Confie em Mim

Harlan Coben · Capítulo 37 de 42

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Confie em Mim

Capítulo 37

37

P IETRA OUVIU OS CARROS SE APROXIMAREM. Olhando pela j anela, viu um a m ulher

pequena cam inhar a passos largos na direção da porta do prédio. Ao se virar para a direita, viu

carros de patrulha. Pietra im ediatam ente soube o que eles estavam fazendo ali.

Sem hesitar, pegou o celular e ligou para o único núm ero arm azenado na discagem rápida. Nash atendeu no segundo toque.

– Qual é o problem a? – foi logo perguntando.

– A polícia está aqui.

♦♦♦

Quando Joe Lewiston desceu as escadas e voltou à sala, Dolly olhou para ele um a única vez e perguntou:

– O que houve?

– Nada – disse ele, os lábios form igando.

– Você está estranho.

– Estou bem .

Mas Dolly conhecia o m arido. Sabia que ele estava m entindo. Levantou-se e cam inhou na direção dele. Joe por pouco não saiu correndo.

– O que foi?

– Nada, j uro.

Eles agora estavam frente a frente.

– Foi Guy Novak, não foi? – inquiriu Dolly . – Ele fez m ais algum a coisa? Porque se fez…

Joe pousou a m ão nos om bros da m ulher. Ela exam inou seu rosto. Sem pre conseguira decifrá-lo. Era este o problem a: Dolly o conhecia pelo avesso. Eles quase não tinham segredos um para o outro. Mas esse era um deles.

Marianne Gillespie.

Interpretando o papel da m ãe zelosa, Marianne havia telefonado, pedindo um encontro com o professor da filha. Parecera bastante com preensiva, apesar da terrível brincadeira que ele fizera com Yasm in. As pessoas falam coisas sem refletir, dissera ela. Todo m undo com ete erros. Seu ex-m arido havia ficado furioso, m as ela não. Queria sentar, conversar e ouvir o outro lado da história.

Talvez, sugerira Marianne, houvesse algum m odo de dar fim àquela situação.

Joe ficara m uito aliviado.

Eles se encontraram para conversar. Marianne revelara-se ainda m ais com preensiva do que antes. De vez em quando tocava o braço dele. Encarava-o dem oradam ente. Usava um decote provocante. Term inada a conversa, eles se abraçaram por alguns segundos além do convencional. Marianne roçava os lábios no pescoço dele. Sua respiração estava acelerada. A de Joe tam bém .

Com o ele podia ter sido tão burro?

– Joe? – Dolly deu um passo atrás. – O que está havendo?

Marianne havia planej ado aquela sedução desde o início. Só um cego com o ele para não perceber a vingança que estava a cam inho. Tão logo ela conseguiu o que quis, m inutos depois de eles deixarem o hotel, os telefonem as com eçaram :

Eu filmei tudo, seu filho-da-puta…

Marianne havia escondido um a câm era no quarto do hotel e am eaçava m andar a fita prim eiro para Dolly, depois para a diretoria e, em seguida, para todos os e-m ails que conseguisse encontrar no catálogo da escola. Durante três dias ela insistiu com as am eaças. Joe não conseguia dorm ir nem com er. Em agreceu. Chegou a im plorar que ela não fizesse nada. A certa altura, Marianne deu sinais de que estava perdendo o fôlego, com o se todo o esforço em pregado na vingança subitam ente a estivesse fatigando. Ligou para dizer que estava em dúvida se levaria seu plano a cabo ou não.

Queria que ele sofresse e ele havia sofrido, talvez isso bastasse.

Mas no dia seguinte m andou a m ensagem para o e-m ail de Dolly na escola.

Aquela cobra.

Felizm ente Dolly não tinha nenhum a intim idade com os m eandros do correio eletrônico. Joe sabia a senha dela. Assim que viu a m ensagem com o arquivo de vídeo anexado, entrou em pânico. Deletou-o e alterou a senha para que Dolly não pudesse acessar seu próprio e-m ail.

Mas até quando poderia usar aquele artifício?

Ele não sabia o que fazer. Não tinha com quem desabafar, ninguém que fosse com preendê-lo e ficar incondicionalm ente do seu lado.

Foi então que ele pensou em Nash.

– Meu Deus, Dolly …

– Que foi?

Ele dera fim àquilo. Nash havia m atado um a pessoa. Tinha assassinado Marianne Gillespie. E a tal Reba Cordova estava desaparecida. Som ando um a coisa a outra, Joe achou bastante possível que Marianne tivesse dado um a cópia da fita a Reba. Isso faria sentido.

– Joe, fale com igo.

Joe fizera algo errado, m as envolver Nash na história havia aum entado sua culpa um m ilhão de vezes. Ele pensou em se abrir com Dolly . Sabia que esse era o único cam inho.

Encarando o m arido, ela disse:

– Não tenha m edo, Joe. Me conte tudo.

Mas então algo estranho aconteceu a Joe Lewiston. Talvez o instinto de sobrevivência tivesse entrado em ação. Sim , o que Nash havia feito era horrível, m as por que piorar as coisas com um suicídio conj ugal? Por que destruir seu casam ento e sua fam ília? O problem a, afinal, era de Nash. Joe não pedira para ele ir tão longe – m uito m enos para m atar ninguém ! Ele havia im aginado que Nash fosse oferecer dinheiro em troca da fita, propor algum tipo de acordo, ou, na pior das hipóteses, intim idá-la. Joe sem pre achava que Nash agia com o se estivesse prestes a passar dos lim ites, m as em nenhum m om ento suspeitara que ele fosse capaz de um a coisa daquelas.

De que adiantaria agora procurar a polícia?

Nash, que vinha tentando aj udá-lo, acabaria preso. Mas quem havia recrutado essa aj uda afinal?

Joe.

Dificilm ente a polícia acreditaria que ele não sabia das intenções de Nash. Pensando bem , o m ais provável era que Nash fosse enquadrado com o um a espécie de m atador de aluguel, e que a polícia, com o de praxe, se interessasse m uito m ais em pôr as m ãos no m andante.

Isto é, nele, Joe.

Ainda havia um a chance, em bora rem ota, de que tudo aquilo term inasse bem . Nash não seria preso. Ninguém veria a m aldita film agem . Marianne j á estava m orta, quanto a isso não havia nada a fazer. Além do m ais, ela tinha cavado a própria sepultura: ultrapassara todos os lim ites com aquela chantagem . Joe inadvertidam ente dera um m au passo, m as Marianne fora m uito além : tentara destruir um a fam ília.

Só havia um problem a.

Um a m ensagem fora enviada naquele m esm o dia. Marianne estava m orta. O que significava que, apesar de todo o estrago que fizera, Nash havia deixado algum a ponta solta.

Guy Novak.

A única explicação possível. Nash só podia ter ido para a casa dele. Não atendera os telefonem as nem respondera às m ensagens porque estava prestes a term inar sua m issão.

Tudo agora estava claro para Joe.

Ele poderia sim plesm ente se sentar e esperar que tudo acabasse dando certo para ele. Mas isso talvez significasse que Guy Novak seria assassinado.

O que acabaria com todos os seus problem as.

– Joe? – disse Dolly . – Me conte o que está acontecendo.

Ele não sabia o que fazer. Mas não podia contar nada a Dolly. Eles tinham um a filha, um a fam ília ainda com m uito futuro pela frente. Ninguém seria louco de j ogar um a coisa dessas pela j anela.

Tam pouco de cruzar os braços e deixar um hom em m orrer.

– Tenho que ir – disse ele e correu porta afora.

♦♦♦

Nash sussurrou ao ouvido de Guy Novak:

– Grite para as m eninas que você vai ao porão e que não quer ser incom odado, entendeu?

Guy foi cam inhando para a base da escada. Nash apertava o canivete contra os rins dele. Sabia que a m elhor técnica era exagerar um pouquinho na pressão, m achucando m esm o, a fim de deixar suas intenções bem claras.

– Meninas! Vou ao porão e vou ficar por lá durante um tem po. Não quero ser incom odado, o.k.?

– O.k. – respondeu Yasm in ao longe.

Guy virou-se para Nash, fazendo com que a lâm ina do canivete escorregasse desde as costas até o abdôm en. Em nenhum m om ento gem eu ou tentou se afastar.

– Foi você que m atou m inha m ulher? – perguntou.

Nash sorriu e disse:

– Achei que fosse sua ex-m ulher.

– O que você quer?

– Onde estão os seus com putadores?

– O laptop está na m ochila, perto da cadeira. O desktop está na cozinha.

– Tem m ais algum ?

– Não. Pode pegar os dois e dar o fora.

– Antes precisam os ter um a conversinha, Guy .

– Falo o que você quiser. Tam bém tenho dinheiro em casa. É tudo seu. Mas não toque nas m eninas.

Nash ficou olhando para aquele hom em . Ele sabia que sua vida estava com os m inutos contados. Novak nunca havia dem onstrado qualquer vocação para o heroísm o, m as agora agia com o se estivesse farto da própria covardia e disposto a se m anter firm e.

– Se você cooperar, não tocarei nelas – disse Nash.

Guy estudou o olhar de Nash com o se procurasse nele algum indício de m entira. Nash abriu a porta do porão, acendeu a luz do outro lado e encostou a porta antes de conduzir Guy escada abaixo. O porão ainda não tinha sido term inado. O chão era de concreto. Nas paredes havia canos do sistem a hidráulico aparentes. Um a aquarela estava apoiada contra um baú. Chapéus velhos, pôsteres e caixas de papelão se espalhavam por todos os lados.

Nash tinha tudo de que precisava dentro da m ochila que trazia pendurada ao om bro. Já ia pegando o rolo de fita adesiva quando Guy fez um a grande bobagem .

Ele em purrou Nash e berrou:

– Meninas, fuj am !

Nash silenciou-o com um a cotovelada na garganta e depois o derrubou com um tapão na testa. Novak ficou ali, estatelado no concreto, apalpando o pescoço m achucado.

– Se você der m ais um pio – am eaçou Nash –, se abrir a boca nem que sej a para respirar, vou buscar sua filha e farei você assistir a tudo, está ouvindo?

Guy ficou im óvel. A paternidade era capaz de transform ar qualquer um , até um banana feito Guy Novak, num im pávido guerreiro. Volta e m eia Nash se perguntava se àquela altura da vida ele e Cassandra j á teriam filhos. Provavelm ente, sim . Cassandra viera de um a fam ília grande, vivia falando em ter m uitos filhos. Nash, por outro lado, era m ais conservador, via o m undo com outros olhos, m as j am ais diria não às vontades da am ada.

Nash olhou para Novak e cogitou perfurar sua perna, talvez cortar um dedo, m as concluiu que nada disso seria necessário. Guy j á havia aprendido sua lição. Não precisava de outra.

– Deite de bruços e coloque as m ãos para trás.

Guy obedeceu. Nash prendeu seus punhos com fita adesiva. Depois fez a m esm a coisa com as pernas e j untou os punhos com os calcanhares. A im obilização clássica. Por fim , tapou a boca de Guy com a fita, dando cinco voltas em torno de sua cabeça.

Em seguida, cam inhou até a porta do porão.

Guy com eçou a se rem exer freneticam ente, desesperado. Mas ainda não havia m otivo para isso. Nash queria apenas se certificar de que as m eninas não tinham escutado nada. Entreabrindo a porta, ele ouviu a televisão ligada no andar de cim a. Não viu nenhum sinal das m eninas. Então fechou a porta e voltou para baixo.

– Sua ex-m ulher fez um vídeo – falou. – E você vai m e dizer onde ele está.

Guy o interrogou com o olhar: com o ele poderia dizer onde estava a fita ou qualquer outra coisa com a boca tapada daquele j eito? Nash sorriu e m ostrou a lâm ina do canivete.

– Você vai m e responder daqui a pouco, o.k.?

Ele novam ente sentiu o telefone vibrar. Tinha certeza de que era Lewiston, m as quando viu o identificador de cham adas, preparou-se para o pior.

– Qual é o problem a? – foi logo dizendo.

– A polícia está aqui – disse Pietra.

Na verdade, Nash nem ficou tão surpreso assim . Basta um pilar ruir para que todo o edifício com ece a desm oronar. O tem po agora seria curto. Ele não poderia ficar ali, torturando Guy a seu bel-prazer. Precisava ser rápido.

O que faria Novak abrir a boca o m ais depressa possível?

Nash balançou a cabeça. A m esm a coisa que nos enche de coragem e pela qual vale a pena m orrer tam bém nos enfraquece.

– Vou fazer um a visitinha para sua filha – disse ele a Guy . – E depois você vai falar, certo?

Guy arregalou os olhos. Im obilizado, fez o que pôde para sinalizar o que Nash j á sabia. Ele falaria, sim . Contaria tudo o que fosse preciso desde que ele deixasse as m eninas em paz. Mas Nash sabia que a presença da filha facilitaria seu trabalho. Muitos diriam , talvez com razão, que a sim ples am eaça seria m ais que suficiente.

Mas Nash tam bém precisava da filha por outros m otivos.

Ele respirou fundo. Aquilo j á estava chegando ao fim . Queria sobreviver e sair dali, claro, m as o louco j á dera sinais de vida. Mais que isso: j á havia assum ido o controle. Era o louco que fazia seu sangue ferver e lhe dava a sensação de estar vivo.

Nash tornou a subir a escada. Podia ouvir Guy se debatendo com as am arras. Por um breve instante o louco vacilou e ele cogitou voltar atrás. Àquela altura, Guy diria qualquer coisa. Ou talvez não. Talvez não lhe desse m ais crédito se ele não cum prisse a am eaça.

Não, ele precisava ir até o fim .

Então, abriu a porta do porão, saiu ao hall da casa e olhou para as escadas que conduziam ao andar de cim a. A televisão ainda estava ligada.

Já ia subindo quando a cam painha tocou.

♦♦♦

Tia estacionou diante da casa dos Novak. Deixou o telefone e a bolsa no carro e seguiu a passos largos para a porta da frente. Ainda tentava digerir o que Betsy Hill tinha lhe dito. Adam aparentem ente estava bem . Isso era o m ais im portante. Tinha alguns ferim entos leves, m as estava vivo e em condições de fugir. Ele tam bém dissera outras coisas a Betsy , com o a culpa que sentia pela m orte de Spencer. Mas para tudo isso havia solução. A prioridade naquele m om ento era que ele sobrevivesse e voltasse para casa. Depois eles pensariam no resto.

Perdida nesses pensam entos, Tia tocou a cam painha.

Respirou fundo e lem brou a si m esm a que aquela fam ília acabara de sofrer um a terrível perda. Precisava m ostrar-se solidária, pensou, m as tudo o que realm ente queria era tirar a filha dali, encontrar-se com o filho e o m arido, levá-los todos para casa e trancar as portas para sem pre.

Ninguém atendeu a cam painha.

Tia espiou através da j anelinha, m as não viu m uita coisa por causa dos reflexos no vidro. Ela pôs as m ãos sobre os olhos para fazer som bra, observou de novo e achou ter visto um vulto recuar às pressas. Tocou a cam painha novam ente e, dessa vez, ouviu um grande barulho do outro lado: eram as m eninas descendo esbaforidas para atender.

Foi Yasm in quem abriu a porta. Jill estava logo atrás.

– Oi, Sra. Bay e.

– Olá, Yasm in.

A j ulgar pela expressão da m enina, Guy ainda não havia contado nada, o que não chegava a ser um a surpresa. Ele estava esperando que Jill fosse em bora para conversar sozinho com a filha.

– Onde está seu pai?

Yasm in deu de om bros e disse:

– Acho que foi até o porão, sei lá.

Por um instante as três perm aneceram caladas. A casa estava no m ais absoluto silêncio. Elas esperaram m ais alguns segundos, à espreita de algum ruído ou sinal. Mas não ouviram nada.

Guy devia estar lidando com seu próprio luto, deduziu Tia. Talvez fosse m elhor ela sim plesm ente ir em bora com Jill. Nenhum a das duas fez qualquer m ovim ento nesse sentido. Aquilo era estranho. O norm al era acom panhar seus filhos até a porta quando os deixava na casa de alguém , para se certificar de que haveria um adulto com eles.

Mas agora parecia que elas estavam largando Yasm in sozinha.

– Guy ? – cham ou Tia.

– Pode deixar, Sra. Bay e. Já tenho idade para ficar sozinha.

Aquilo era questionável. Yasm in e Jill estavam naquele m eio-term o. Provavelm ente podiam ficar sozinhas. Sobretudo com o advento do celular e de tantos recursos da tecnologia. Jill j á vinha pedindo m ais independência. Alegava que j á dera provas suficientes de responsabilidade. Adam costum ava ficar sozinho quando tinha a idade dela, m as, em vista das circunstâncias, ele não era um bom exem plo.

No entanto, não era isso que preocupava Tia agora, m as sim a sensação de abandonar Yasm in. O carro de Guy estava na garagem . Com certeza ele se encontrava em casa. Tinha de contar à filha o que havia acontecido com Marianne.

– Guy ?

Nada.

As m eninas se entreolharam assustadas.

– Onde m esm o você disse que ele podia estar? – perguntou Tia.

– No porão – respondeu Yasm in.

– O que tem lá?

– Nada de especial. Algum as caixas velhas, um m onte de tralhas.

Nesse caso, o que teria levado Guy Novak a descer até lá?

O m ais provável era que ele quisesse ficar sozinho. Yasm in dissera que havia caixas no porão. Talvez Guy tivesse guardado algum as lem branças da ex-m ulher e agora estivesse lá, sentado no chão, vendo fotos antigas ou algo assim . Talvez não a tivesse ouvido cham ar porque a porta estava fechada.

Isso era o que m ais fazia sentido.

Tia se lem brou do vulto que vira através da j anelinha. Seria Guy ? Será que ele estava se escondendo dela? Isso tam bém não era de todo absurdo. Talvez ele sim plesm ente não estivesse com ânim o para recebê-la naquele m om ento. Pode ser que não quisesse falar com ninguém . Quem sabe?

Tudo bem , pensou Tia, m as ainda assim ela não gostava nem um pouco da idéia de deixar Yasm in daquela form a.

– Guy ? – berrou ela praticam ente.

Nada.

Tia se aproxim ou da porta do porão. Se estivesse invadindo a privacidade dele, paciência. Não custava nada ele gritar um a resposta qualquer com o: “Estou aqui!” Ela bateu à porta. Silêncio. Então, Tia girou a m açaneta e abriu um a fresta.

A luz estava apagada.

Virando-se para trás, ela perguntou a Yasm in:

– Tem certeza de que seu pai está aqui?

– Foi o que ele disse.

Tia olhou de relance para Jill, que confirm ou a resposta da am iga. O m edo com eçava a m ostrar suas garras. Guy parecera tão deprim ido ao telefone… E depois descera sozinho àquele porão escuro.

Não, ele não faria um a besteira dessas. Não faria isso com Yasm in.

Foi então que Tia ouviu barulhos. Um ruído abafado, seguido de algo se arrastando, se debatendo. Um rato, talvez.

Os barulhos se repetiram . Não podia ser um rato. Provavelm ente era algo bem m aior.

“Que diabos…”

Tia olhou com firm eza para as m eninas e disse:

– Vocês duas, fiquem aqui. Só desçam se eu cham ar, está bem ?

Tateando, ela encontrou o interruptor, acendeu a luz e foi descendo as escadas. Já estava no últim o degrau quando enfim avistou Guy Novak do outro lado do côm odo, am ordaçado e im obilizado. Não pensou duas vezes: deu m eia-volta e disparou escada acim a.

– Meninas, fuj am ! Saiam daqui o m ais…

As palavras m orreram em sua garganta. A porta do porão j á se fechava à sua frente.

Um hom em veio descendo a seu encontro. Com o braço direito, arrastava a relutante Yasm in; com o esquerdo, prendia Jill.