A Lista dos Meus Desejos

Grégoire Delacourt · Capítulo 30 de 35

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A Lista dos Meus Desejos

— Tem certeza do que está fazendo, Jo?

 

Sim. Cem vezes, mil vezes sim. Sim, tenho certeza de querer abandonar Arras, onde Jo me abandonou. Abandonar nossa casa, nossa cama. Sei que não suportarei nem sua ausência nem os cheiros pertinazes de sua presença. De seu creme de barbear, de sua água-decolônia, de sua transpiração lenta, embutida no coração das roupas que ele deixou, e aquele mais forte, na garagem, onde ele gostava de brincar de carpinteiro; seu cheiro acre na serragem, no ar.

As gêmeas me acompanham o mais longe possível. Seus olhos estão marejados. Tento sorrir.

É Françoise quem adivinha e pronuncia o inimaginável.

Jo te largou, é isso? Partiu para uma mais bonita e mais jovem agora que vai ser chefe e desfilar de Cayenne? Então minhas lágrimas rebentam. Não sei, Françoise, ele foi embora. Preciso mentir. Não falo da armadilha, do problema da tentação. Do dique arrebentado do meu amor. Pode ter acontecido alguma coisa com ele, tenta Danièle com uma voz de mel, confortável, não sequestram pessoas na Suíça? Li que, depois que abriram as contas e o dinheiro encoberto apareceu, aquilo virou uma África. Não, Danièle, ele não foi sequestrado, ele me sequestrou dele, me extirpou, amputou, apagou dele, só isso. E você não percebeu nada, Jo? Nada. Nada de nada de nada. Como num filme de terceira. Seu cara saiu para passar uma semana fora, você relê Bela do Senhor enquanto o espera; faz uma máscara, um lifting, uma depilação a cera, uma massagem com óleos essenciais para estar bonitona e macia quando ele chegar e, quando menos espera, é notificada de que ele não voltará. Como sabe disso, Jo, ele deixou uma carta, alguma coisa? Está na minha hora. Não, o pior é isso, nem sequer uma carta, simplesmente nada, um vazio sinistro, sideral.

Françoise me abraça. Sussurro rapidamente uma coisa ao seu ouvido, transmito-lhe minhas últimas vontades. Ligue quando chegar, ela diz, quando termino. Descanse bastante, acrescenta Danièle. E, se precisar de nós, é só chamar. Eu passo pelos controles. Me volto.

Elas continuam ali. Suas mãos são passarinhos.

E então desapareço.