A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 3 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

No colégio eu sonhava com Fabien Derôme e foi Juliette Bocquet quem teve direito a seu beijo.

 

No 14 de julho de meus treze anos, dancei “L’Étéindien” com meu cavaleiro e rezei para que ele aventurasse a mão em meu esboço de seio; nada feito. Após a música lenta, eu o vi rindo com os colegas.

No ano de meus dezessete anos, sonhei que minha mãe se levantava da calçada onde caíra brutalmente emitindo um grito que não saíra, sonhei que aquilo não era verdade, não era verdade, não era verdade; que não houve aquela mancha súbita entre suas pernas molhando vergonhosamente o vestido. Aos dezessete anos, meu sonho era que minha mãe fosse imortal, que um dia pudesse me ajudar a fazer meu vestido de noiva e me aconselhar na escolha do buquê, do sabor do bolo, da cor delicada dos confeitos.

Aos vinte anos, eu sonhava ser estilista, ir para Paris e ter aulas no Studio Berçot ou no d’Esmod, mas papai já estava doente e aceitei o emprego no armarinho da sra. Pillard. Na época, sonhava em segredo com Solal, com o príncipe encantado, com Johnny Depp e o Kevin Costner da época em que ainda não fizera o implante, e me coube Jocelyn Guerbette, meu Venantino Venantini gorducho, simpaticamente grandalhão e cheio de lábia.

O primeiro encontro se deu no armarinho, quando ele foi comprar trinta centímetros de renda valenciennes para sua mãe, uma renda de bilros com fio contínuo, bem fina, os motivos trabalhados em fosco; uma maravilha. É você que é uma maravilha, ele me disse.

Ruborizei. Meu coração disparou. Ele sorriu. Os homens sabem os desastres que certas palavras deflagram no coração das garotas; e nós, excitadas porque finalmente um homem nos estendeu uma armadilha, caímos como patinhas e somos apanhadas.

Ele me propôs tomar um café depois do expediente. Eu sonhara mil vezes com aquele momento, quando um homem me convidaria, me cortejaria, me desejaria. Sonhara ser sequestrada, carregada para longe no ronronar de um automóvel veloz, empurrada para bordo de um avião que voaria para as ilhas. Sonhara com drinques vermelhos, peixes brancos, páprica e jasmim, mas não com um café na Tabacaria des Arcades. Não com uma mão úmida sobre a minha. Não com aquelas palavras insossas, aquelas frases untuosas, aquelas mentiras precoces.

Aquela noite, portanto, depois que Jocelyn Guerbette me beijou, faminto e impaciente, depois que o repeli delicadamente e ele se foi, prometendo passar no dia seguinte para me ver, abri meu coração e deixei meus sonhos escaparem.