A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 9 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

Passei para ver meu pai.

 

Depois de perguntar quem eu era, ele pediu notícias da mamãe. Falei que ela estava fazendo compras, que passaria um pouco mais tarde. Espero que traga meu jornal, ele disse, e creme de barbear, acabou o que eu tinha.

Falei do armarinho. E pela centésima vez ele perguntou se eu era a dona. Não acreditava. Estava orgulhoso. Armarinho Jo, ex-Casa Pillard, Armarinho Jo, seu nome numa placa, Jo, você se dá conta! Fico feliz por você. Depois ergueu a cabeça, fitou-me. Quem é a senhora? Quem é a senhora. Seis minutos acabavam de passar.

Jo estava melhor. O Oseltamivir, o repouso, o tagliatelle de espinafre e queijo fresco e minhas doces cantigas derrotaram a gripe assassina. Ele ficou alguns dias em casa, entreteve-se um pouco na garagem e, quando uma noite abriu uma Tourtel e ligou a tevê, eu soube que estava completamente restabelecido. A vida retomou seu curso, calma, dócil.

Nos dias seguintes, o armarinho não esvaziou e dedosdeouro contabilizou mais de cinco mil visitas diárias. Pela primeira vez em vinte anos, esgotei meu estoque de botões em caseína, jarina e galalite, de babados, guipires, gizes e gabaritos, bem como de pompons. O que era o pompom, uma vez que fazia um ano que não saía nenhum. Tive a impressão de estar no meio de um filme piegas de Frank Capra e posso dizer que às vezes a pieguice é uma delícia.

Quando a emoção refluiu, embrulhamos, Danièle, Françoise e eu, os cobertores, suéteres e fronhas bordadas que Jo havia recebido, e Danièle encarregou-se de doá-los a uma obra de caridade da diocese de Arras.

Mas o acontecimento mais importante desse período de nossas vidas, o que vinha deixando as gêmeas histéricas de dois dias para cá, é que o bilhete vencedor da EuroMillions tinha saído para Arras. Arras, merda, nosso cu do mundo, poderia ter sido a gente!,gritaram elas, dezoito milhões de euros, tudo bem, é um prêmio irrisório comparado aos setenta e cinco milhões de Franconville, mas, pera lá, dezoito milhões! Ah, a vontade que dá é de dar um tiro na cabeça! O que as deixava ainda mais indóceis, praticamente à beira da apoplexia, era o fato de o ganhador continuar sem se manifestar.

E de faltarem apenas quatro dias para a soma se perder e voltar ao jogo.

Não sei como, mas soube.

Soube, antes de ver os algarismos, que era eu.

Uma chance em setenta e seis milhões, e era eu a premiada. Li o anúncio no Voix du Nord. Estava tudo ali.

O 6, o 7, o 24, o 30 e o 32. As estrelas números 4 e 5.

Um bilhete jogado em Arras, na praça dos Heróis. Uma aposta de dois euros. Um sistema aleatório.

18.547.301 euros e 28 centavos.

Então eu tive um troço.