De repente, nas profundezas do bosque
Capítulo 13
Foi assim que essas crianças, Mati e Maia, como uma célula clandestina composta de apenas dois membros, começaram a se convencer de que talvez, em algum lugar, existissem animais. Mati sentiu muito medo e Maia um pouco menos, mas ambos f icaram seduzidos, como por encanto, pela ideia de se aventurar em busca de sinais de vida. Não f oi com o coração leve que Mati e Maia decidiram planejar uma aventura como essa. Não conf iavam completamente neles mesmos: será que o peixinho e também os sons de latido teriam sido apenas f ruto da imaginação? Será que, apesar de tudo, só uma f olha prateada tinha brilhado por um momento na água antes de af undar e desaparecer? Será que uma árvore velha f ora derrubada em um dos bosques distantes e apenas o eco do gemido do desabamento chegara até eles, com o vento, e esse eco soara um pouco como um latido? Como e onde eles começariam aquela aventura? E o que aconteceria se f ossem pegos e castigados? E se os dois também virassem motivo de chacota? E se adoecessem do relincho, como Nimi, o potro?
E o que aconteceria aos dois se despertasse sobre eles a f úria de Nehi, o demônio das montanhas? E se eles também desaparecessem para sempre debaixo da asa de seu vulto negro, exatamente como desapareceram havia muitos anos todos os animais que existiam, como diziam os adultos, na nossa aldeia e nas redondezas? E por onde deveriam começar a procurar?