As nagôs estão na rua: cartografia afro-baiana de Belmonte
5.5. O "Bloco Ubuntu"
Seus participantes iniciaram as atividades em janeiro de 2004, organizados por mulheres que saíam na brincadeira dos "Netos de Gandhi". A partir de então, este grupo de mulheres passou a organizar o bloco, que agrega moradores de boa parte da cidade. A maioria dos participantes é da Biela e da Ponta de Areia, bairro que fica na entrada da cidade para quem vem da BR-367.
O "Bloco Negros Mirins" começou sendo organizado por seu Donha, um senhor de mais de setenta anos, responsável por organizar as brincadeiras na Biela. Donha é reconhecido por todos que atualmente organizam as brincadeiras na Biela e nos demais bairros de Belmonte. Ele é um dos idealizadores da brincadeira do "Boi duro", o "Grupo de Boi Bandido", um dos mais antigos da cidade. Atualmente, tanto a brincadeira do Boi como a dos Negros Mirim é organizada nos carnavais e na festa de Santo Reis, em janeiro, por seu filho, Nengo.
O "Bloco dos Negros Mirins" é semelhante ao das Africanas na realização da dança do maculelê. O que marca a diferença entre eles é que o primeiro é composto só por garotos, crianças, adolescentes e adultos com idades variadas, desde os seis anos ao mais velhos, isto é, desde que tenham fôlego para participar da brincadeira. A dança é marcada ao som dos tambores e chulas entoadas pelos participantes enquanto dançam o maculelê.
5.5. O "Bloco Ubuntu"
O "Bloco Ubuntu" é um dos mais novos de Belmonte. Fundado há pouco tempo por Honorinda, o bloco é marcado fortemente pela saudação aos Orixás e caboclos. Durante sua apresentação na abertura do Carnaval, na sexta-feira, a religiosidade do Candomblé é fortemente marcada, desde as indumentárias até as músicas cantadas no caminhar do desfile.
O "Ubuntu", de acordo com o que Honorinda, uma das fundadoras, nos relata, foi criado para que a "cultura não morra" e, ao mesmo tempo, para que a cultura negra seja conhecida, reconhecida e respeitada. É possível identificar, no "Bloco Ubuntu", os elementos do Candomblé de rua, pelos instrumentos utilizados, pelas músicas cantadas nas brincadeiras dentro do terreiro, pelos cuidados na escolha dos Orixás e de quem vai usar as suas roupas durante o desfile. Pude perceber todos esses rituais durante a saída do bloco no Carnaval de 2019, enquanto aguardava a chegada de todos e todas os/as integrantes do bloco. Boa parte dos/ das componentes do bloco frequenta alguns dos terreiros da cidade, seja como filho(a) da casa ou como simpatizante da religião dos Orixás.