As nagôs estão na rua: cartografia afro-baiana de Belmonte
5.1. Mapas brincantes
A noção de território aqui trabalhada não se refere a territórios geográficos, como comumente utilizada pelos estudos da Geografia tradicional, mas a campos das relações de poder, que obedecem muito mais à lógica do movimento de forças advindas das microações coletivas do que à ideia de fixação de lugar.
5.1. Mapas brincantes
Por sua vez, a cartografia propõe uma reversão metodológica: transformar o metá-hódos em hódos-metá. Essa reversão consiste numa aposta na experimentação do pensamento – um método não para ser aplicado, mas para ser experimentado e assumido como atitude. Com isso não se abre mão do rigor, mas esse é ressignificado. O rigor do caminho, sua precisão, está mais próximo dos movimentos da vida ou da normatividade do vivo, de que fala Canguilhem. A precisão não é tomada como exatidão, mas como compromisso e interesse, como implicação na realidade, como intervenção. (PASSOS; KASTRUP; ESCÓSSIA, 2015, p. 10-11)
Seguindo as orientações de Deleuze e Guattari (1992, p. 48), "[...] numa cartografia, pode-se apenas marcar caminhos e movimentos, com coeficientes de sorte e de perigo. É o que chamamos de 'esquizoanálise', essa análise das linhas, dos espaços, dos devires.". Nesse sentido, cartografar é também reconstruir um mapa, "[...] conectável, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente" (DELEUZE; GUATTARI, 1995 p. 21). Para os autores, o mapa é sempre aberto e sujeito a sofrer interferências e modificações constantemente. O que apresento a seguir é a cartografia de Belmonte, buscando perceber multiplicidades, estabelecendo conexões e composições ou, ainda, seguindo os movimentos de "desterritorialização" e "reterritorialização".