A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 15 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

Françoise irrompeu no armarinho.

 

Até que enfim!, gritou, ela foi pegar o cheque! É uma mulher.

Está noticiado aqui, no La Voix du Nord, alguém de Arras, que faz questão de manter o anonimato! Aqui, olhe! Você se dá conta, ela esperou o último minuto! Pois eu teria falado imediatamente, morreria de medo de que não me pagassem, dezoito milhões, você se dá conta, Jo, tudo bem, não são os cem milhões de Venelles, mas eles eram quinze apostadores, o que deu seis milhões pra cada, enquanto nesse caso são dezoito milhões pra ela sozinha, dezoito milhões, mais de mil anos de salário mínimo, Jo, mil anos, droga! Danièle adentrou por sua vez. Estava toda vermelha. Trazia três cafés. U-la-lá, ofegou, que história. Estou atônita, ninguém sabe quem é, nem mesmo a bicha do xampuzeiro do Chez Jean-Jac.

Françoise a interrompeu. Logo veremos um Maserati ou um Cayenne, então vamos saber quem é. Isso não é carro de mulher, deve ser um Mini ou um Fiat 500. Eu interfiro, desmancha-prazeres.

Pode ser que ela não compre carro, pode ser que não mude nada em sua vida.

As gêmeas caem na risada. Porque você não mudaria nada, né? Mofaria no seu pequeno armarinho, vendendo retalhos para ocupar honestas senhoras que se entediam, que nem sequer têm coragem de ter amantes! Oh, não! Faria como nós, mudaria de vida, compraria uma bela casa à beira-mar, na Grécia talvez, faria uma bela viagem, teria um belo carro, mimaria os filhos, e as amigas, acrescentou Françoise; renovaria o guarda-roupa, iria a Paris rodar as butiques, não olharia mais o preço das coisas, puxa, e, como sentiria culpa, faria inclusive uma doação aos portadores de câncer. Ou aos que sofrem de miopatia. Dei de ombros. Posso fazer tudo isso sem ter ganhado, replico. Sim, mas não é a mesma coisa, elas responderam, nada a ver. Você não pode...

Uma freguesa entrou, fazendo com que a gente se calasse; engolisse nossa histeria.

Olhou com desenvoltura as alças de bolsa, sopesou uma, em cânhamo rígido, depois, voltando-se, pediu notícias de Jo.

Tranquilizei-a, agradeci.

Espero que ele tenha gostado do colete, ela disse, um colete verde com botões de madeira, em seguida, soluçando, me contou que a filha mais velha estava no hospital, morrendo dessa gripe maluca. Você tem palavras tão bonitas no seu blog, Jo, o que posso dizer a ela para me despedir? Será que pode me sugerir umas palavras? Por favor.

Danièle e Françoise saíram de fininho. Ainda que possuíssem dezoito milhões, ainda que cada uma de nós possuísse dezoito milhões, nos víamos subitamente impotentes diante daquela mãe.

Quando chegamos ao hospital, sua filha havia sido transferida para a unidade intensiva.