A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 6 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

Hoje de manhã uma jornalista do L’Observateur de l’Arrageois apareceu no armarinho.

 

Queria me entrevistar a respeito do meu blog, dedosdeouro.

É um blog modesto.

Nele, escrevo todas as manhãs sobre a felicidade do tricô, do bordado e da costura. Nele, dou dicas de fazendas e lãs; fitas com lantejoulas, veludos, cetim e organdi; rendados de algodão e elásticos; cordões rabo de gato, cadarços encerados, fitilho trançado tipo rayonne, cordões de anoraque. Nele, às vezes falo do armarinho, de uma chegada de scratch para costura ou vieses com velcro. Nele, deixo igualmente se insinuarem algumas ondas na alma da bordadeira, da rendeira ou da tecelã; ondas na alma das mulheres que esperam. Somos todas Nathalie, a Isolda de L’Éternelretour.

— A senhora já tem mais de mil e duzentas visitas por dia — exclama a jornalista —, mil e duzentas só nos arredores.

Ela tem a idade dos filhos que nos dão orgulho. É bonita, sardenta, com gengivas róseas e dentes branquíssimos.

Seu blog é uma surpresa. Tenho mil perguntas a lhe fazer. Por que diariamente mil e duzentas mulheres vêm falar de pano. Por que esse entusiasmo súbito pelo tricô, o armarinho... o toque. Acha que sofremos com a falta de contato? Será que o virtual não matou o erotismo? Eu a interrompo. Não sei, digo, não sei. Antes a gente escrevia um diário íntimo, hoje é um blog. A senhora escrevia um diário?, ela aproveita. Sorrio. Não. Não, eu não escrevia diário e não tenho nenhuma resposta para as suas perguntas, sinto muito.

Então ela descansa bloquinho, lápis e bolsa.

Fixa os olhos nos meus. Esmaga minha mão na sua e diz: minha mãe vive sozinha há mais de dez anos. Acorda às seis. Prepara um café. Rega suas plantas. Escuta as notícias no rádio. Toma seu café. Faz uma pequena toalete. Uma hora mais tarde, às sete, seu dia terminou. Há dois meses, uma vizinha lhe falou de seu blog e ela me pediu para comprar uma geringonça — uma geringonça, na linguagem dela, é um computador. Desde então, graças às suas passamanarias, suas borlas e suas fivelas de cortina, ela recuperou a alegria de viver. Então não me venha dizer que não tem respostas.

A jornalista juntou suas coisas dizendo voltarei, e a senhora terá as respostas.

Eram onze e vinte da manhã quando ela foi embora. Minhas mãos tremiam, as palmas estavam úmidas.

Em seguida, fechei a loja e voltei para casa.