Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Andressa Félix · Capítulo 18 de 34

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Um Longo Caminho a Dois: Volume 1

Acordo me sentindo leve, e com a…

Acordo me sentindo leve, e com a mulher da minha vida dormindo

em mim.

Eu fico passando em minha mente, milhões e milhões de vezes, ela

dizendo que me amava, nunca senti isso em toda a minha vida.

Não sei descrever o que estou sentindo no momento, é uma mistura de

vários sentimentos, e todos eles maravilhosos. Sinto-me realmente feliz, me

sinto completo.

Lembro da sua ousadia de ontem e sorrio, agora pensando realmente

em tudo o que aconteceu, eu consigo sorrir, mas ontem a vontade que eu

tinha, era de estrangular essa diaba. O que minha sogrinha disse realmente é

verdade, do mesmo jeito que minha vida será maravilhosa com ela ao meu

lado, também vai ser frustrante, terá dias como o de ontem que vou querer

matá-la. E não tenha dúvidas, eu quis matar, quis espancar essa bunda

gostosa que ela tem.

Desvencilho-me dela, e vou ao banheiro tomar um banho. Depois de

tudo o que aconteceu ontem, acabei me esquecendo de conversar com ela,

sobre o que descobrimos, não sei se conto para ela hoje ou deixo para contar

depois da festa da minha avó esta noite.

— Amor por que você levantou tão cedo? — diz a minha princesa,

entrando no banheiro esfregando os olhos.

— Bom dia minha princesa, me levantei quase agora, vem tomar

banho comigo? — pergunto a ela, querendo ela em meus braços.

Ela entra de vez no banheiro, e tira minha camisa e entra no box

direto para os meus braços, seguro seu rosto e a beijo carinhosamente.

— Bom dia, meu príncipe — diz ela em meus lábios.

— Temos assuntos a tratar gatinha, mas tenho dúvidas de quando

fazer, não sei se resolvemos agora ou depois da festa da minha avó.

— Vamos falar agora, quero saber de tudo Mason, quero saber tudo o

que vocês descobririam sobre a Margô, é um direito meu.

— Eu sei princesa, vamos tomar café da manhã e depois te contarei

tudo pode ser? — pergunto para ela, eu sei que o que vou contar não será

nada fácil, por isso estou cheio de dedos para contar tudo.

Saímos do banho, e enquanto ela vai passar suas coisas de menina, eu

me seco e coloco uma bermuda e desço.

Preparo um shake para mim, enquanto ligo a máquina de café, preparo umas torradas porque sei que ela gosta, preparo a mesa da varanda,

porque hoje o dia está lindo. Ainda bem que minha sogra facilitou minha vida

indo às compras, pois achei tudo para preparar o café da manhã para minha

princesa. Quero fazer qualquer coisa que melhore a notícia que tenho que dar

a ela.

— Nossa Mason, quanta coisa gostosa — exclama já pegando um

pedaço de melão.

— Tudo para você minha linda.

Nos sentamos e entre uma conversa e outra, ela resolve tocar no

assunto.

— Mason não me enrole, eu não sou criança e nem feita de vidro,

então desembucha — pede ela

— Não estou tentando te enrolar Duda, só estou tentando achar um

jeito de te contar.

— Sei, finge que me engana, e eu faço que acredito — diz ela

estreitando o olhar para mim.

— Vou falar de uma vez, a Margô não é a sua mãe verdadeira, você

não tem nada a ver com ela, com a Camila e nem com o marido dela. Isso

você já pode tirar da sua cabecinha linda.

Ela me olha espantada, sem acreditar no que estou falando.

— Então eu sou adotada? Isso pode explicar tudo o que ela fez

comigo, porque existem pessoas que não conseguem aceitar um filho

adotado. —Diz ela meio desorientada.

— Não meu amor, independentemente de ser adotada ou não,

nenhuma criança merece passar pelo que você passou. E não, você não é

adotada.

Então conto tudo o que descobrimos, ela escuta ficando cada vez mais

branca, eu corro para seu lado e a pego no colo, me sentando na cadeira que ela ocupava, entrego um copo de água, e peço com gentileza que tome.

— Respira fundo amor, toma um pouco dessa água. Sei que está

difícil de engolir essa história, mas temos prova.

Quando vejo que ela consegue se acalmar um pouco, conto tudo o que

Patrick descobriu, falo da suspeita que o amigo do Pet tem, e que foi

confirmada. Conto que minha secretária disse, ela me olha com os olhos

cheios de lagrimas e isso aperta meu coração.

Falo como Bea conhece a história, e como ela conheceu seus

verdadeiros pais. Sinto seu corpo, tremer e sua respiração ficar ofegante e já

começo a me desesperar.

— Ei princesa, preciso de você calma, sei que tudo isso é difícil de

aceitar, mas preciso de você comigo, respire fundo igual o médico ensinou —

peço ficando preocupado com ela.

Pego os seus comprimidos e tento entregar a ela, mas ela não aceita.

— Não, por favor, não quero tomar. Eles iram me deixar exausta, e

tudo que não preciso é disso, eu quero e preciso ser forte, não me peça para

tomar ele, por favor — pede ela chorando.

— Tudo bem amor, mas se eu perceber que está sendo muito para

você, irei fazer você tomar ok?

Ela acena com a cabeça, Duda está completamente desolada e eu

ainda tenho mais um golpe para dar.

— Isso não é tudo princesa.

— Oh meu Deus, ainda tem mais?

— Alguns anos atrás, a Jessie descobriu uns papéis que dizem que

você é herdeira de tudo o que a família García possuí, ela tem um amigo ou

sei lá o quê ele é dela, ele achou várias coisas sobre esse assunto.

— Como isso é possível? Quero dizer, como a Jessie achou esses

papéis e nunca me contou nada? Ela é minha melhor amiga Mason, minha irmã, ela que me protegeu e me salvou deles, como ela pode fazer isso

comigo? — pergunta ela chorando.

— Meu amor, você mesma acabou de responder a suas próprias

perguntas. Ela escondeu para te proteger, ela fez isso por te amar e por saber

que quando essa história viesse à tona, você correria riscos, essa gente é

muito perigosa meu amor, por dinheiro a Margô é capaz de qualquer coisa.

Ela deita a cabeça em meu ombro e chora, um choro tão sentido que

acaba comigo. É muito sofrimento, muitas notícias para assimilar.

— O investigador amigo do Pet, disse que ela tem uma ficha criminal

corrida, ela é procurada ao menos em três países por fazer a mesma coisa, ela

é procurada por assassinato Duda, você entende o grande perigo que isso

representa? O perigo que você pode estar correndo? Todos nós estamos com

medo por você, porque amamos você.

— É muita coisa para assimilar Mason, estou completamente perdida.

São tantas emoções ruins que estou sentindo nesse momento. Sinto raiva,

nojo, ódio, um sentimento enorme de perda, porque sei que minha vida seria

completamente diferente se ela não tivesse entrado em nossas vidas. Preciso

ficar sozinha Mason, você me entende?

— Desde que esse sozinha seja aqui em casa eu aceito. Sei que são

muitas coisas para assimilar, eu te entendo princesa, mas quero que me

entenda também, preciso de você perto de mim, preciso saber que você não

está correndo perigo. Então se você quiser ficar sozinha, escolha um canto

dessa casa e fique sozinha, mas não me peça para deixar você ir embora.

— Eu não irei sair, só quero ficar quietinha em um canto, vou para o

quarto deitar um pouquinho, prometo a você que não sairei daqui.

— Não importa o que aconteça, eu sempre estarei com você e por

você.

— Acho que você foi criado para ser meu, sei que tenho minha família do meu lado e sou agradecida por isso. Mas ter você ao meu lado é

indescritível, acho que Deus finalmente se compadeceu de todo o sofrimento

que passei, e te enviou para mim.

Subo a escada com ela em meus braços, direto para o meu quarto, ela

chora baixinho e isso parte meu coração. A deito na cama e beijo sua testa,

querendo mais que tudo, me deitar ao seu lado e abraçá-la até essa angústia

passar.

Mas respeitando o tempo dela, deixo um beijo em sua testa mais uma

vez e me afasto em direção a porta.

— Mason?

— Oi princesa.

— Eu amo você demais — diz ela com a voz embargada.

— Eu te amo muito mais princesa.

Saio do quarto e quando fecho a porta, deixo a frustração tomar conta.

Eu sou rico, importante no meu meio, fiz meu dinheiro trabalhando,

mas nessa situação em que ela se encontra, me sinto um inútil.

Sabe quando somos crianças e brincamos de ter superpoderes? Sou

eu nesse momento, queria ter o poder de apagar tudo de ruim que aconteceu

na vida dela.

Afasto-me do quarto e vou para o escritório ver se consigo me

distrair, meu celular toca e vejo que é Jessie.

— Fala Baixinha.

— Bom dia cunhadinho, minha irmã está viva? Se estiver, ela

consegue andar? Porque tenho a certeza que a noite foi boa — diz a Baixinha

rindo.

— Bom dia cunhada, sua irmã está viva sim, e não que seja da sua

conta, mas a noite foi maravilhosa e ela ainda continua andando — respondo

rindo.

— Tentei falar com ela, mas o celular está dando caixa postal.

— Ela está deitada, contei para ela hoje sobre o que descobrimos, e

ela pediu para ficar sozinha.

O telefone fica mudo, e escuto Jessie suspirando fundo.

— Ela precisa de mim Mason, posso ir aí? — pede ela.

— Lógico que pode Baixinha, minha casa é sua casa. E sim, ela

precisa de você, ela precisa de todos ao seu lado nesse momento.

— Tu...tudo bem, vou me trocar, e daqui uns quarenta minutos estarei

aí.

— Fica calma Jessie, ela está bem eu estou de olho, pegue um Uber

que eu pago aqui.

— Tudo bem Mason, eu poderia ir de carro, mas não vou conseguir

dirigir. Obrigado por isso.

— Não precisa agradecer Baixinha, eu cuido do que é meu, e a Duda

é minha e ama você. Nada mais certo eu fazer isso também.

— Porra Mason, isso não vale cara, me fazer chorar é de foder.

Eu dou risada dessa menina sem filtro, nos despedimos e vou ver

como minha gatinha está.

No caminho meu celular toca e vejo que é o Zack.

— Fala irmão, caiu da cama? — pergunto de primeira.

— Bom dia cara, tenho uns assuntos para resolver já que hoje não

abriremos. E para te avisar que irei aí, tenho uma bomba para você, e espero

que você esteja preparado.

— Tudo bem, que horas você virá? — pergunto, tentando imaginar

que bomba seria essa.

— Umas duas horas da tarde parceiro.

— Tudo bem então, até mais tarde.

Desligo o telefone, e entro no meu quarto e encontro minha gatinha deitada toda encolhida, ela continua chorando baixinho, me deito ao seu lado.

— Princesa pare de chorar, por favor, você está cortando meu

coração.

Ela se vira e se deita em meus braços, me apertando forte.

— Por que Mason? Por que ela fez tudo isso? Já imaginei inúmeras

razões, mas nenhuma consegue se encaixar.

— Amor não pense mais sobre isso, você irá cansar sua cabecinha e

não encontrará uma razão para o que ela fez, tem gente que já nasce assim,

sem caráter e sem escrúpulos.

Não tenho mais o que fazer, a não ser dar carinho e atenção, fico

deitado com ela fazendo carinho até senti-la adormecer. Meu celular apita,

mostrando uma mensagem da Baixinha, informando que ela já está chegando.

Deixo minha princesa dormindo, e vou esperar a Baixinha, assim que

abro a porta, o carro encosta e eu vou ao encontro dela para pagar a corrida.

Com isso feito, vamos para dentro de casa, e direto para a cozinha

para beber um suco.

— Como ela está Mason?

— Ela ainda está tentando assimilar tudo Jessie. Ela está tentando

achar explicação para as coisas que eles fizeram com ela, chorou até pegar no

sono.

— Isso é o cu do pintadinho, não existe explicação para o que aquela

enviada do diabo fez. E você sabe que quando a merda estourar no ventilador,

irá ficar perigoso para a Bonequinha não sabe?

— Eu sei Baixinha, também estou preocupado com isso. Patrick vai

falar com o amigo dele que está investigando a Margô, ele pediu para todos

nós termos paciência, porque ele vai nos informar como deveremos agir.

— Tudo bem, se ele tem um plano vamos aguardar para ver como irá

funcionar. Vou subir e vê como ela está, e se ela ainda vai querer ir para a festa da sua avó. Nós tínhamos combinado de ir ao salão — diz a Baixinha.

— Tudo bem, vai lá vê se você consegue animar ela, por mim nem

iria para essa festa.

— Deixa de bobeira cunhadinho, isso poderá animar a Bonequinha —

diz ela dando-me um beijo no rosto e subindo para o quarto.

Eu vou para a sala e deito só sofá mexendo no tablete, checando uns

e-mail e algumas propostas que Beatriz encaminhou. Estou tão entretido, que

me assusto com a bagunça que a Jessie e a Duda estão fazendo, fico quietinho

só observando.

— Masoooonn! — grita Duda

— Oi princesa, estou na sala — repondo, Jessie passa igual a um

foguete. E fica atrás do outro sofá rindo.

Eu me viro de barriga para baixo no sofá e olho para ela.

Não aguento e caio na risada, ela está com o resto todo manchado de

batom.

— Olha o que essa vaca de presépio fez comigo — grita ela. — Por

que você deixou ela subir amor?

— Olha como estamos!! — a Baixinha grita e bate palma. — Ontem

o tratamento era demônia e ator mexicano. Agora evoluiu para amor. Que

fofinhos.

— Cala a boca vadia mirim. Porra Jessie por que você fez isso? Sabe

que esse batom seu não sai fácil, e sabe que hoje temos a festa da avó do

Mason — diz Duda brava.

— Ela estava preocupada com você princesa — respondo rindo.

— Meu pau que ela estava Mason — responde ela se jogando em

cima de mim no sofá.

— Até hoje de manhã quando acordei, você não tinha pau gatinha,

quando isso mudou? — pergunto rindo

— Lógico que tenho pau bobinho. Você é meu não é? — pergunta ela

— Todinho seu meu amor.

— Então desde que você é todinho meu então eu tenho um pau, O

SEU — diz ela rindo.

Eu amo ver ela rindo, o som da sua risada é o meu som preferido no

mundo inteiro.

— Bem, bem, bem, e aí Dudinha nós iremos ao salão ou não? —

pergunta a Baixinha.

— Vamos sim, e iremos nos arrumar em casa, na nossa casa Jessie —

Duda fala olhando de rabo de olho para mim.

— Por enquanto — falo baixinho. — Por que se arrumar lá, se suas

coisas estão aqui? Desnecessário isso — resmungo emburrado.

— Porque meus vestidos estão lá, minhas maquiagens e bijuterias

estão tudo lá, para de fazer bico Mason — diz ela sorrindo.

Ela pode rir agora, ela não sabe o que a espera depois que voltarmos

de viagem, já combinei com a Baixinha, ela irá trazer todas as coisas dela

para cá, ela nem saberá o que a atingiu.

— Só vou trocar de roupa Jess, e já volto. — Ela me dá um selinho, e

corre escada acima.

— Você sabe o que fazer quando formos viajar né Baixinha?

— Sim meu querido e amado cunhado, já até separei umas caixas para

embalar.

— Não precisa disso Baixinha, já entrei em contato com uma firma

que é especializada em mudanças, eles entraram em contato com você dois

dias depois da viagem.

— Isso é que eu chamo de um homem decidido, se eu procurar no

dicionário a palavra decidido, aposto que acharei o nome Mason Black

escrito lá — diz Jessie rindo.

— Nome do Mason escrito aonde? — pergunta Duda entrando na

sala.

— Nas novas camisetas da boate Duda, estou dando uma ideia —

desconversa Jessie e eu caio na risada.

— Amor nós vamos ao salão, e depois para casa, você irá passar lá

que horas mais ou menos?

— Oito horas em ponto, e não me faça esperar Maria Eduarda, ou sua

bunda estará vermelha assim que chegarmos em casa.

— Ui que medinho de você meu amor.

— Eita que eu vi que vocês gostam do estilo cinquenta tons — Jessie

diz rindo, indo em direção a porta.

Acompanho as duas até a porta, e antes que eu possa perguntar como

elas pretendem ir para o tal salão, vejo um carro parando na porta de casa.

— A Jessie chamou um Uber Mason — diz Duda jogando seus

braços em meu pescoço.

— Oito horas gatinha, por favor, odeio ficar esperando.

— Tudo bem meu amor já entendi. — Ela me dá um beijo e se vira

para entrar no carro.

— Mason? — ela me chama

— Fala princesa.

— Eu escutei o que você falou baixinho na sala. Quando falei que iria

me trocar em casa.

— Escutou? — pergunto sorrindo

— Sim, senhor cara de pau — dDiz ela rindo. —Mais tarde falaremos

sobre isso.

— Não há o que falar Duda, como diz a Baixinha, aceita que dói

menos.

— Veremos meu amor. Tchau, eu te amo.

— Também te amo, fica segura ok?

— Ok.

E assim assisto ela ir embora, entro em casa e volto para o sofá.

Ficarei no máximo uma hora nessa festa, odeio ter que ir, odeio que terei que

olhar para a cara daquele homem, mas minha avó nunca me pede nada, e ela

veio até aqui em casa, só para me lembrar dessa maldita festa.

Alguma coisa me diz, que essa festa vai dar merda. Só não sei sobre o

quê.

Mas que alguma coisa vai acontecer, a isso vai.