De repente, nas profundezas do bosque

Amós Oz · Capítulo 18 de 36

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De repente, nas profundezas do bosque

Capítulo 18

 

Por f im Mati decidiu levantar e se arriscar entre as pedras. As árvores do bosque à sua volta iam f icando mais opressivas e escuras, como que se juntando umas às outras com a intenção de barrar-lhe o caminho. Mas entre os troncos outra vez surgiu uma espécie de caminho, ou o traçado de um atalho estreito que serpenteava pela subida do monte, e que o conduziu até umas escarpas íngremes, cheias de arbustos negros, e depois continuou por deslizamentos perigosos, até que o sol que baixava por trás das montanhas se pôs a tingir o céu sobre as copas do bosque com as tintas de um incêndio gigantesco, e depois com as tintas do vinho, e depois com as tintas de brasas ardentes. Mais um pouco, e sobre todo o céu e a terra desceria uma tela de cinzas.

Nesse instante surgiu diante de seus olhos um muro de pedra, e nele havia um portão f eito de tocos de troncos grossos, e além do muro e do portão surgiu uma espécie de nuvem iluminada por diversas tonalidades, e estranhos rumores se ouviam, altos e agudos, e vagos e opacos, e f ininhos e agradáveis como f locos de neve; rumores sibilantes, estridentes, sussurrantes e irritantes, chiados rascantes e agradáveis, sons que Mati jamais ouvira, nem uma só vez, em toda a vi-da, e no entanto se lembrava deles e sabia que eram vozes de animais e aves, mugidos tranquilos, mas também urros graves, e o cântico de coros e mais coros de gargantas piando e cantando. E entre todas essas vozes Mati ouviu também a voz de Maia, uma voz límpida e sonora de tanta alegria, mas o que há com você?, chega de f icar assim cravado aí f ora, abra o portão, Mati, entre você também.