Confie em Mim

Harlan Coben · Capítulo 25 de 42

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Confie em Mim

Capítulo 25

25

M O DIRIGIU ATÉ O BRONX. ESTACIONOU diante do endereço que Anthony dera a Mike.

– Você não vai acreditar – disse.

– Que foi?

– Estam os sendo seguidos.

Mike era esperto o bastante para não se virar im ediatam ente.

– Chevrolet azul, quatro portas, estacionado em fila dupla no fim do quarteirão. Dois caras, am bos com boné dos Yankees e óculos escuros.

Na noite anterior, aquela rua transbordava de gente. Agora estava praticam ente vazia. As pessoas que se encontravam por lá dorm iam diante de um a porta qualquer ou se deslocavam com im pressionante letargia, pernas arrastadas, braços largados ao longo do corpo. Mike tinha a im pressão de que a qualquer instante veria um novelo de capim seco soprado pelo vento, com o nos film es de bangue-bangue.

– Você entra lá – disse Mo. – Tenho um am igo que talvez possa descobrir algum a coisa sobre a placa do Chevrolet. Vou ligar para ele.

Mike concordou com um gesto de cabeça. Saiu do carro, tentando ser discreto ao olhar para o Chevrolet azul. Quase não o viu, m as não quis correr o risco de olhar outra vez. Seguiu na direção da porta de ferro. Um a placa inform ava: CLUB JAGUAR. Mike apertou o botão e a porta se destravou com um zum bido.

No interior da boate, as paredes eram daquele am arelo geralm ente associado ao McDonald’s ou à ala infantil de um hospital cheio de boas intenções. À direita, havia um quadro de avisos repleto de listas de adesão para sessões de consultoria, aulas de m úsica, grupos de leitura e diversos tipos de terapia para drogados, alcoólatras e vítim as de abuso físico ou m ental. Vários folhetos recrutavam pessoas para dividir o aluguel de um apartam ento, com abas destacáveis inform ando o núm ero de telefone. Alguém estava vendendo um sofá por 100 dólares. Outro tentava repassar alguns am plificadores de guitarra.

Mike passou pelo quadro de avisos e se aproxim ou da recepção. Um a m oça com piercing no nariz levantou o rosto e disse:

– Em que posso aj udá-lo?

Mike segurava um a foto de Adam .

– Por acaso você viu este garoto por aqui? – perguntou.

– Sou apenas a recepcionista – disse a m oça.

– Recepcionistas tam bém têm olhos. Perguntei se você viu este garoto.

– Não posso falar sobre nossos clientes.

– Não pedi nada disso. Só quero saber se você o viu.

A m oça crispou os lábios. Só então Mike percebeu que ela tam bém tinha piercings na boca. Ela ficou olhando para ele, im óvel. Mike viu que não chegaria a lugar nenhum com a recepcionista.

– Posso falar com o chefe da casa?

– Rosem ary . É com ela que o senhor deve falar.

– Ótim o. Você pode cham á-la para m im ?

A garota cheia de piercings pegou o telefone e, tapando o bocal, resm ungou algum a coisa. Dez segundos depois, abriu um sorriso e disse:

– A Srta. McDevitt vai recebê-lo agora m esm o. Terceira porta à direita.

Mike não sabia ao certo o que esperava, m as Rosem ary McDevitt revelou-se um a surpresa. Era j ovem , m iúda, e tinha aquele tipo de sensualidade natural que fazia lem brar um felino qualquer, talvez um pum a. Exibia um a m echa roxa m isturada aos cabelos m uito pretos e um a tatuagem que subia do om bro até o pescoço. Vestia um colete de couro preto sem m angas, sem nada por baixo. Os braços eram fortes e braçadeiras de couro cingiam os bíceps.

Ela ficou de pé, sorriu e estendeu a m ão.

– Sej a bem -vindo.

Mike a cum prim entou.

– Em que posso aj udá-lo?

– Meu nom e é Mike Bay e.

– Oi, Mike.

– Hm m , oi. Estou procurando m eu filho.

Mike não era exatam ente um hom em alto, m as ainda assim era uns 15 centím etros m aior que ela. Rosem ary McDevitt exam inou a foto de Adam , im passível.

– Você o conhece? – perguntou Mike.

– Você sabe que não posso responder isso.

Rosem ary tentou devolver a foto, porém Mike não a aceitou de volta. Percebendo que a agressividade não levaria a lugar nenhum , ele preferiu se controlar e respirou fundo.

– Não estou pedindo que você traia a confiança de ninguém …

– Está, sim , Mike. – Ela abriu um sorriso doce. – É exatam ente isso que você está pedindo.

– Quero encontrar m eu filho, só isso.

Ela abriu os braços e disse:

– Por acaso isto aqui parece um balcão de achados e perdidos?

– Ele está desaparecido.

– Este lugar é um santuário, Mike. Entende o que estou dizendo? Os garotos vêm para cá quando precisam descansar dos pais.

– É possível que m eu filho estej a correndo perigo. Ele saiu sem avisar ninguém . Ontem à noite ele esteve aqui e…

– Espere aí, Mike! – disse Rosem ary , erguendo a m ão.

– O que foi?

– Ele esteve aqui ontem à noite. Foi isso que você disse, Mike?

– Foi.

– E com o é que você sabe disso, Mike? – perguntou ela, os olhos apertados.

Ele com eçava a se irritar com a repetição desnecessária do seu nom e.

– Com o é que eu sei?

– Exatam ente.

– Isso não tem a m enor im portância.

Rosem ary sorriu e recuou um pouco.

– Claro que tem – insistiu.

Mike precisava m udar de assunto. Correu os olhos pela sala.

– Que lugar é este afinal? – perguntou.

– Um lugar híbrido, digam os assim . – A expressão de Rosem ary deixava claro que sabia m uito bem o que estava por trás daquela pergunta. – Um centro com unitário para adolescentes, m as com um toque de m odernidade.

– Com o assim ?

– Você se lem bra daqueles program as assistenciais que prom oviam j ogos de basquete à m eia-noite?

– Nos anos 1990, não foi? Para m anter a garotada fora das ruas.

– Isso m esm o. Não interessa se eles deram certo ou não, m as o negócio é o seguinte: esses program as eram destinados exclusivam ente aos garotos dos bairros m ais pobres e para m uita gente isso era um tipo de racism o. Basquete à m eia-noite no interior da cidade?

– E vocês são diferentes?

– Em prim eiro lugar, não atendem os apenas aos pobres. Isto que vou dizer pode parecer um tanto fascista, m as talvez não sej am os a m elhor fonte de aj uda para os afro-am ericanos ou para os pobres. A aj uda para essas pessoas tem de vir de dentro da com unidade delas. E, a longo prazo, não sei se é possível afastar as tentações com um program a dessa natureza. Esses m eninos têm de ver que a saída para eles não está nas drogas ou no crim e, e duvido que um j ogo de basquete possa fazer isso.

Um grupo de garotos-quase-hom ens invadiu a sala de Rosem ary, todos devidam ente vestidos de preto e param entados com um a am pla gam a de correntes e argolas. As calças tinham bocas tão largas que chegavam a esconder os sapatos.

– E aí, Rosem ary ?

– Oi, galera.

Eles se aproxim aram . Rosem ary virou-se para Mike e disse:

– Onde você m ora?

– Nova Jersey .

– Subúrbios, certo?

– Certo.

– Os adolescentes da sua vizinhança. Em que tipo de encrenca eles se m etem ?

– Sei lá. Drogas, bebida.

– Claro! Eles querem se divertir. Sentem -se entediados. E talvez estej am m esm o, vai saber. Eles querem ir para a rua, enlouquecer, azarar nas boates, esse tipo de coisa. Não querem j ogar basquete. Então, é isso que a gente faz aqui.

– Vocês deixam que eles enlouqueçam ?

– Não do m odo que você está pensando. Vem , vou lhe m ostrar.

Com Mike a seu lado, Rosem ary saiu na direção do corredor de paredes am arelas. Cam inhava com os om bros em pertigados, a cabeça erguida. Levava um a chave na m ão. Ao fim do corredor, destrancou um a porta, e eles desceram um lanço de escada.

Em baixo havia um a boate, ou um a discoteca, ou fosse lá o nom e que a garotada andava dando àquilo. Havia sofás acolchoados, m esas que se acendiam , bancos baixos, assoalho de m adeira. Tam bém havia um a cabine de DJ, m as no lugar do tradicional globo de espelhos, luzes coloridas que piscavam e giravam num a espécie de coreografia. As palavras CLUB JAGUAR haviam sido grafitadas com estilo na parede dos fundos.

– É isso que os adolescentes querem – disse Rosem ary McDevitt. – Um lugar para descontrair. Para se divertirem com os am igos. Não servim os álcool, m as drinques que se parecem com álcool. Os bartenders e as garçonetes são bonitos. Fazem os tudo o que as m elhores boates fazem . Só que aqui eles não correm nenhum risco, entende? Muitos garotos com o seu filho vêm para essa parte da cidade e tentam entrar nas boates com um a identidade falsa. Querem com prar drogas, fazem de tudo para conseguir um a bebida, apesar de serem m enores de idade. O que fazem os é tentar canalizar essa energia de form a m ais saudável.

– Você quer dizer para essa boate.

– É. Mas aqui tam bém oferecem os aconselham ento, clubes de leitura, terapias de grupo, um a sala com Xbox e Play station 3… Enfim , tudo o que você encontraria num centro com unitário norm al. Mas é esta pista de dança que faz a diferença. Ela torna este lugar descolado, para usar um a gíria dos j ovens.

– Ouvi dizer que servem álcool aqui.

– Não é verdade. A m aioria dos boatos vem da concorrência, que está perdendo clientes para a gente.

Mike não disse nada.

– Digam os que seu filho tenha vindo ao Bronx ontem à noite. Ele pode ter ido para a Third Avenue e com prado cocaína num beco qualquer. A uns 50 m etros daqui tem um cara que vende heroína. Hoj e em dia a garotada vem para cá e com pra o que bem entende nessas ruas. Ou então eles dão um j eito de entrar num a boate e enchem a cara, se não fizerem coisa pior. Aqui eles estão protegidos. Podem extravasar em total segurança.

– Vocês deixam entrar os m eninos de rua tam bém ?

– Não barraríam os a entrada deles, m as outras organizações estão m ais bem equipadas para aj udá-los. Não tentam os m udar a vida das pessoas dessa m aneira, porque, para falar a verdade, acho que isso não funciona. Um garoto problem ático, ou que tem um a fam ília problem ática, precisa de m uito m ais do que tem os a oferecer aqui. Nosso obj etivo é evitar que os garotos essencialm ente bons sigam pelo cam inho errado. O problem a deles é quase o oposto do dos garotos de rua. Norm alm ente seus pais os superprotegem . Eles ficam em cim a dos filhos 24 horas por dia. A garotada não tem nem espaço para se rebelar.

Ele m esm o usara esse argum ento com Tia durante anos. Os pais realm ente andavam exagerando na proteção dos filhos. Na idade de Adam , Mike tinha perm issão para andar sozinho na rua. Aos sábados, ia para o Branch Brook Park e passava o dia inteiro lá, j ogando, e só voltava para casa tarde da noite. Já os filhos dele, Adam e Jill, não podiam sequer atravessar um a rua sem que ele ou Tia estivessem vigiando, receosos de que… de que m esm o?

– Então vocês dão a eles esse espaço.

– Certo.

Mike refletiu um instante, balançando a cabeça.

– E quem dirige este lugar?

– Eu m esm a. Fundei isto aqui há três anos, depois que m eu irm ão m orreu de overdose. Greg era um cara legal. Tinha 16 anos. Não praticava nenhum esporte, não era popular na escola, nada disso. Nossos pais, bem com o a sociedade em geral, eram m uito controladores. Greg teve essa overdose, sei lá, na segunda vez que se drogou.

– Sinto m uito.

Rosem ary deu de om bros e voltou para a escada. Mike foi atrás dela.

– Srta. McDevitt? – disse.

– Pode m e cham ar de Rosem ary .

– Rosem ary. Não quero que m eu filho se torne m ais um núm ero de estatística. Ele esteve aqui ontem à noite. E agora não sei onde ele está.

– Não posso fazer nada.

– Já viu m eu filho antes?

Ela ainda seguia à frente dele.

– Minha m issão aqui é bem m ais am pla, Mike.

– Quer dizer então que m eu filho é descartável?

– Não foi isso que eu disse. Mas nunca converso com os pais. Nunca. Este lugar é para os adolescentes. Se alguém souber que…

– Não vou dizer nada a ninguém .

– Com o qualquer em presa, tam bém tenho a m inha declaração de m issão. E não falar com os pais faz parte dela.

– E se Adam estiver em perigo?

– Se fosse esse o caso, eu faria o que pudesse para aj udar. Mas não é.

Mike estava prestes a protestar quando viu um bando de góticos m ais adiante no corredor.

– Esses garotos são seus clientes? – perguntou, j á entrando na sala de Rosem ary .

– Clientes e facilitadores – disse ela.

– Facilitadores?

– Fazem de tudo um pouco. Aj udam na lim peza. Se divertem à noite. E tam bém vigiam o clube.

– Com o seguranças?

– A palavra talvez sej a um pouco forte – retrucou Rosem ary, com edidam ente. – Eles aj udam na adaptação dos novatos. A m anter as coisas sob controle. Ficam de olho no lugar, im pedindo que os garotos fum em ou se droguem nos banheiros, esse tipo de coisa.

Mike fez um a careta e disse:

– Os encarcerados que m andam na prisão.

– São bons garotos.

Mike olhou para eles. E depois para Rosem ary. Observou-a por um segundo e gostou do que viu. Rosem ary tinha um belo rosto, de m odelo, com m açãs salientes que por pouco não pediam para serem m ordidas. Mike olhou de volta para os góticos no corredor, os quatro ou cinco que se m isturavam num a única m ancha negra. Eles faziam de tudo para intim idá-lo com um ar afetado de valentia; não conseguiam .

– Rosem ary ?

– Sim ?

– Tem algum a coisa nesse seu discurso que não m e convence – disse Mike.

– Meu discurso?

– O texto que você usa para vender este lugar. Por um lado, tudo faz sentido.

– E por outro?

Mike a encarou.

– Acho que tudo isso não passa de conversa fiada. Onde está m eu filho?

– Acho m elhor você ir em bora agora.

– Se m eu filho estiver escondido aqui, vou j ogar esta espelunca no chão, tij olo por tij olo, até encontrá-lo.

– O senhor está passando dos lim ites, Dr. Bay e. – Ela olhou para os góticos do corredor e fez um discreto sinal. Eles entraram na sala e cercaram Mike. – Por favor, vá em bora j á.

– Você vai m andar os seus – ele fez o sinal de aspas com os dedos – “facilitadores” m e j ogarem na rua?

O m ais alto dos góticos sorriu com sarcasm o e disse:

– Pelo visto, j á andaram j ogando o senhor na rua outras vezes.

Os outros riram tam bém . Apesar das roupas pretas e do rím el, a pele m uito clara conferia a todos um aspecto frágil que sabotava toda e qualquer careta de valentia. Talvez fosse isto o m ais assustador: o desespero daqueles garotos. A vontade de ser algo que sim plesm ente não eram .

Mike considerou as possibilidades. O gótico m ais alto tinha cerca de 20 anos, era ossudo e exibia um pom o-de-adão saliente. Mike pensou em surpreendê-lo com um soco no estôm ago, só para deixar o filho-da-m ãe sem fôlego, elim inar o chefe da gangue e m ostrar que não estava de brincadeira. Depois pensou em usar o antebraço para golpeá-lo na garganta, deixá-lo pelo m enos um as duas sem anas sem conseguir falar. Mas isso serviria apenas para atiçar os dem ais. Mike achou que seria capaz de encarar uns dois ou três, m as não o grupo inteiro.

Ele ainda refletia sobre o que fazer quando algo cham ou sua atenção. A pesada porta de m etal da boate zum biu e foi aberta por m ais um gótico. Mas não foram as roupas pretas que o surpreenderam .

Foram os olhos, tam bém pretos.

Além disso, o gótico recém -chegado exibia um esparadrapo sobre o nariz. Que, Mike deduziu, devia ter sido quebrado recentem ente.

Alguns dos góticos foram ao encontro do garoto de nariz quebrado e se cum prim entaram batendo as m ãos espalm adas. Moviam -se com o se chapinhassem num chão coberto de m el, quase em câm era lenta. Tam bém falavam devagar, arrastando as palavras com o se estivessem sob o efeito de algum ansiolítico.

– Yo, Carson – um deles conseguiu dizer.

– Carson, my man – cantarolou outro.

Com o se tivessem chum bo nas m ãos, ergueram os braços para cum prim entar o am igo com tapinhas nas costas. Carson aceitou a baj ulação com o se j á estivesse acostum ado a ela ou com o se j ulgasse m erecê-la.

– Rosem ary ? – disse Mike.

– Sim .

– Você não só conhece m eu filho com o m e conhece tam bém .

– Com o assim ?

– Você m e cham ou de Dr. Bay e – disse Mike. E sem tirar os olhos do gótico de nariz quebrado, perguntou: – Com o soube que eu era m édico?

Mas não esperou pela resposta. Não precisava dela. Em vez disso, arrem eteu na direção da porta da boate, atropelando o gótico alto no m eio do cam inho. O de nariz quebrado, Carson, o viu se aproxim ando, arregalou os olhos pretos e recuou para a calçada. Mike apertou o passo e alcançou a porta antes que ela se fechasse.

Na calçada, Carson j á estava a uns três m etros de distância.

– Ei, você! – berrou Mike.

O garoto se virou para trás. A franj a cor de piche se esparram ou sobre um dos olhos feito um a cortina.

– O que houve com o seu nariz?

Carson tentou desconversar e perguntou, com sarcasm o.

– O que houve com a sua cara?

Mike correu ao encontro dele. Sabia que os outros góticos tam bém tinham saído. Seis contra um . Com a visão periférica, viu Mo sair do carro e vir na direção deles. Seis contra dois. Mas um desses dois era o gigante Mo: o páreo j á não seria tão duro assim .

Mike j á estava cara a cara com Carson quando respondeu:

– Um bando de filhos-da-puta covardes m e atacou pelas costas. Foi isso que aconteceu com a m inha cara.

– Que pena – disse Carson, tentando não perder a m arra.

– Não se preocupe. Porque um dos covardes que m e atacou saiu com o nariz quebrado. Dá para im aginar alguém m ais idiota?

Carson deu de om bros.

– Talvez o coroa estivesse num dia de sorte.

– Pode ser. E talvez o idiota queira um a chance para revidar. Hom em a hom em . Cara a cara.

O líder dos góticos agora olhou ao redor para ver se seu séqüito estava a postos. Os outros garotos sinalizaram de volta, aj ustando os socos-ingleses, flexionando os dedos, m ais um a vez exagerando no papel de valentões.

Antes que um deles pudesse fazer qualquer coisa, Mo irrom peu contra o gótico alto e o im obilizou com um a chave de braço. O garoto tentou dizer algo, m as não encontrou a voz, sufocada pelo garrote de Mo.

– Se alguém der um passo – Mo disse a ele –, vou cobri-lo de porrada. Não o cara que deu o passo. Mas você, entendeu bem ?

O garoto tentou fazer que sim com a cabeça.

Mike olhou de volta para Carson.

– Então, vai encarar?

– Não tenho nada contra o coroa.

– Mas eu tenho contra o idiota.

Com o se estivesse no pátio da escola, Mike provocou o garoto com um em purrão. Os outros góticos olhavam perplexos, sem saber o que fazer. Mike em purrou Carson outra vez.

– Epa! – exclam ou o garoto.

– O que vocês fizeram com m eu filho?

– Hein? Com quem ?

– Meu filho. Adam Bay e. Onde ele está?

– E com o é que eu vou saber?

– Foi você que m e atacou ontem à noite, não foi? Se não quiser levar a m aior surra da sua vida, é m elhor abrir o bico.

Foi então que alguém berrou:

– Todo m undo parado! FBI!

Virando-se para trás, Mike deparou com os dois hom ens de boné que os haviam seguido. Cada um deles tinha um a arm a em um a das m ãos e as credenciais na outra. Um deles falou:

– Michael Bay e?

– Sim ?

– Darry l LeCrue, do FBI. O senhor vai ter de vir conosco.