A Lista dos Meus Desejos
Não gritei.
Não chorei. Não soquei as paredes. Nem arranquei os cabelos. Não quebrei nada à minha volta. Não vomitei. Não desmaiei. Nem sequer senti meu coração acelerar ou a possibilidade de uma síncope.
Em todo caso, eu me sentei na cama, para qualquer eventualidade.
Olhei em torno. Nosso quarto.
As pequenas molduras douradas com fotografias dos filhos, em todas as idades. Nossa fotografia de casamento, na mesinha de cabeceira de Jo. Um retrato meu, feito por mamãe, do meu lado da cama; pintou-o em poucos segundos sobre um papelzinho roxo com o que lhe restava de aquarela azul no pincel, é você lendo, ela dissera.
Meu coração permaneceu calmo. Minhas mãos não tremeram.
Me debrucei para pegar a blusa que eu deixara cair no chão.
Coloquei-a ao meu lado, na cama. Meus dedos a haviam amarfanhado antes de largá-la. Vou passá-la daqui a pouco. Eu deveria ter me dado ouvidos e comprado o ferro a vapor que tinha visto na Auchan, por trezentos euros e noventa e nove, vigésima sétima posição da lista de minhas necessidades.
Foi então que comecei a rir. Rir de mim.
Eu sabia.