, ao ponto de deixá-la tão mal que está precisando

fazer uso de calmante.

Agora que sei quem são, a verdadeira caçada começa e eu sou um

caçador impiedoso. Está decretada a caça às bruxas.

Que comecem os jogos!!!