Um Longo Caminho a Dois: Volume 1
Meu nome é Jessie L'aqua Fagundes e…
BÔNUS
Meu nome é Jessie L'aqua Fagundes e tenho 24 anos, minha altura
não irei revelar, sou extrovertida não levo desaforo para casa, posso ser
Baixinha (meio que revelei minha altura né), mas enfrento tudo e todos de
frente.
Um amor? Bem além dos meus pais (é obvio), o amor da minha vida
se chama Maria Eduarda García minha melhor amiga no mundo inteiro.
Você deve estar pensando... Hum, essa daí tem uma paixão platônica
pela amiga!
Eu te respondo: Véi você tem a mente podre e não deve ter um
amigo!
Meu amor pela Duda não é carnal, é como se já nos conhecíamos de
outra vida. É um amor puro magnânimo. Eu dou minha vida por ela.
Vou explicar um pouco como nos conhecemos.
Eu tinha 9 anos quase 10 (foque em quase 10 por favor). Estava na
terceira série, eu era a menina mais encapetada que tinha naquela escola. Tipo
todo mundo queria ser meu amigo porque aprontava horrores, vivia fazendo piada de todos os professores e imitava Deus e o mundo.
Direto minha mãe era chamada na escola. Só não fui expulsa porque
minhas notas eram as melhores (eu estudava está pensando o quê). Nem tudo
era farra.
Nesse dia meu pai me levou a escola, porque minha mãe não queria
passar carão com os professores (tudo isso porque coloquei umas baratinhas
de jardim na bolsa de canetas da professora Silvia).
Mas continuando, meu pai foi me dando sermão o caminho todo,
quando chegamos eu desci do carro primeiro e fiquei esperando meu pai
estacionar o carro, por que eu só poderia entrar com um dos responsáveis (e a
bola da vez era meu gatão papai).
De repente alguma coisa me chamou a atenção no pátio de entrada da
escola, uma menina muito magra com os cabelos negros como a noite, uma
boca grande para um rosto tão magro e as olheiras? Meu Deus! A menina
parecia uma panda de tanta olheira.
Notei todo mundo olhando de lado e torcendo o bico para ela, isso me
enervou em um grau que sai pisando duro em direção aquela menina.
Puxei seu braço e disse:
— Oi meu nome é Jessie e sou sua nova melhor amiga.
Quando ela olhou para mim, com aqueles olhos caídos de tanta
tristeza, alguma coisa mexeu dentro do meu peito. E naquele dia, prometi a
mim mesma defendê-la de tudo e todos.
Você está me achando fofa né? Não fique achando que eu não enfiei a
Duda em tanta enrascada, eu não sei como ainda somos amigas.
Ao longo do dia fiquei sabendo seu nome, onde morava e foi aí que
descobrir que éramos quase vizinhas.
Um dia ela chegou vestindo uma calça preta um casaco grosso preto,
e estava fazendo um calor ferrado. Perguntei para ela o porquê daquelas roupas de frio e ela disse que eram as únicas que tinha, por que as outras
roupas estavam molhadas.
Eu estranhei, porque onde moramos era um bairro de classe média
alta. E a casa da Duda era uma das mais chiques que tinha na rua.
Fui ao meu armário e peguei uma camisa da escola para ela vestir, e
mesmo assim ela recusou. Como eu não aceito um não como resposta, sai
puxando-a pelo braço e ela reclamando que estava doendo. Chegando ao
banheiro puxei seu casaco, tirando do seu corpo. E o que vi me deixa
horrorizada, ela estava com os braços cheios de marcas roxas.
— Duda quem fez isso com você? — perguntei com os olhos cheios
de lágrimas.
Não que eu era boba nem nada, mas é que eu nunca tinha visto nada
assim.
— E... Eu... Eu caí Jess, isso eu caí — responde ela trêmula de medo.
— Eu sou sua amiga, não precisa mentir para mim. Se você não quer
contar tudo bem, mas não minta.
Ela começa a chorar desesperada, e entre um soluço e outro ela acaba
me contando o inferno que ela passa na casa dela. Eu fico revoltada, choro
junto com ela. E ali naquele momento de desespero, prometi a mim mesma
que sempre estaria ao lado dela.
E outra coisa que prometi a ela e a mim, é que um dia eu iria tirá-la de
lá e que faria da vida deles um inferno.
E tudo o que eu prometo eu cumpro.
Nesse mesmo dia quando cheguei em casa chamei meus pais e contei
tudo o que a minha amiguinha tinha me contado, meu pai ficou revoltado,
queria chamar a polícia e tudo. Mas minha mãe conseguiu acalmá-lo.
Minha mãe é tão inteligente, que bolou um plano, ela se aproximou da
mãe da Duda e assim eu tive passagem livre em sua casa e poderia ficar sempre ao seu lado.
A Duda tinha um filhote de satanás como irmã (oooh menininha
sebosa, eu bem que tentei jogar ela pela janela uma vez, mas a empregada
viu).
Os anos foram passando e os maus tratos continuaram, mas não tanto
fisicamente como eu achava que era, o pior era a parte psicológica, essa era
fodida.
Aquela megera da Margô era a irmã do demônio e o Ernane era um
banana capacho da irmã do tinhoso (sua mulher).
Ela conseguiu fincar na mente da Duda, que ela era inferior, que
nunca ninguém iria amá-la. Que ela era um ninguém (tenho tanto ódio dessa
mulher, que um dia irei arrancar o coro dela e daquela filhote de cruz credo).
O Ponto final para mim e meus pais, foi no meu aniversário acho que
foi de 12 ou 13 anos não me lembro bem.
Passamos o mês inteiro, combinando como seria quando chegasse o
dia. Eu não aprontei nada na escola, com medo de prejudicar minha amiga e
ela não poder ir a minha festa, mas na última semana antes do meu
aniversario ela faltou a semana inteira. E a professora disse que ela estava
doente.
Quando chegou o dia da festa, eu estava com o peito apertado e não
queria descer enquanto a Duda não chegasse. Então minha mãe ligou em sua
casa para perguntar se ela já estava vindo.
Foi quando a infeliz da irmã da Duda disse que ela não viria porque
estava de castigo e também porque ela não foi convidada.
Quando minha mãe me contou eu chorei de ódio, cantei os parabéns
chorando. Quando cortou o bolo eu separei o primeiro pedaço pra Duda.
Fui à cozinha peguei um pote e fui guardando um monte de
salgadinhos, docinhos, bolo tudo o que tinha na festa eu coloquei no pote. Guardei em uma sacola, peguei um refrigerante e fui em direção da sua casa.
Subi por uma cerca viva que tinha na parede da sua casa e bati na
janela até ela abrir.
Quando ela abriu eu entrei, joguei minha sacola no chão e a abracei
chorando pelo estado que a minha amiga estava. Ela estava toda marcada
mais magra do que era.
E quando ela me contou o porquê estava de castigo, e o que a mãe
dela fez eu me revoltei.
Como uma mãe pode tratar um filho assim?
Ela deixou a minha amiga trancada a quase 5 dias sem comer nada,
acho que minha amiga só sobreviveu porque bebia água da torneira do
banheiro.
Peguei a sacola com as guloseimas e dei para ela, nos sentamos no
chão e comemos.
Eu me levantei e fui em direção da janela, pedindo a ela para deixar
aberta que eu já voltava.
Corri até minha casa e fui direto ao meu pai.
— Papai você precisa vir comigo, é urgente, por favor! —Peço já
chorando.
— Calma meu amor, será que não pode esperar só um pouquinho?
Papai está conversando com o amigo juiz, comprimente ele.
— Olha seu juiz o senhor me empresta meu pai só um pouquinho? É
caso de vida ou morte — peço ao amigo do meu pai.
— Claro princesa, mas você não quer contar primeiro o que seria essa
urgência? — pergunta o amigo do meu pai olhando para ele.
— Obrigado, mas acho que o senhor não pode ajudar não sabe, o
senhor não conhece minha amiga, meu pai sim. Ele é advogado sabe e vai
saber ajudar minha amiga.
— Bem eu sou juiz, também posso ajudar, porque sou eu que decido
se seu pai ganha ou não — diz o juiz.
— Princesa, vamos no escritório do papai, aí você explica o que
aconteceu com a Duda — pede meu pai.
Vamos ao escritório do meu pai, eles se sentam, mas eu estou
agoniada e não consigo parar quieta, fico andando de um lado ao outro.
— Fala princesa o que houve? — pergunta meu pai.
— Papai o senhor tem que tirar minha amiga daquela casa agora,
aquela maldita da Margô voltou a atacar novamente. O senhor acredita que
ela deixou a Duda de castigo a cinco dias? CINCO MALDITOS DIAS PAI,
COM FOME SEM DIREITO A NADA, MINHA AMIGA ESTA HÁ
CINCO DIAS SÓ BEBENDO ÁGUA DA PIA DO BANHEIRO — grito
para o meu pai chorando desesperadamente.
— O QUE? — grita meu pai.
— Isso mesmo que o senhor escutou papai, minha amiga está toda
marcada, quase não se vê a cor da sua pele de tão cheia de hematomas que ela
está. Por favor, papai tira a Duda de lá, nós temos dinheiro, ela pode morar
aqui, se o senhor acha que ela come muito eu te garanto que a Dudinha come
igual passarinho.
Meu pai está vermelho de ódio, ele não suporta violência, ainda mais
contra criança.
— Por favor, papai eu te imploro de joelhos, tira minha amiga de lá.
Eles vão matar minha amiga desse jeito. Aquela vadia da mãe dela, que nem
deveria ser chamada assim. Eu não peço mais nada na minha vida, se o
senhor trazer a Duda para morar aqui — peço de joelhos chorando.
— Jessie levante-se do chão e me leve até aonde sua amiga mora,
quero conhecê-la — diz o seu Juiz amigo do meu pai.
— Vamos Jessie, vamos até lá ver o que está acontecendo, preciso ver para saber como vou fazer — diz meu pai.
E assim meu pai, e o seu Juiz me seguem até a casa de Duda, e subo
pela cerca viva e chamo a ela.
Ela aparece na janela e meu pai pergunta se tem alguém em casa.
Ela diz que não sabe e que faz tempo que ela não vê os pais.
O seu amigo Juiz está no telefone, não sei com quem ele está falando,
mas ele está bem nervoso.
Ele chama meu pai, fala alguma coisa e meu pai volta até a gente.
— Duda escuta o que o tio vai falar, entra e arruma suas coisas que o
tio vai te tirar daí. Fica calma logo, logo tudo isso vai acabar está bem?
— Está bem tio — diz minha amiga baixinho.
Cinco minutos depois, chega uma viatura com um policial homem e
outra policial mulher.
Eles, meu pai e o juiz vão em direção a porta e tocam a campainha.
Minutos depois a emprega atende e meu pai pergunta se os donos da
casa estão, e ela diz que vai chamá-los.
Entramos e ficamos esperando na sala de estar. Logo em seguida
chega à maldita da Margô e o banana do Ernane.
— Olá, boa noite senhores a que devo a honra dessa visita? — diz a
víbora
— Boa noite Margô, estamos aqui para ver a Maria Eduarda, você
pode chamá-la? — diz meu pai.
— Sinto muito Andrey, mas Maria está adoentada e está dormindo no
momento — diz Margô nervosa.
— Então posso subir para vê-la? Hoje foi a festa da Jessie e como ela
não apareceu ficamos preocupados.
—Acho melhor não Andrey, não quero perturbar seu sono.
— Senhora sinto muito perturbá-la, mas iremos subir a senhora querendo ou não — diz o seu juiz.
— Quem o senhor pensa que é? Para vir em minha casa querendo
mandar? —Margô diz audaciosa.
— Desculpa não me apresentei. Meu nome é Dalmo Viegas e sou
juiz. Então por gentileza deixe-nos subir — diz o seu juiz bravo.
— Vem seu juiz, eu sei onde fica o quarto da Dudinha — o chamo.
— Sabe mesmo não é gatinha! Vamos, me leve lá. Senhores com
licença, essa linda dama irá me acompanhar ao aposento da menina Duda,
por favor Andrey fique aqui conversando com eles.
Ele chama a policial feminina para subir junto conosco.
Chegamos à porta do quarto da minha amiga e a chave está pelo lado
de fora. Eu abro e entro correndo procurando pela minha amiga e a encontro
caída, entre o quarto e o banheiro, eu corro até ela e a sacudo seu corpo
magro tentando acordá-la.
— Dudinha isso não era hora de dormir não sua doidinha, vamos
embora amor, para minha casa, acorda amiga. Lá em casa você dorme —
falo, mas ela não me responde.
— Jessie gatinha, vem aqui comigo, deixa a policial dar uma olhada
nela — pede baixinho o juiz.
— Não posso seu Juiz, ela não gosta de gente estranha sabe? Se ela
acorda e vê a policial ela vai chorar então é melhor eu ficar aqui, pode vim
moça eu vou ficar aqui quietinha tá.
A policial foi, olhou mediu a pressão e falou para o seu juiz que a
Duda tinha desmaiado possivelmente por desidratação, fome ou até mesmo
devido ao espancamento.
Eu me levanto chorando de ódio e corro até onde meu pai está.
— SUA BRUXA, VADIA, FILHA DO DEMÔNIO! MINHA
AMIGA ESTÁ DESMAIADA, TODA ROXA POR SUA CAUSA, SUA DESALMADA. EU VOU TE MATAR SE ALGUMA COISA
ACONTECER COM ELA — grito querendo bater nela, mas meu pai me
segura.
— Calma filha, não é assim que se resolve as coisas. Vamos agir
corretamente.
— E o senhor seu Ernane? Um banana que não defende nem a própria
filha. Como pode ser assim tão mole, tão banana? — digo ao paspalho.
— Menina me respeite — diz ele.
— Respeito? O mesmo respeito que o senhor teve quando sua mulher
surrou a Maria Eduarda? Respeito que o senhor teve por sua filha que está há
cinco dias sem se alimentar? Quem é o senhor para exigir respeito? Grave só
uma coisa, eu vou lutar pela guarda da Maria e vou enfiar tudo o que é tipo
de processo no rabo de vocês, mas tantos processo que vocês não vão
conseguir sentar direito, vou arrancar tudo o que é de direito que a Duda
tenha. E vou lutar com todas as minhas forças para enfiarem vocês dois na
cadeia — diz meu pai sério.
— Isso mesmo papai acaba com esses lixos de seres humanos. A
Duda tem a gente ela não precisa de nada.
Escutamos um barulho na porta e de repente minha mãe entra
desesperada, acompanhada pelos enfermeiros.
— Meu amor o que está acontecendo aqui? Quando vi a ambulância,
pensei que tinha acontecido alguma coisa com as meninas — diz minha mãe
atropelando as palavras.
— Aconteceu sim, mas agora não é a hora de falar sobre isso — diz
meu pai sério.
É quando ela vê minha amiga, descendo deitada na maca, com uma
máscara no rosto, e os braços roxos ligado a uma bolsinha de soro. Minha
mãe perde a pose e senta a mão na cara da Margô.
— Sua vagabunda, eu te avisei que se eu soubesse que você encostou
na minha menina de novo eu iria acabar com você. Você não gosta de bater?
Então vem bater em alguém que aguenta. — Minha mãe senta a porrada nela,
ela cai, e minha mãe senta em cima dando vários tapas. Eu olho em volta,
com medo dos policiais virem prender a minha mãe e é aí que eu os vejo
virando de costas para a cena, que se desenrola no momento.
— Chega meu amor, precisamos acompanhar a nossa menina ao
hospital — pede meu pai.
Minha mãe se levanta, endireita sua roupa.
— Vamos Marido, já fiz o que eu tinha vontade de fazer a vários
anos. E mais uma coisa Margô, eu irei detonar com você espalharei em todas
as rodas dos socialites — diz minha rainha toda afrontosa.
E assim seguimos para hospital, para verificarmos minha amiga.
E foi assim, depois do inferno que a Duda passou, ela veio morar
conosco.
O juiz amigo do meu pai correu com a papelada, e ajudou para que a
Duda ficasse com a gente.
Por isso que eu falo que a Duda é o amor da minha vida.
Estava escrito nas estrelas, que a gente deveria se encontrar aquele
dia.
Eu sou a fã número um da minha amiga / irmã. Torço muito para ela
ser feliz, porque ninguém merece ser mais feliz do que ela. Estou torcendo
como uma louca, para que esse lance que está acontecendo entre o Mason e
Duda de certo.
Se ele magoar a minha irmã, eu acabo com ele.
Prazer eu sou a Jessie, irmã de coração da Duda, e, eu sou o anjo da
guarda dela.
Passamos em sua casa para ela se arrumar e perguntar para a meio
metro, se ela queria nos acompanhar.
Mas a Baixinha não estava em casa.
Fiquei esperando na sala enquanto ela se arrumava.
Tudo aqui é simples, mas bem decorado, é a cara delas, tanto da
Jessie quanto da Duda.
Vejo fotos delas espalhadas por toda a sala, desde quando eram
crianças até depois de adultas.
Tem fotos com os pais da Jessie, e é nítido o amor que eles sentem
por elas, dá para ver no olhar.
— Eu estou pronta vamos? — diz Duda
Olho, e como sempre ela está linda.
— Vamos princesa — respondo
E partirmos para o shopping, entramos em algumas lojas olhamos
tudo. Ela colocou na cabeça que seria falta desconsideração, se não levasse um presente para minha avó.
Dona Laura tem tudo, não vejo necessidade de levar nada.
Quando falo isso, minha princesa faz uma cara feia que não resisto e
caio na risada.
— Mason isso é feio, ela é sua avó custa você levar uma
lembrancinha? — diz ela brava.
— Está bom, não está mais aqui quem falou, leva o que você quiser!
— prefiro nem discutir
— Sério? — pergunta ela empolgada
— Sim, mas não demora ou perderemos o cinema.
Ela sai toda saltitante pela loja, fazendo inúmeras perguntas sobre
minha avó.
E eu vou respondendo o que sei.
Amo minha avó, mas não sei muita coisa.
Enfim Duda acha um conjunto de brincos e colar magníficos e as
pedras são de jade. Minha avó vai adorar, pois é sua cor preferida.
Eu pago e vamos caminhando de mãos dadas, olhando as vitrines,
paramos em uma loja de doces e agora quem fica animado sou eu.
Eu amo doces de qualquer tipo, principalmente aqueles azedinhos.
Então pego uma cestinha e vou enchendo de doces.
Duda está morrendo de rir, porque cuido muito da minha saúde,
malho todos os dias, sou chato com o que eu como, mas tenho minhas
fraquezas e doces é uma delas.
Ela também não fica atrás, pega uma cesta e enche de chocolate de
todos os tipos, branco, preto, ao leite, amargo, confetes, pirulitos de
chocolate, viramos literalmente duas crianças.
As atendentes estão dando risadas com nosso entusiasmo.
Pagamos e vamos direto para a escada rolante em direção à praça de alimentação.
Mulher linda da porra.
Escolhemos o que vamos comer, ela vai de Mc Donalds e eu de
japonês.
Enquanto comemos, vamos escolhendo o filme, ainda bem que ela
não escolhe filme de menininha se não estaria fodido.
Acabamos escolhendo um filme de ação, mas vai demorar uma hora
para começar, decidimos em dar mais uma voltinha pelo shopping.
Paramos em frente um estúdio de tatuagem, e ficamos olhando os
desenhos. O cara manda muito nos desenhos.
Se essa mulher não nasceu para ser minha, então não vou querer mais
ninguém.
Ela curte tudo o que eu gosto, ela gosta das mesmas músicas que eu,
ama tatuagem, adora filme de ação e fora outras coisas.
Estamos em frente à loja de tatuagem, eu atrás dela e ela com suas
costas encostada em meu peito.
Vamos andando assim abraçados, meus braços em volta da sua
cintura. Parecendo dois pinguins.
Estamos nos acabando de rir, quando de repente ela para no meio do
corredor.
Seu corpo começa a tremer, sinto sua pela ficando fria.
— Ei princesa tudo bem? — pergunto, mas ela não responde.
Viro-a de frente para mim e me espanto com o que vejo, ela está mais
branca que papel e com um olhar de terror, de puro medo.
Sinto um frio na espinha, olho em volta para ver se eu acho o que ela
viu que fez com que ela ficasse assim, mas não vejo nada, vejo somente as
pessoas em volta andando de um lado para o outro, fazendo suas coisas.
— Princesa fala comigo, o que você está sentindo, se você não falar não consigo te ajudar — peço, mas não adianta ela está travada, dou uma leve
sacudida nela e nada, puxo-a para a entrada onde fica os banheiros.
Aliso seu rosto que está molhado de lágrimas, ela treme muito então
abraço ela forte e aliso seus cabelos.
Estou perdido, sem saber o que fazer. Ela não diz nada só chora, estou
ficando muito preocupado devido ao que ela já me contou.
De repente sinto seu coração acelerar, e ela começa a ofegar como se
tivesse com falta de ar.
— Duda fala comigo meu amor, o que está acontecendo, o que eu
faço? — pergunto desesperado.
— Que... quero Jessie que... quero ir... embora — diz ela tão baixinho
que quase não escuto
Pego ela em meu colo e corro para o estacionamento onde deixei meu
carro.
Ela está mais branca do que o normal, e estou morrendo de medo.
Desço-a do meu colo para abrir o carro, mas ela se agarra a mim
como se tivesse com medo de eu sumir.
— Princesa respira para mim, devagar vamos lá, por favor — peço
sem saber mais o que fazer.
Ela não me escuta, só fica chorando baixinho chamando a Jessie.
Puxo meu telefone, com ela agarrada em mim, encontro o número da
Jessie e ligo.
Chama quatro vezes e enfim ela atende.
— Fala todo poderoso — atende ela
— Jessie, estou no estacionamento do shopping com a Duda agarrada
em mim, acho que ela está tendo uma crise.
— Como assim Mason? O que aconteceu? — pergunta ela
— Não sei! Estávamos nos divertindo olhando as vitrines, enrolando até dá o horário do filme, mas do nada ela começou a tremer, agora ela está
ofegante — respondo
— Coloca no viva voz Mason, deixa eu falar com ela — pede Jessie
séria.
Enquanto tento colocar no viva voz, escuto a voz de um homem
perguntando o que está acontecendo com a Duda.
— Pronto Jessie pode falar.
— Duda meu amor, você está me ouvindo? Respira devagar para
mim. Puxa a respiração e solta devagar, vamos gata faz isso pra sua Jessie
faz.
Enquanto Jessie tenta falar com a Duda, eu vou abaixando até estar
sentado no chão, encosto minhas costas no carro e acomodo-a direito em meu
colo.
— Mason está me ouvindo? — pergunta a Baixinha
— Estou sim, pode falar Jessie.
— Como ela está? Esta está respirando direito.
— Não Jessie, ela só chora, estou desesperado estou com medo Jessie.
Ela está gelada, suando frio pelo amor de Deus Baixinha, me diz o que eu
faço — peço com a voz embargada.
— Porra Mason, você tem que ficar calmo caralho. Não vou
conseguir cuidar dos dois. Me escuta, pega um táxi ou liga para o Drew para
te buscar eu estou longe, vou demorar para chegar até aí.
— Jessie, ela está toda encolhida no meu colo, não consigo dirigir
nem se eu quisesse.
— Você precisa ficar calmo, ela está tendo uma crise de ansiedade ou
de pânico não sei te dizer. Faz assim pede um táxi e vai para o hospital mais
próximo, quando chegar lá você me liga para dizer onde vocês estão.
— Está bom Jessie, vou me acalmar, vou desligar e chamar um táxi.
Quando chegar lá te ligo.
— Cuida dela Mason pelo amor de Deus, ela é tudo o que eu tenho
depois dos meus pais.
— Vou cuidar Baixinha — respondo e desligo.
Ligo para Drew e rezo para ele atender logo.
— Fala parceiro o que manda? — Atende Drew
— Drew você está aonde? — pergunto
— Acabei de deixar o Zack no dentista perto do shopping por quê? —
pergunta ele
— Irmão entra no estacionamento do shopping, no terceiro piso, mas
vem rápido pelo amor de Deus.
— Calma Mason, estou fazendo o retorno, o que está acontecendo
irmão? Você está machucado? — pergunta ele
— A Duda está passando mal e não vou conseguir dirigir com ela
assim.
— Estou entrando no estacionamento agora, estou subindo irmão.
Eu desligo o celular e me levando quando escuto o barulho de um
carro se aproximando.
Sua respiração continua ofegante, mas está melhor quando vou ajeitar
ela em meu colo, ela se contorce e grita. E eu fico paralisado
Drew para o carro na minha frente, desce e abre a porta de trás do seu
carro.
— Vamos Mason, entra logo — Diz ele
— Não consigo Drew, ela está com dor se eu me mexer vai ficar pior.
— Mason entra na porra do carro agora, ela precisa ir para o hospital
agora — grita Drew
— Eu sei irmão, mas não consigo me mexer porque sei que ela vai
gritar.
— Mason irmão ela precisa de você calmo, centrado, ela precisa do
Mason fodão agora — pede ele
Ele tem razão eu preciso tomar as rédeas dessa situação, preciso
controlar meu medo. Ela precisa de mim.
Entro no carro, e assim que me acomodo, Drew entra no carro e
começa a dirigir.
— Drew vai para o hospital mais próximo, por favor.
Olho para Duda e ela continua encolhida, chorando segurando sua
barriga.
— Ei princesa, vai ficar tudo bem tá. Aonde está doendo me diz —
peço baixinho
— Minha barriga dói — sussurra ela
— Vai passar, só fica calma que já já chegaremos ao hospital, a Jessie
vai nos encontrar lá princesa.
— Dói muito, minha cabeça também está doendo Mason — diz ela
bem baixinho
— Estamos chegando Drew? — pergunto
— Vou entrar no estacionamento — responde ele.
— Mason está doendo muito — fala ela me agarrando
— Estamos chegando princesa, logo, logo o médico vai te examinar.
— Não me deixa sozinha Mason, eles vão me achar e irão me
machucar de novo eu sei que vão — ela diz, e eu não entendo nada, quem vai
machucá-la?
— Ninguém irá te machucar meu amor, eu não irei deixar.
Drew nem estaciona o carro e já estou saindo em direção a entrada.
Vou até o balcão pedindo por um médico.
Uma enfermeira mal comida vê a cena e diz que tenho que fazer a
ficha primeiro.
— Escuta aqui, eu quero um médico e quero agora, eu não quero
saber de ficha nenhuma, minha mulher está passando mal então chama a
porra de um médico AGORA! — grito puto da vida.
— Calma irmão, deixa que eu resolvo a ficha, e você vai lar procurar
a emergência.
Duda agarra a cabeça dizendo que está doendo. Então saio correndo
procurando um médico ou a emergência.
— Ei o senhor não pode entrar aqui não — diz a enfermeira.
— Eu vou e quero ver quem irá me impedir.
Acho um médico conversando com uma enfermeira.
— Doutor com licença, preciso de ajuda aqui, por favor — peço
— Ei calma rapaz, o que aconteceu?
— Ela está tendo uma crise, só não sei se é de ansiedade ou pânico
porque os sintomas são parecidos, ela está reclamando de dores de cabeça e
estomago.
Entramos em uma sala e quando vou colocá-la na cama, ela grita e me
agarra mais apertado.
— Não, não, não, não me deixa aqui sozinha, por favor, não me deixa
Mason, por favor — diz ela chorando
Eu não sei o que fazer, quero me sentar e chorar junto, por estar
vendo-a assim tão indefesa, com tanto medo.
— Calma princesa, respira devagar, por favor, eu não vou te deixar
sozinha o médico vai te examinar para poder te medicar amor.
— Não me deixa sozinha, por favor, eles vão me achar, cadê a Jessie?
Ela vai me ajudar chama ela — pede ela com tanto desespero
— Eu não deixarei você sozinha amor.
Olho para o médico sem saber o que fazer.
— Ela está muito nervosa meu rapaz, vou dar um calmante, assim ela descansa e eu vou poder examiná-la com mais cuidado.
— Tudo bem doutor, só faça com que ela se acalme, por favor —
peço
Ele sai da sala e eu me sento em uma cadeira com ela no meu colo,
como se fosse uma criança.
Ela esconde o rosto em meu pescoço chorando baixinho. Ela está
tremendo muito, está tão gelada que a abraço forte para ver se consigo
esquentá-la.
Esfrego seus braços tentando aquecê-la, e ver se ela para de tremer.
O doutor entra na sala com uma bandeja nas mãos e a coloca em cima
da cama. Ali posso ver o que está dentro.
— Isso aqui é um calmante não se preocupe, vai fazê-la se acalmar e
essas dores serão amenizadas, assim posso examinar a paciente com mais
calma.
— Ela está tremendo muito doutor.
— Isso é normal em quem sofre com crises de ansiedade ou pânico.
Preciso examiná-la primeiro, ela precisa estar calma para que eu possa lhe
fazer algumas perguntas.
Ele quebra um vidrinho e coloca a seringa extraindo dela um líquido
que deve ser o calmante, em seguida embebeda o algodão com uma água, que
dever ser álcool e vem em direção a ela para aplicar.
— Meu amor, estica o braço para o doutor aplica o remédio para parar
essa dor na cabeça, por favor — peço
Sem levantar a cabeça do meu pescoço, ela estica o braço e assim o
médico aplica o calmante em sua veia.
— Daqui a alguns minutos ele já vai começar a fazer o efeito. Assim
que ela tiver mais calma o senhor me chama, estarei na sala da frente.
— Obrigado doutor, muito obrigado.
O doutor acena com a cabeça e sai, nos deixando sozinhos.
Faço carinho em seus cabelos porque sei que ela adora e ajuda a
acalmá-la.
Aos poucos vou sentindo seu corpo parar de tremer e ir relaxando
devagar. Alguns minutos depois ela adormece. Fico olhando para
Duda enquanto ela dorme, mesmo dormindo sob efeito do calmante, seu
semblante continua atormentado.
Ela ainda soluça de vez em quando, aliso seus cabelos delicadamente
com medo dela acordar.
O que será que ela viu? Mais precisamente quem ela viu, para deixá-
la nesse estado de terror puro, talvez a Jessie possa me dar uma luz. Merda
acabei me esquecendo dela, tenho que avisá-la, pego meu celular e mando
uma mensagem para ela passando o endereço. E ela me responde na mesma
hora, dizendo que já está aqui e que o Drew avisou a ela.
Olho para minha princesa e vejo que ela está em um sono profundo,
então decido deixá-la por alguns minutos sozinha e vou buscar a Baixinha.
Ando pelo corredor do hospital, em direção a entrada e encontro a
Baixinha dando um escândalo.
— Queridinha você vai me dizer aonde minha irmã esta agora, ou eu
vou arrancar esses seus cílios postiços de puta de cabaré de quinta — diz
Jessie possessa com a atendente.
— Senhorita não podemos passar nenhuma informação dos nossos
pacientes, são normas do hospital — diz a atendente toda sem graça
— Meu amor, você pode pegar essas normas e enfiar na sua bunda
seca que eu estou pouco me fodendo. Chama o diretor desse hospital de
quinta categoria agora — grita Jessie
Eu ando mais rápido em sua direção e a pego pelos braços, a arrasto
até um canto.
— Calma Baixinha, esse escândalo todo não irá ajudar em nada,
temos que ter calma para podemos ajudar a Duda — Digo a ela
— Mason graças a Deus, aquele projeto de piranha não queria me
falar em qual quarto a Duda estava — diz ela quase chorando
— Calma Baixinha, ela está medicada, nesse momento está dormindo.
O médico teve que dar um sedativo porque ela estava muito nervosa.
Quando termino de falar, vejo a Baixinha quebrar em minha frente.
Logo ela, que mais parece um pitbull raivoso está em prantos.
— Calma Jessie tudo vai ficar bem — peço a ela
— Mason, você não entende, ela viu alguma coisa, alguma coisa que
a deixou assim. Tem muito tempo que ela não tem uma crise, ela até parou de
tomar os remédios, está dormindo bem, tem se alimentado melhor. O próprio
psicólogo aconselhou, porque ela estava bem — diz Jessie chorando.
Abraço ela, pensando em tudo o que ela acabou de me falar.
Acho que agora é a hora da verdade, não dá mais para ficar no escuro.
Quando vou perguntar, ela me surpreende limpando seu nariz na
minha camisa.
— Você acabou de limpar o seu ranho em mim? — falo indignado
— É só um catarrinho todo poderoso, agora me leve até o quarto da
minha irmã — diz ela com a maior cara de pau
Vamos em direção ao quarto da minha princesa, mas antes de
entrarmos resolvo levar Jessie para falar com o médico. Ela sabe de mais
coisas sobre a Duda do que eu.
Ela responde todas as perguntas do médico, fala dos remédios que ela
tomava com frequência, e o porque dela ter parado com os remédios, e pediu
os dados do médico da Duda.
Enquanto a Jessie conversa com o médico, eu vou ver a Duda.
Entro devagar no quarto, sento-me ao seu lado e fico velando sono.
Queria tanto poder arrancar, tudo de ruim que habita em sua cabeça e
em seu coração.
Ouço a porta se abrir e fechar, então a Baixinha senta-se na cadeira do
outro lado da cama.
— O doutor disse que logo, logo ela acorda, e então estará liberada
para ir pra casa — fala Jessie
— Jessie, quero saber tudo o que aconteceu com ela, quero saber
quem foram as pessoas que maltrataram tanto ela ao ponto dela ter ataques de
pânico, crises de ansiedade. Você não tem noção pelo o que eu passei
Baixinha, foram momentos de puro desespero, eu não sabia o que fazer a não
ser abraçá-la e pedir para ela respirar. Acho que foi o pior momento da minha
vida, e olha que já passei por muita coisa — desabafo
— Eu sei muito bem do que você está falando Mason, já presenciei
inúmeras crises. Sei o que você sentiu, porque sentia a mesma coisa, é um
sentimento de inutilidade tão grande, você se sente um merda por não poder
fazer nada. Você deseja ser um anjo, você deseja criar superpoderes, só pra
poder arrancar tudo o que a está machucando. Já me senti assim Mason, e
ainda me sinto quando ela acorda a noite com medo e vem dormir na minha
cama. Ela só cresceu, mas por dentro ela contínua a mesma criança triste, a
criança que tem medo do bicho papão. Concordo com você, sobre ter que
saber de tudo, mas essa história não é minha para te contar.
— Eu nunca passei por uma situação dessas Jessie, me senti um inútil,
porque não fui capaz de fazê-la se acalmar. Ela estava agarrada a mim como
se eu fosse sua tábua de salvação. Ela implorava para não deixá-la sozinha,
porque eles iriam achar ela e que voltariam a machucá-la. Para você ter
noção, o médico teve que dar um calmante para ela poder se acalmar, e ainda
assim ele aplicou o remédio com ela em meu colo agarrada a mim. Eu aposto
com você que as minhas costas têm marcas de suas unhas de tanto que ela me apertou, parecia que ela queria entrar dentro de mim para se esconder —
desabafo tirando o peso que está dentro de mim
— Eu sei tudo o que você está sentindo, passei por muitas coisas com
ela Mason, não estou querendo te desanimar, mas se você achar que não é
capaz de aguentar essa pressão vá embora e a deixe em paz. Ela já sofreu
muito e não merece sofrer mais, ela vai entender e superar, como ela já
superou muita coisa — diz ela
— Jessie, o único ressentimento que tenho de tudo o que aconteceu
hoje, foi que em todo momento ela chamava seu nome. Nada contra a
amizade de vocês, eu agradeço a Deus por ela ter você e sua família e sei que
vou agradecer ainda mais depois que eu ficar sabendo de tudo. Eu quero ser
tudo o que ela precisa, quero aprender tudo sobre o que ela tem, para quando
acontecer novamente eu estar preparado.
— Desculpa o que irei falar Mason, mas você está chegando agora,
ainda não sabe de tudo. É óbvio que ela procurou por mim, porque sempre
estive ao seu lado. Mas você ganhou pontos importantes por ter se
preocupado, por estar aqui ao lado dela. Dê tempo ao tempo, ela você já
conquistou desde o primeiro dia, ela nunca chamou ninguém para ir lá em
casa, ela nunca se preocupou com alguém como ela se preocupa com você.
Ela nunca se envolveu sério com ninguém, a vida dela era a faculdade e o
trabalho. Quando ela não estava nesses lugares ou ela estava em casa ou na
casa dos meus pais —Jessie diz seria.
Fico olhando para ela pensando em tudo o que ela me disse. Não é
ciúmes nem nada, é só um desejo de ser o único para ela, o único que ela
possa correr quando estiver feliz ou com medo. É um sentimento primitivo de
ser o suficiente para ela.
Sei que é um pensamento errado e egoísta, mas eu sou assim.
Duda começa a se mexer e paramos de falar e ficamos olhando para ver se ela acorda.
Então ela abre seus lindos olhos, piscando lentamente, tentando focar
em alguma coisa. E é então que ele me vê e se joga com tudo em cima de
mim, me abraçando forte.
— Ei princesa, está tudo bem não precisa ter medo de nada — falo
enquanto abraço seu corpo tenso.
— Ei Bonequinha, você está segura meu amor, nada vai acontecer
você precisa ficar calma — diz Jessie fazendo carinho nos cabelos dela.
Quando Duda entende que é a Jessie quem está falando, ela voa para
os braços da amiga, chegando a derrubar Jessie no chão.
— Jess, preciso ir embora daqui, ir para bem longe, eles vão me achar
Jess e vão me levar embora. Ela vai me matar Jessie, ela vai cumprir o que
me prometeu — Duda fala rapidamente sem respirar
— Quem Bonequinha? De quem você está falando? Você tem que
ficar calma e respirar devagar — diz Jessie lentamente
Eu fico olhando a cena impressionada com o desespero da minha
princesa. Ela está descontrolada, praticamente esmagando a Baixinha. Jessie
olha para mim pedindo ajuda.
— Ei princesa vamos sair do chão? Vocês vão acabar se machucando
aí — peço com calma
Ela olha para mim, com os olhos cheio de lagrimas não derramadas, e
aceita minha mão para ajudá-la a se levantar.
Ajudo as duas a levantarem do chão, Duda faz a mesma coisa de
quando acordou, ela me agarra apertado.
— Amiga vamos para casa? Tomar um banho gostoso e tomar a sopa
da mamãe? — pergunta Jessie
— Sopa? Sopa da mamãe Jess? — pergunta Duda com a voz
embargada.
— Isso boneca, a mamãe está lá em casa com o papai, eu vim assim
que o Mason me ligou, ela preferiu ir para o apartamento fazer a sopa que
você tanto adora — diz Jessie tentando animá-la
— Você vem comigo não é Mason? — pergunta minha princesa com
olhar temeroso.
— Não te largarei tão cedo princesa, vá se acostumando — respondo
lhe dando um selinho
— Olha ele, vai conhecer o sogrão! Mason, cuidado viu, meu pai é
hiper ciumento — fala Jessie dando risada
— Eu não tenho medo do Dragão Baixinha, até porque a princesa já é
minha — respondo
— Mason meu pai é super ciumento mesmo, tem certeza que vai
querer conhecê-lo? — diz Duda baixinho
— Ninguém vai me impedir de ficar com você, ou ele me aceita por
bem, ou ele vai ter que me engolir a força — respondo
Jessie sai para chamar o médico, para podermos ir embora.
— Obrigado por estar comigo, por não ter me abandonado.
— Eu nunca vou abandonar você gatinha, aconteça o que acontecer
sempre irei cuidar de você. Você sabe que temos que conversar não sabe? —
pergunto
Ela esconde seu rosto na curva do meu pescoço e respira fundo.
— Eu sei príncipe, eu já tinha decidido te contar, o dia só se adiantou.
O médico chega ao quarto, a examina e prescreve um calmante e a
aconselha a voltar no médico dela. Ele entrega a alta dela e assim vamos
embora, quando saio no estacionamento vejo meu carro, e encostados nele
estão Drew e Zack.
Drew abraça Duda, e ri da cara feia que eu faço. Logo chega a vez de
Zack.
— Estamos indo para casa, meus pais estão lá. Vocês querem vir com
a gente? — pergunta Jessie
— Não anã obrigado, só viemos trazer o carro do Mason e ver como a
Gibizinha estava — responde Drew
Então nos despedimos deles e vamos para o carro.
Vamos a caminho da casa delas, cada um com seus pensamentos.
O meu? Tenho dois em mente? Um é saber de toda a história, e o
outro é que vou conhecer os sogros.