Gênero e os Nossos Cérebros

Gina Rippon · Capítulo 1 de 46

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Gênero e os Nossos Cérebros

aqui.

INTRODUÇÃO:

 

Os mitos “Acerte a toupeira”

 

Este livro trata de uma ideia originada no século XVIII que ainda persiste

nos dias de hoje: a concepção de que você pode “dar sexo” a um cérebro,

que pode descrever um cérebro como “masculino” ou “feminino” e pode

atribuir quaisquer diferenças individuais em comportamento, capacidades,

realizações, personalidade, até esperanças e expectativas à posse de um tipo

ou outro de cérebro. É uma concepção que vem guiando incorretamente a

ciência do cérebro há vários séculos, reforçando muitos estereótipos

prejudiciais e, acredito, atrapalhando o progresso social e a igualdade de

oportunidades.

A questão das diferenças sexuais no cérebro tem sido debatida,

pesquisada, estimulada, criticada, elogiada e menosprezada há mais de

duzentos anos e certamente pode ser encontrada em diferentes disfarces

muito antes disso. É uma área de opiniões consolidadas e tem sido o foco

constante de praticamente todas as disciplinas de pesquisa, da genética à

antropologia, misturadas com história, sociologia, política e estatística. É

caracterizada por alegações grotescas (a inferioridade das mulheres vem do

fato de seu cérebro ser 140 gramas mais leve), que podem ser prontamente

rejeitadas, reaparecendo em outra forma (a incapacidade das mulheres de

ler mapas vem de diferenças estruturais no cérebro). Às vezes uma única

alegação se aloja firmemente na consciência pública com um fato e, apesar

de todo o esforço de cientistas preocupados, ainda é uma crença

profundamente arraigada. Será aludida frequentemente como um fato

consolidado e ressurgirá triunfante para trombetear argumentos sobre

diferenças entre os sexos ou, o que é mais preocupante, motivar decisões

políticas.

Penso nesses equívocos recorrentes e aparentemente infindáveis como

mitos “Acerte a Toupeira”. Acerte a Toupeira é um jogo de fliperama que

envolve martelar repetidamente a cabeça de toupeiras mecânicas à medida

que surgem pelos buracos em um tabuleiro – quando você pensa que

despachou todas, outra toupeira irritante pipoca em outro lugar. A expressão

“Whac-a-Mole”, ou “Acerte a toupeira”, é usada hoje como descrição de

um processo em que um problema permanece recorrente depois de

supostamente ter sido corrigido, ou qualquer discussão em que algum

pressuposto equivocado continua aparecendo, apesar de supostamente ter

sido liquidado por informações novas e mais precisas. No contexto das

diferenças entre os sexos, pode ser a crença de que os meninos recém-

nascidos preferem olhar móbiles de tratores a rostos humanos (a toupeira de

“os homens nascem para ser cientistas”), ou de que existem genialidade e

idiotia entre os homens (a toupeira da “maior variabilidade masculina)”.

“Verdades” como estas, como veremos neste livro, têm levado marteladas

variadas com o passar dos anos, mas ainda podem ser encontradas em livros

de autoajuda, em manuais e até em discussões no século XXI sobre a

utilidade ou inutilidade das pautas de diversidade. E uma das toupeiras mais

antigas e aparentemente mais dificultosas é o mito dos cérebros feminino e

masculino.

Durante séculos, o pretenso cérebro “feminino” foi descrito como menor

que o padrão, subdesenvolvido, evolutivamente inferior, mal organizado e

deficiente de modo geral. Outras indignidades se amontoaram nele como a

causa da inferioridade, da vulnerabilidade, de instabilidade emocional, da

inépcia científica das mulheres – tornando-as incapazes de qualquer

responsabilidade, poder ou grandeza.

As teorias sobre o cérebro inferior das mulheres surgiram muito antes de

podermos de fato estudar o cérebro humano quando lesionado, ou morto.

Não obstante, “culpe o cérebro” era um mantra constante e persistente

quando queriam encontrar explicações para como e por que as mulheres

eram diferentes dos homens. Nos séculos XVIII e XIX, aceitava-se de

modo geral que as mulheres eram social, intelectual e emocionalmente

inferiores; nos séculos XIX e XX, o foco mudou para os papéis supostamente “naturais” das mulheres como cuidadoras, mães,

companheiras femininas dos homens. A mensagem tem sido a mesma:

existem diferenças “fundamentais” entre os cérebros dos homens e das

mulheres, e estas diferenças determinarão suas diferentes capacidades e

personalidades e seus diferentes lugares na sociedade. Não temos meios de

testar esses pressupostos, mas eles ainda são os fundamentos em que os

estereótipos foram baseados imutável e firmemente.

Porém, no final do século XX, o advento de novas formas de tecnologia

de imagem cerebral nos deu a possibilidade de podermos, enfim, descobrir

se realmente existe alguma diferença entre os cérebros das mulheres e dos

homens, de onde elas podem vir e o que podem significar para o “dono” (ou

“dona”) do cérebro. Você poderia pensar que as possibilidades dadas por

estas novas técnicas seriam tomadas como “a virada no jogo” na arena da

pesquisa sobre as diferenças sexuais e o cérebro. O desenvolvimento de

meios poderosos e sensíveis de estudar o cérebro, unidos a uma

oportunidade de ressignificar uma cruzada secular pelas diferenças, deveria

estar revolucionando a pauta da pesquisa e mobilizando discussões na

mídia. Quem dera que fosse assim...

Várias coisas deram errado nos primeiros dias da pesquisa de diferenças

sexuais e da imagem do cérebro. Com relação às diferenças sexuais, houve

um foco retrógrado frustrante nas crenças históricas nos estereótipos

(denominado “neurossexismo” pela psicóloga Cordelia Fine). Foram

projetados estudos baseados na lista preferida de “sólidas” diferenças entre

mulheres e homens, geradas durante séculos, ou os dados foram

interpretados segundo as características estereotipadas femininas-

masculinas que nem mesmo poderiam ser medidas no escâner. Quando

encontravam uma diferença, era muito mais provável que ela fosse

publicada do que a descoberta de uma não diferença, e também seria

aclamada ansiosamente como um momento de “enfim a verdade” pela

mídia entusiasmada. Enfim a prova de que as mulheres são programadas

para ser péssimas na leitura de mapas e que os homens não podem ser

multitarefa!

A segunda dificuldade com a pesquisa inicial de imagem do cérebro

estava nas próprias imagens. A nova tecnologia produzia mapas cerebrais

maravilhosamente codificados por cores que deram a ilusão de uma janela

para o cérebro – a impressão de que era uma imagem do funcionamento em

tempo real deste órgão misterioso, agora disponível para o exame de todos.

Estas imagens sedutoras alimentaram um problema que venho chamando de

“neurolixo”: as representações (ou deturpações) às vezes bizarras de

descobertas por imagem do cérebro que aparecem na imprensa popular e

em pilhas de livros de autoajuda baseados no cérebro. Estes livros e artigos

frequentemente ilustrados com lindos mapas cerebrais são acompanhados,

com uma frequência consideravelmente menor, de qualquer explicação do

que de fato mostram os mapas. Entender as diferenças entre mulheres e

homens tem sido um objetivo específico para esses livros e manchetes,

trazendo-nos aparentemente elucidativas ligações a barras, bolinhas e

conchas, e, naturalmente, agravando a ideia de que “Homens são de Marte,

Mulheres são de Vênus”.

Assim, o advento da imagem do cérebro no final do século XX não

contribuiu muito para o progresso de nossa compreensão sobre as alegadas

ligações entre o gênero e o cérebro. Aqui, no século XXI, será que estamos

fazendo melhor?

 

* * *

 

As novas formas de ver o cérebro concentram-se nas conexões entre as

estruturas em vez de apenas no tamanho destas estruturas. Os

neurocientistas de hoje começaram a decodificar a “tagarelice” do cérebro,

o meio em que diferentes frequências de atividade cerebral parecem

transmitir mensagens e pegar respostas. Estamos alcançando modelos

melhores de como o cérebro faz o que faz, começamos a ter acesso a

imensos conjuntos de dados e, assim, comparações podem ser feitas e

modelos podem ser testados pelo uso de centenas, se não de milhares de

cérebros, em vez dos poucos que antes estavam disponíveis. Será que esses avanços podem lançar alguma luz na inquietante questão do mito ou da

realidade do cérebro “feminino” ou “masculino”?

Uma importante descoberta nos últimos anos foi a percepção de que os

cérebros podem ser, diferentemente do que percebemos no início, muito

mais “proativos” ou prospectivos com relação à coleta de informações. O

cérebro não reage às informações apenas quando chegam, ele gera

previsões sobre o que pode estar por vir, com base nos padrões que

identificou em ocasiões anteriores. Se por acaso as coisas não saem como

planejadas, este “erro de previsão” será anotado e as diretrizes

adequadamente ajustadas.

Nosso cérebro está o tempo todo fazendo conjecturas sobre o que pode

vir pela frente, construindo modelos ou “imagens guia” para nos ajudar a

pegar atalhos que nos levem a tocar a vida. Podemos pensar no cérebro

como uma espécie de “SMS preditivo” ou um satélite de navegação de

ponta, completando de modo prestativo nossas palavras ou frases,

finalizando um padrão visual que nos permita tocar a vida com rapidez, ou

nos guiando por caminhos mais seguros para “pessoas como nós”. Para

fazer previsões, é claro que precisamos aprender algumas regras sobre o

que costuma acontecer, sobre o curso normal dos acontecimentos. Assim, o

que o cérebro faz com o nosso mundo depende muito do que ele encontra

neste mundo.

Mas e se, na verdade, as regras que o cérebro capta não passam de

estereótipos, aqueles atalhos onipresentes que amontoam verdades ou

meias-verdades, ou até inverdades do passado? E que significado isto pode

ter para a compreensão das diferenças sexuais?

Isto nos traz ao mundo das profecias autorrealizáveis. O cérebro não

gosta de cometer erros, nem gosta de erros de previsão – se estamos diante

de uma situação em que “pessoas como nós” não são facilmente

encontradas ou se claramente não somos bem-vindos, nosso sistema de

orientação cerebral pode nos levar a bater em retirada (“Pegue o retorno

assim que for possível”). Se é esperado que cometamos erros, o estresse

extra aumenta muito a probabilidade de os erros virem a ser cometidos e de

nos perdermos.

Até o século XXI, de modo geral, sustentava-se, com relação ao cérebro,

que biologia era destino. A conclusão sempre foi de que, com exceção da

conhecida flexibilidade em cérebros muito jovens e em desenvolvimento,

os cérebros com que nós acabamos eram basicamente os mesmos com que

nascemos (só que maiores e um pouco mais conectados). Uma vez adultos,

nosso cérebro chegou ao ponto final do desenvolvimento, refletindo

informações genéticas e hormonais com as quais foi programado – não

havia atualizações e novos sistemas operacionais. Esta mensagem mudou

nos últimos 30 anos, mais ou menos – nosso cérebro é plástico e flexível, e

isto tem importantes implicações para nossa compreensão do quanto o

cérebro é enredado com seu ambiente.

Agora sabemos que o cérebro, mesmo na idade adulta, sofre mudanças

contínuas, não só pela instrução formal que recebemos, mas também pelos

trabalhos que fazemos, os hobbies que temos, os esportes que praticamos. O

cérebro de um taxista londrino ativo será diferente daquele de um aprendiz

e do cérebro de um taxista aposentado; podemos localizar as diferenças

entre as pessoas que jogam videogames, que aprendem origami ou que

tocam violino. E se as experiências que transformam o cérebro são

diferentes para diferentes pessoas, ou grupos de pessoas? Se, por exemplo,

ser homem significa que você tem uma experiência muito maior na

construção de coisas ou na manipulação de complexas representações em

3D (como brincar com blocos de montar), é muito provável que isto apareça

no cérebro. O cérebro reflete a vida que tivemos, não só o gênero sexual de

quem o possui.

Ver as impressões de uma vida inteira de experiências e atitudes com que

esse cérebro plástico se depara nos faz perceber que precisamos examinar

com muita atenção o que acontece tanto fora quanto dentro da cabeça. Não

podemos mais engessar o debate sobre as diferenças sexuais entre natureza

versus criação – precisamos reconhecer que a relação entre um cérebro e

seu mundo não é uma via de mão única, mas um fluxo de tráfego constante

em mão dupla.

É possível que uma consequência inevitável de ver como o mundo está

enredado com o cérebro e seus processos seja um foco maior no comportamento social e nos cérebros por trás dele. Há uma teoria

emergente de que a espécie humana teve sucesso porque evoluímos para ser

uma espécie cooperativa. Podemos decodificar regras sociais invisíveis, “ler

a mente” de nossos companheiros humanos para saber o que talvez eles

façam, o que podem pensar ou sentir, ou o que podem querer que nós

façamos (ou não façamos). O mapeamento das estruturas e redes deste

cérebro social revelou como ele está envolvido no forjamento de nossa

identidade pessoal, com a detecção de membros de nosso endogrupo (são

homens ou mulheres?) e com o norteamento de nosso comportamento para

ser adequado às redes sociais e culturais a que pertencemos (“Meninas não

fazem isso”) ou a que queremos pertencer. Este é um processo fundamental

a ser monitorado em qualquer tentativa de entender os hiatos de gênero e

parece ser um processo que começa no nascimento, ou mesmo antes dele.

Até os membros mais novos de nosso mundo, os muito dependentes

recém-nascidos, na verdade são bem mais parecidos com socialites ricas do

que chegamos a perceber. Apesar da visão nebulosa, da audição bem

rudimentar e da ausência de praticamente todas as habilidades básicas de

sobrevivência, as crianças muito novas captam rapidamente informações

sociais úteis: além de dados fundamentais, como qual rosto e qual voz

podem indicar a chegada de comida e conforto, elas começam a registrar

quem faz parte de seu endogrupo, a reconhecer diferentes emoções nos

outros. São como pequenas esponjas sociais, encharcando-se rapidamente

de informações culturais do mundo que as cerca.

Uma história que exemplifica isso perfeitamente vem de uma aldeia

remota na Etiópia, onde nunca ninguém tinha visto computadores. Alguns

pesquisadores deixaram uma pilha de caixas, fechadas com fita adesiva. As

caixas continham laptops novos em folha, com jogos, aplicativos e músicas

pré-instalados. E sem instruções. Os cientistas gravaram em vídeo o que

aconteceu.

Em quatro minutos, uma criança tinha aberto uma caixa, encontrado o

botão liga-desliga e ativado o computador. Em cinco dias, cada criança da

aldeia usava no mínimo 40 aplicativos dos que encontraram e cantavam as

músicas que os pesquisadores haviam gravado na memória. Em cinco meses, elas invadiram o sistema operacional para reinicializar a câmera que

tinha sido desativada.

Nosso cérebro é como essas crianças. Sem orientações, ele deduzirá as

regras do mundo, aprenderá os aplicativos, irá além do que se pensava

possível inicialmente. Ele opera por uma combinação de detecção perspicaz

e auto-organização. E começará muito jovem!

Uma das primeiras coisas às quais o cérebro voltará sua atenção são as

regras do jogo do gênero. Com o incansável bombardeio de gênero

proveniente das redes sociais e da mídia dominante, este é um aspecto do

mundo desses pequenos humanos que precisamos observar com muita

atenção. Uma vez que reconhecemos que nosso cérebro não é apenas um

catador ávido de regras, com apetite particular por regras sociais, mas que

também é plástico e moldável, fica evidente o poder dos estereótipos de

gênero. Se conseguirmos acompanhar a jornada do cérebro de um bebê, seja

uma menina ou um menino, podemos ver que desde o momento do

nascimento, ou mesmo antes, esses cérebros podem ser postos em

diferentes caminhos. Brinquedos, roupas, livros, pais, famílias, professores,

escolas, universidades, empregadores, normas sociais e culturais – e,

naturalmente, estereótipos de gênero –, tudo isso pode servir de sinalização

para indicar diferentes direções a diferentes cérebros.

 

* * *

 

É importante resolver as discussões sobre as diferenças no cérebro.

Entender de onde vêm essas diferenças é vital para todos que possuem um

cérebro e têm um sexo ou gênero (falarei sobre isso mais adiante). O

resultado desses debates e programas de pesquisa, ou até de apenas de

anedotas, está implantado em como pensamos a respeito de nós mesmos e

sobre os outros, e é usado como parâmetro para a identidade pessoal, o

respeito próprio e a autoestima. As crenças sobre as diferenças sexuais

(mesmo que sem fundamento) formam a base dos estereótipos, que

normalmente fornecem apenas dois rótulos – menino ou menina, feminino

ou masculino – que, por sua vez, historicamente trazem consigo uma quantidade imensa de informações de “conteúdo garantido” e nos poupam

de ter de julgar cada indivíduo com base em seus méritos ou idiossincrasias.

Assim como fornecem uma lista do próprio conteúdo, esses rótulos podem

trazer um selo adicional de natureza ou criação. Será este um produto

“natural”, baseado na biologia pura, com suas características fixas e

imutáveis, ou será uma criação socialmente determinada, adubada pelo

mundo que a cerca, com suas características rapidamente adaptáveis pelo

acionamento de um comutador político ou uma pitada a mais de informação

ambiental?

Com informações de empolgantes avanços na neurociência, é contestada

a peculiaridade pura e binária desses rótulos – percebemos agora que a

natureza é inextricavelmente enredada com a criação. O que antes se

considerava fixo e inevitável mostra-se agora plástico e flexível; são

revelados os poderosos efeitos modificadores da biologia de nossos mundos

físico e social. Até algo que está “escrito em nossos genes” pode vir a se

expressar de uma forma diferente em diferentes contextos.

Sempre se supôs que os dois modelos biológicos distintos que produzem

corpos femininos e masculinos diferentes também produzirão diferenças no

cérebro, que sustentarão as diferenças sexuais nas habilidades cognitivas,

nas personalidades e nos temperamentos. Mas o século XXI não desafia

apenas as antigas respostas – ele desafia a própria pergunta. Veremos o

desmonte das certezas do passado, uma a uma. Veremos o que está

acontecendo com aquelas conhecidas diferenças na masculinidade e na

feminilidade, no medo do sucesso, na nutrição e nos cuidados – até na

própria concepção de cérebros femininos e masculinos. Uma revisão das

provas em apoio a essas conclusões sugere que essas características não

combinam bem com os rótulos masculino/feminino que lhes foram dados.

Portanto, sim, este é outro livro sobre as diferenças sexuais no cérebro,

na esteira dos muitos predecessores influentes e imensamente bem

fundamentados. Este é um livro que creio ser necessário, uma vez que os

antigos equívocos ainda aparecem sob novos disfarces, no estilo da toupeira

a ser acertada. Ainda existem problemas a resolver – veremos como são

grandes os hiatos de gênero nas principais áreas de realização – e ainda existem paradoxos de gênero para explicar: por exemplo, por que os países

com mais igualdade entre os gêneros têm a proporção mais baixa de

cientistas mulheres?

A mensagem central deste livro é a de que um mundo generificado

produzirá um cérebro generificado. Creio que entender como isto acontece

e o que significa para os cérebros e seus portadores é importante, não só

para mulheres e meninas, mas para homens e meninos, genitores e

professores, empresas e universidades, e para toda a sociedade.