A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 11 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

À noite, fizemos amor com delicadeza.

 

Seria devido à minha palidez, minha nova fragilidade? Ou ao medo irracional que ele tivera de me perder, algumas horas antes, no restaurante? Seria porque não fazíamos amor havia séculos e ele precisou de um tempo para reaprender a geografia do desejo e voltar a domar suas brutalidades de homem? Ou porque me amava a ponto de colocar meu prazer acima do seu? Naquela noite, eu não sabia. Hoje, sei. Mas, ó Deus, que bela noite.

Lembrou-me as noites das primícias amorosas, aquelas em que aceitamos morrer de madrugada; noites que não se preocupam com nada a não ser consigo próprias, longe do mundo, do barulho, da maldade. Mais tarde, com o passar do tempo, o barulho e a maldade as invadem e o despertar é penoso, as desilusões, cruéis. Depois do desejo, vem sempre o tédio. E só o amor para vencer o tédio. Amor com A maiúsculo; o sonho de nós todas.

Lembro-me de haver chorado ao fim da leitura de Bela do Senhor. Cheguei a sentir raiva quando os amantes se jogaram da janela do Ritz em Genebra. Eu mesma joguei o livro na lata de lixo e, em sua breve queda, ele carregou o A maiúsculo.

Mas naquela noite ele pareceu ter voltado.

Jo saiu de madrugada. Há um mês, ele vem fazendo um estágio das sete e meia às nove, todas as manhãs, para ser promovido a gerente e se aproximar de seus sonhos.

Mas os seus sonhos, meu amor, posso oferecer-lhe agora; seus sonhos não custam muito caro. Um televisor tela plana Sony 52’: 1.400 euros. Um relógio-cronômetro Seiko: 400 euros. Uma lareira na sala: 500 euros, mais 1.500 de mão de obra. Um Porsche Cayenne: 89 mil euros. E o James Bond completo, 22 filmes: 170 euros.

É horrível. É exatamente o que penso.

O que está acontecendo comigo é aterrador.