A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 19 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

A jornalista voltou.

 

Trouxe croissants e um pequeno gravador. Não tenho escapatória.

Não, não sei como começou. Sim, desejei compartilhar minha paixão. Não, nunca pensei de verdade que viesse a interessar tantas mulheres. Não, dedosdeouro não está à venda. Não é pelo dinheiro.

Não, acho que o dinheiro não compra esse tipo de coisa. Sim, é verdade, ganho dinheiro com a publicidade. Ela me permite pagar um salário extra, o de Mado.

Sim, me dá prazer, e sim, tenho orgulho. Não, não me sobe à cabeça e, na verdade, não, não podemos falar realmente de sucesso.

Sim, o sucesso é perigoso, quando começamos a não duvidar mais da gente. Ah, sim, duvido de mim diariamente. Não, meu marido não me ajuda em nada com relação ao blog. Ele estuda comigo a maneira de armazenar as coisas, sim, porque as vendas vão bem; despachamos inclusive um kit de ponto de cruz para Moscou, ontem.

Moscou? Dou uma risada. É um bairro perto do Canal du Midi, em Toulouse. Ah. Não. Não existe mensagem no que faço. Só prazer e paciência. Sim, acho que nem tudo que vem do passado está ultrapassado. Fazer pessoalmente tem uma coisa de muito bonito; não ter pressa, isso é importante. Sim, acho que tudo anda muito rápido. Falamos rápido demais. Refletimos rápido demais, quando refletimos! Enviamos e-mails, mensagens sem reler, perdemos a elegância da ortografia, a polidez, o sentido das coisas. Soube de crianças que publicaram fotos no Facebook nas quais estão vomitando. Não, não, não sou contra o progresso; só tenho medo de que ele isole ainda mais as pessoas. Mês passado, uma adolescente quis morrer, avisou aos seus 237 amigos e ninguém respondeu.

Perdão? Sim, está morta. Enforcou-se. Não houve ninguém para lhe dizer que eram vinte minutos de dores atrozes. Que sempre temos vontade de ser salvos, que apenas o silêncio responde às súplicas asfixiadas. Então, já que você insiste e quer uma fórmula, eu diria que dedosdeouro é como os dedos de uma mão. As mulheres são os dedos, e a mão, a paixão. Posso citá-la? Não, não, é ridículo. Ao contrário, acho comovente. É uma imagem bonita.

Em seguida, desliga o gravador.

Acho que tenho um monte de coisas ótimas para a minha matéria, obrigada, Jo. Ah, uma última pergunta. Ouviu falar dessa moradora de Arras que ganhou dezoito milhões na loteria? Desconfio imediatamente. Sim. Se fosse você, Jo, o que você faria? Não sei o que responder. Ela insiste. Você incrementaria o dedosdeouro? Ajudaria essas mulheres solitárias? Criaria uma fundação? Gaguejo.

Eu... não sei. Isso... isso não aconteceu. E depois, não sou nenhuma santa, imagine. Minha vida é simples e gosto dela tal como é.

Obrigada, Jo.