Confie em Mim
Capítulo 9
9
A CHEFE DE INVESTIGAÇÕES LOREN MUSE olhou para o relógio. Hora da reunião.
– Pegou m inha tralha? – perguntou.
Sua assistente era um a j ovem cham ada Cham ique Johnson. Muse a havia conhecido durante um j ulgam ento por estupro que tivera certa repercussão. Depois de um difícil com eço no cargo, Cham ique se tornara praticam ente indispensável.
– Aqui está – respondeu.
– Isso aí é m uito im portante.
– Eu sei.
Muse pegou o envelope.
– Está tudo aqui? – perguntou.
– Vou fingir que não ouvi – protestou Cham ique.
Muse se desculpou e seguiu para o gabinete do prom otor público de Essex, ou sej a, a sala de seu chefe, Paul Copeland.
A recepcionista (ela era nova no cargo e Muse era péssim a com nom es) cum prim entou-a com um sorriso.
– Todos j á estão esperando pela senhora.
– Quem está esperando por m im ?
– O prom otor Copeland.
– Você disse “todos”.
– Com o?
– Você disse que “todos” j á estão esperando por m im . “Todos” sugere m ais de um a pessoa. Provavelm ente m ais de duas.
A recepcionista parecia confusa.
– Ah, claro. Deve haver um as quatro ou cinco pessoas lá dentro.
– Com o prom otor Copeland?
– Sim .
– Quem são essas pessoas?
Ela encolheu os om bros.
– Outros investigadores, acho.
Muse não sabia ao certo o que pensar daquilo. Ela havia solicitado um a reunião particular para discutir a situação delicada com Frank Trem ont. Não havia contado com a presença de outros investigadores.
Ouviu as risadas m esm o antes de entrar. Havia seis pessoas na sala, incluindo Paul Copeland. Todos hom ens. Frank Trem ont tam bém estava lá, além de três outros investigadores subordinados a ela. O sexto hom em era rem otam ente fam iliar. Estava m unido de um bloquinho e um a caneta e, sobre a m esa, diante dele, havia um gravador.
Cope, com o o prom otor público era cham ado por todos, encontrava-se do outro lado de sua m esa, gargalhando de algum a coisa que Trem ont acabara de sussurrar.
Muse sentiu as bochechas queim arem .
– Oi, Muse – disse o prom otor.
– Cope – devolveu ela, e acenou a cabeça para os dem ais.
– Entre e feche a porta.
Muse entrou. Parada no m eio da sala, sentiu todos os olhares se voltarem para ela. Mais fogo nas bochechas. Achando que aquilo era um a cilada, fuzilou o chefe com o olhar. Mas Cope fingiu não perceber: sim plesm ente sorriu com o o paler-m a bonitão que sabia ser. Muse tentou sinalizar com os olhos que queria falar com ele a sós, que aquilo parecia um a em boscada, m as novam ente não obteve a atenção do chefe.
– Vam os com eçar? – disse ele.
– Tudo bem – respondeu Muse.
– Espere aí. Você j á conhece todo m undo?
Cope j á havia causado certo rebuliço ao ser nom eado prom otor do condado de Essex e surpreender todo m undo prom ovendo Loren Muse a chefe de investigações. O cargo geralm ente era ocupado por algum m em bro da velha guarda, sem pre um hom em , cuj a m issão era apresentar o prom otor recém -em possado, afilhado político de alguém , aos m eandros do sistem a. Loren Muse era um dos m em bros m ais j ovens do departam ento. Quando perguntado que critérios ele havia usado para escolher um a j ovem m ulher em detrim ento de tantos veteranos do sexo m asculino, Paul Copeland invariavelm ente respondia: “Mérito.”
Agora lá estava ela, diante de quatro desses veteranos preteridos.
– Não conheço este senhor – disse Muse, indicando o hom em com o bloquinho e a caneta.
– Ah, desculpe. – Com o se fosse um apresentador de TV, Cope esticou o braço e abriu seu m elhor sorriso. – Este é Tom Gaughan, repórter do Star-Ledger.
Muse não disse nada. O filho-da-m ãe do cunhado de Trem ont. As coisas estavam ficando cada vez m elhores.
– Você se im porta se a gente com eçar agora? – perguntou Cope a ela.
– Por m im , tudo bem – disse ela.
– Ótim o. Bem , Frank tem um a reclam ação. Pode falar, Frank.
Paul Copeland estava perto dos 40 anos. Sua esposa havia m orrido de câncer logo depois do nascim ento da filha deles, Cara, agora com 7 anos. Ele a havia criado sozinho. Pelo m enos até então. Já não se viam m ais fotos da m enina sobre a m esa dele. Antes elas estavam lá. Muse lem brava que, logo no início, Cope colocara um a foto de Cara na prateleira de livros bem atrás de sua cadeira. Certo dia, depois de eles terem acabado com um pedófilo nos tribunais, Cope retirara a foto. Muse j am ais tocara no assunto, m as achava que havia algum a relação.
Tam bém não se via nenhum a foto da atual noiva, m as um sm oking em brulhado num a capa de plástico estava pendurado no cabideiro de Cope. O casam ento seria no sábado. Muse estaria lá. Na verdade, seria um a das m adrinhas.
Cope sentou-se à sua m esa, passando a palavra a Trem ont. Na ausência de um a cadeira disponível, Muse perm aneceu de pé. Vulnerável e furiosa. Um subordinado estava prestes a atacá-la e Cope, que deveria defendê-la, assistia a tudo de braços cruzados. Muse precisou se controlar para não acusá-los de sexism o; sabia que, se fosse hom em , dificilm ente teria de engolir os disparates de Trem ont. Teria poder suficiente para colocá-lo na rua sem se preocupar com repercussões políticas e na im prensa.
Frank Trem ont puxou as calças pelo cinto, em bora continuasse sentado.
– Olhe, sem querer faltar ao respeito com a nossa Muse aqui…
– Chefe de investigações Muse – corrigiu ela.
– Com o é que é?
– Não sou “a nossa Muse”. Tenho um cargo. Chefe de investigações. A sua chefe. Trem ont sorriu. Lentam ente correu os olhos pelos colegas investigadores e pelo cunhado repórter, a expressão querendo dizer: “Eu não falei?”
– Você é bastante sensível, não é, chefe de investigações Muse? – disse ele, cheio de sarcasm o.
Muse olhou de relance para Cope, que se m anteve im passível. Não exibia no rosto nenhum a expressão de consolo. Sim plesm ente falou:
– Desculpe a interrupção, Frank. Continue.
Muse sentiu as m ãos se fecharem num punho.
– Pois bem , com o eu ia dizendo, tenho 28 anos de corporação. Estou nesse caso da puta encontrada no lixão do Fifth Ward. E ela aparece por lá sem ser cham ada. Não gostei, nem é ético. Mas, se ela acha que pode ser útil, tudo bem . Agora, não vou aceitar que com ece a m e dar ordens, com o se o caso fosse dela, tirando m inha autoridade na frente dos policiais. – Ele abriu os braços. – Isso não está certo.
– É, foi você quem encontrou esse caso – concordou Cope.
– Certo.
– Fale m ais.
– Hein?
– Sobre o caso.
– Não sabem os m uita coisa ainda. Puta encontrada m orta. Alguém destruiu a cara dela. Eu acho que ela foi espancada até a m orte. Nada de identidade por enquanto. Interrogam os algum as das outras putas, m as ninguém a conhecia.
– Elas nunca viram a vítim a ou sim plesm ente não sabem o nom e dela? – perguntou Cope.
– Elas não quiseram falar m uito, m as você sabe com o é. Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada. Mas vam os puxar a língua delas, pode deixar.
– Mais algum a coisa?
– Encontram os um a bandana verde. A cor de um a gangue nova, em bora não sej a exatam ente do m esm o tom . Estou à procura de uns m em bros dessa tal gangue. Vam os dar um aperto neles, ver o que conseguim os arrancar. Tam bém estam os dando um a olhada nos com putadores, para ver se alguém anda m atando putas com o m esm o modus operandi naquela região.
– E?
– Até agora, nada. Quer dizer, tem um m onte de putas assassinadas. O chefe sabe disso, claro. Essa foi a sétim a este ano.
– Im pressões digitais?
– Pesquisam os nos arquivos locais. Nada. Vam os procurar no sistem a do FBI tam bém , m as isso vai levar um tem po.
– Sei – disse Cope. – Então. Qual é exatam ente o seu problem a com Loren?
– Vej a bem , não quero pisar nos calos de ninguém , m as verdade sej a dita: ela nem devia estar nesse cargo. Foi escolhida só porque é m ulher. Até entendo isso. Hoj e em dia é assim : o suj eito rala durante anos, m as perde a prom oção para outra pessoa só porque ela tem a pele escura ou não tem um pau entre as pernas. Eu entendo. Mas isso tam bém é discrim inação. Quer dizer, só porque sou hom em e ela é m ulher, isso não significa que ela possa fazer o que bem entender, certo? Se eu fosse chefe dela e ficasse questionando tudo o que ela fizesse, bem … Ela provavelm ente iria botar a boca no trom bone, m e acusando de assédio sexual, estupro e ainda iria m e processar.
– Faz sentido – disse Cope. E virando-se para Loren: – Muse?
– Sim ?
– Algum com entário?
– Para início de conversa – disse Muse –, não tenho certeza se sou a única nesta sala que não tem um pau entre as pernas. – Ela olhou para Trem ont.
– Mais algum a coisa? – disse Cope.
– Estou m e sentindo coagida.
– De m odo algum – disse Cope. – Você é a chefe dele, m as isso não significa que precisa ficar paj eando-o, feito um a babá, certo? Sou seu chefe, m as não faço isso com você, faço?
Muse estava furiosa.
– O investigador Trem ont tem m uitos anos de casa. Tem am igos e é bastante respeitado. Por isso resolvi dar a ele essa oportunidade. Trem ont queria fazer um estardalhaço na im prensa com esta história. Um a reclam ação form al. Pedi a ele que fosse razoável e concordasse com esta reunião. Perm iti que convidasse o Sr. Gaughan para que ele visse de perto com o é o nosso trabalho. Num a boa, sem nenhum a hostilidade.
Todos se viraram para ela.
– Agora vou perguntar de novo – disse Cope, encarando-a. – Você tem algum com entário a fazer sobre tudo o que o investigador Trem ont acabou de dizer?
Agora Cope estava sorrindo. Não era um sorriso largo. Apenas um leve trem or nos cantos da boca. E foi então que ela entendeu.
– Tenho, sim – disse Muse.
– A palavra é sua.
Cope recostou-se na cadeira e cruzou as m ãos na nuca.
– Vam os com eçar pelo fato de que não acho que a vítim a sej a um a prostituta.
Cope arqueou as sobrancelhas com o se tivesse ouvido a m ais surpreendente revelação de todos os tem pos.
– Não acha?
– Não.
– Mas eu vi as roupas dela – disse Cope. – E acabei de ouvir o relato de Frank. Além disso, o local onde o corpo foi encontrado… Todo m undo sabe que aquilo ali é um antro de prostituição.
– Inclusive o assassino – disse Muse. – Foi por isso que desovou o corpo lá.
Frank Trem ont irrom peu num a gargalhada.
– Isso só pode ser um a piada. Muse, m eu bem , você precisa de provas e não de palpites.
– Você quer provas, Frank?
– Claro. O que você tem para m ostrar? Nada, aposto.
– Em prim eiro lugar, a cor da pele.
– Com o assim , a cor da pele?
– A vítim a era branca.
– Ah, m as isso é m uito bom – disse Trem ont, aplaudindo. – Isso é excelente! – Ele olhou para Gaughan e perguntou: – Anotou, Tom ? Porque isso é um a pérola. Eu sugiro que a m orte de um a prostituta não devia ser prioridade e isso faz de m im um hom em das cavernas, um m onstro preconceituoso. Mas quando a nossa Muse afirm a que a vítim a não pode ser prostituta porque é branca, ah, isso é um exem plo de investigação policial. – Ele apontou o indicador na direção de Muse e disse: – Você está precisando passar m ais tem po nas ruas.
– Você disse que este ano outras seis prostitutas foram assassinadas, não disse?
– E daí?
– Sabia que todas elas eram afro-am ericanas?
– Isso não quer dizer nada. Talvez essas outras seis fossem … sei lá, altas. E a nossa vítim a era baixa. Quer dizer então que ela não era puta?
Muse se aproxim ou do quadro de avisos na parede da sala. Retirou um a fotografia do envelope que tinha trazido e pregou-a no quadro com um a tachinha.
– Foi tirada na cena do crim e.
Todos olharam .
– Aquelas ali são as outras putas – disse Trem ont –, do outro lado do cordão de isolam ento.
– Ótim o, Frank. Mas da próxim a vez levante a m ão e espere até que eu lhe dê a palavra.
Trem ont cruzou os braços.
– E o que tem essa foto?
– O que é que você está vendo? – perguntou Muse.
– Putas – respondeu Trem ont.
– Exatam ente. Quantas?
– Sei lá. Quer que eu conte?
– Chute.
– Um as 20.
– Vinte e três. Muito bem , Frank.
– E daí?
– Agora conte quantas são brancas.
Ninguém precisava contar nada para saber a resposta: nenhum a.
– Então agora você está dizendo, Muse, que não existem prostitutas brancas? É isso?
– Claro que existem . Mas poucas naquela área. Pesquisei os registros dos últim os três m eses. Segundo os relatórios de carceragem , nenhum a m ulher branca foi presa por prostituição num raio de três quarteirões durante esse período. E com o você m esm o disse, as im pressões digitais dela não constam do sistem a. De quantas prostitutas locais você acha que poderia dizer o m esm o?
– De m uitas – disse Trem ont. – Elas vêm de outros estados, ficam um tem po e, se não m orrem assassinadas, seguem para Atlantic City. – Espalm ando as m ãos para o alto, ele em endou: – Puxa, Muse, você é ótim a. Acho que vou pedir as m inhas contas agora m esm o.
Trem ont deu um risinho. Muse continuou séria.
Em seguida, ela pegou outras fotos e as prendeu no quadro.
– Reparem nos braços da vítim a.
– O que têm os braços dela?
– Nenhum a m arca de agulha. Os exam es prelim inares não apontam a presença de nenhum a substância ilegal no sangue dela. Portanto, Frank, m ais um a vez eu pergunto: quantas prostitutas brancas na região do Fifth Ward não são viciadas?
Dessa vez ele não soube o que dizer.
– Além disso, ela é bem nutrida – prosseguiu Muse –, m as isso não significa grande coisa hoj e em dia. Muitas prostitutas são bem nutridas. Nenhum a escoriação ou fratura im portante anteriores ao incidente: isto, sim , é pouco com um para um a prostituta que trabalha por ali. Quanto à arcada dentária, não podem os inferir m uita coisa, j á que quase todos os dentes foram destruídos. Mas os poucos que sobraram … eram m uito bem cuidados. Olhem só para isso.
Muse pregou m ais um a fotografia sobre o quadro.
– Sapatos? – espantou-se Trem ont.
– Muito bem , Flipper – provocou Muse.
Cope lançou um olhar para ela que deixava claro que a chefe de investigações deveria dim inuir o tom sarcástico.
– Salto-agulha, sapatos de puta. Olhe só para essas botinas que você está usando, Muse. Por acaso nunca usa um sapato de m ulher? Nem de vez em quando?
– Eu não, Frank, e você?
Risinhos se espalharam na sala. Cope balançou a cabeça.
– Aonde você quer chegar, afinal? – perguntou Trem ont. – Esses sapatos aí saíram direto do catálogo das putas.
– Dê um a olhada nas solas. – Muse usou um a caneta para apontar.
– O que eu teria de ver?
– Nada. Esse é o problem a. Nenhum sinal de uso. Nem um sim ples risquinho.
– Os sapatos são novos, e daí?
– Novos dem ais. Mandei fazer um a am pliação. – Muse pregou a foto am pliada. – Ninguém nunca usou estes sapatos. Nem um a única vez.
Silêncio na sala.
– E daí?
– Ótim a pergunta, Frank.
– Vá à m erda, Muse, isso não quer dizer que…
– Ah, e nenhum a am ostra de sêm en foi encontrada nela.
– Talvez o assassino fosse o prim eiro cliente do dia, ora.
– Pode ser. Eu tam bém gostaria ainda que vocês exam inassem o bronzeado da vítim a.
– Bronzeado?
– Isso m esm o.
Trem ont fez um a careta de espanto, m as sua platéia j á estava m inguando.
– Não é à toa, Muse. Essas putas trabalham na rua, e as ruas, com o você sabe, ficam do lado de fora. As m oças ficam do lado de fora, Muse. Quase o tem po todo.
– Tirando o fato de que tem os tido pouco sol ultim am ente, as m arcas do bronzeado não batem . Elas param por aqui – ela apontou para os om bros –, e a barriga é com pletam ente branca. Em resum o: essa m ulher usava cam isetas, e não biquíni. Quanto à tal bandana verde, encontrada na m ão dela…
– Arrancada do agressor durante o ataque – interrom peu Trem ont.
– Não, não foi arrancada de ninguém . É óbvio que foi plantada. O corpo foi deslocado, Frank. Não dá para acreditar que essa m ulher tenha arrancado um a bandana da cabeça de seu agressor enquanto lutava com ele, m uito m enos que o assassino tenha deixado essa m esm a bandana na m ão dela ao desovar o corpo.
– Sei lá, de repente era um recado da gangue.
– Pode ser. Mas e o espancam ento?
– O que é que tem ?
– Exagerado dem ais. Ninguém espanca um a pessoa com tam anha precisão.
– Você tem algum a teoria?
– Um a bastante óbvia. O agressor não queria que a vítim a fosse reconhecida. E tem m ais. Pense bem , onde é que ela foi desovada?
– Num antro bastante conhecido de prostituição.
– Exatam ente. Sabem os que ela não foi assassinada ali. Foi desovada. Mas por que ali? Se ela era um a prostituta, por que o agressor ia querer que soubéssem os disso? Por que desovar um a prostituta num antro de prostituição? Vou lhe dizer por quê. Porque se logo no início das investigações ela fosse tom ada por um a prostituta e um investigador gordo e preguiçoso assum isse o caso e optasse pelo cam inho m ais fácil…
– Quem é gordo e preguiçoso aqui?
Frank Trem ont ficou de pé. E Cope disse com tranqüilidade:
– Sente-se, Frank.
– Você vai deixar que essa aí…
– Shhh – disse Cope. – Está ouvindo esse barulhinho?
Todos se espantaram .
– Que barulhinho?
Cope colocou a m ão em concha em volta da orelha.
– Escute, Frank. Está ouvindo? – sussurrou ele. – É o barulhinho da sua incom petência sendo revelada para as m assas. Não só sua incom petência com o tam bém sua burrice suicida ao investir contra sua chefe sem ter fatos para apresentar a seu favor.
– Não tenho de engol…
– Shhh, ouça. Apenas ouça.
Muse se segurava para não rir.
– Estava ouvindo, Sr. Gaughan? – perguntou Cope.
Gaughan pigarreou.
– Ouvi o que foi preciso ouvir.
– Ótim o, porque eu tam bém . E j á que o senhor pediu perm issão para gravar nossa conversa, achei que era m eu dever fazer o m esm o. – Cope retirou um pequeno gravador de trás de um livro sobre a m esa. – Só por precaução, sabe. Caso seu chefe pedisse para ouvir exatam ente o que foi dito aqui e seu gravador desse um defeito qualquer. Não seria nada bom se alguém pensasse que o senhor deturpou sua história para favorecer seu cunhado, não é?
Cope sorriu para Trem ont e Gaughan. Nenhum dos dois sorriu de volta.
– Senhores, m ais algum com entário? Não? Ótim o. Então, de volta ao trabalho. Frank, você pode tirar o resto do dia de folga. Para pensar direito nas suas opções, talvez até dar um a olhada nos excelentes planos de aposentadoria que oferecem os.